VÍTOR PROENÇA “O alcacerense é orgulhoso da sua História”

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Em entrevista ao DIÁRIO DA REGIÃO, Vítor Proença explica porque é tão importante assinalar a data dos 800 anos da atribuição do Foral afonsino a Alcácer do Sal e com que critérios foi elaborada a programação anual de actividades que convoca, por estes dias, toda a população

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Porque é tão importante assinalar esta data, histórica e simbolicamente?

 Alcácer do Sal é uma cidade com milénios de História. Os últimos 800 anos são uma gota de água na sua longa diacronia. Contudo, esse momento ocorrido há oito séculos representa um ponto de viragem simbólico que importa comemorar: não só é a entrada desta cidade no Reino de Portugal, que tinha acontecido um ano antes, em 1217.

Com a elaboração de uma Carta de Foral, que regulava a vida colectiva na cidade (que a partir de então era Cristã e falava Português), foi criada uma instituição de natureza autárquica, que dava espaço de convivência às minorias mouras e judaicas que por aqui ficaram e floresceram nos séculos seguintes.

Este aspecto foi importante porque sem a sua existência, ou seja, sem uma Câmara Municipal sediada em Alcácer do Sal, nada mais seríamos do que um retalho de comunidades isoladas entre si, que seriam imediatamente partilhadas ou inseridas nos municípios que connosco partilham este território do Alentejo Litoral.

Quais são os principais objectivos deste programa de actividades?

Nós somos o somatório das memórias dos acontecimentos passados de que existe registo escrito ou memória imaterial. Com este programa de actividades em torno dos 800 anos de Foral afonsino pretende-se: salvaguardar este legado de natureza histórica e patrimonial; recordar a visão dos nossos antepassados que, já há oito séculos atrás, estavam conscientes da importância de aqui existir um sistema de autogoverno; homenagear as gerações de alcacerenses que sempre acreditaram na sua terra e que lutaram por ela, dando corpo a uma instituição de natureza política e administrativa que ainda hoje existe; demonstrar que o Município deve ser acarinhado pelos seus habitantes, dado que é o garante de progresso da comunidade.

 

A ideia é envolver toda a população nesta comemoração?

Um município que se quer forte, reivindicativo por tudo a que tem direito e onde vale a pena viver, deve ser inovador perante os desafios que se lhe colocam. O programa que idealizámos e temos colocado em prática neste primeiro ciclo de comemorações é um espelho disso: desde a sua concepção original, defendemos que este programa deve ser vasto e multidisciplinar para a dignidade do momento que festejamos.

Temos consciência de que cada cidadão de Alcácer é um mundo e é único, assim como os turistas que nos visitam cada vez em maior número. Fazer um programa direccionado para algumas sensibilidades não tinha sentido. Uma Câmara Municipal deve ser plural e servir a população que confiou o seu voto nos eleitos que a governam, por isso realça-se a aposta num âmbito multidisciplinar para envolver o maior número de pessoas, indo ao encontro dos seus interesses e necessidades.

 

Além do património histórico, quais são as outras mais-valias do município?

Poderá parecer um chavão dizer que são as pessoas, mas não fugimos da verdade quando insistimos neste item. Sem pessoas nada existe e nenhum projecto tem sentido ou vingará. O contributo de cada um de nós em bem receber quem nos procura tem sempre um reflexo que espelha o melhor de nós, permitindo ultrapassar fronteiras e chegar a novos públicos.

Por fim, um realce às nossas paisagens, ao rio que banha e oxigena este município e a sua culinária, ao dispor de quem frequenta os nossos restaurantes. Não temos praia oceânica, mas temos um estuário que é ele mesmo um mundo para ser descoberto ao ritmo de cada um dos nossos turistas.

Como vê a cidade hoje, a propósito desta efeméride?

O alcacerense, seja ele daqui oriundo ou que tenha adoptado esta terra como sua, é orgulhoso da sua História. Naturalmente está consciente da importância deste evento e sente carinho pela efeméride que este ano comemora.

Os municípios que connosco fazem fronteira são todos de criação posterior, salvaguardando dois casos pontuais: Palmela, em finais da década de 90 do século XII, e Montemor-o-Novo, logo no início do século XIII.

Maior antiguidade representa também maior responsabilidade, pelo que a adesão dos nossos munícipes a esta efeméride mostra o seu compromisso com um legado patrimonial e cultural que os define, e mostra maturidade em assumir o que de mais importante aqui aconteceu.

Os cidadãos do nosso município sabem quem são, porque conhecem as suas raízes e, como tal, sabem o que devem fazer para construir o seu futuro.

 

Programa de comemorações dos 800 anos de Foral estende-se até ao final do ano

Alcácer do Sal está a comemorar os 800 anos da atribuição do Foral afonsino que o reconheceu como município com um programa multidisciplinar, que começou em Fevereiro e vai decorrer ao longo do ano incluindo rotas do património, concertos, caminhadas e exposições já a partir de Julho. Salvaguardar o legado histórico e patrimonial, recordar os antepassados e “homenagear as gerações de alcacerences que sempre acreditaram na sua terra” são os objectivos principais da iniciativa municipal, que pretende envolver toda a população.

Um dos pontos altos do programa do primeiro semestre decorreu ontem, Dia do Município, com a leitura do foral afonsino e hastear da bandeira, presidido pelo presidente da Câmara Municipal Vítor Proença, nos Paços do Concelho.

De recordar que Alcácer do Sal foi conquistada pela primeira vez pelos portugueses em 1160, tendo em 1191 sido recuperada por Ya´qub al-Mansur, na derradeira presença islâmica que durou até 1217, altura em que foi retomada pelos portugueses com a ajuda da V Cruzada. O foral foi posteriormente atribuído pelo rei D. Afonso II em 1218, razão pela qual o município comemora este ano 800 anos de existência.

Rotas do Património, concertos, caminhadas e exposições são algumas das actividades já programadas para o segundo semestre do ano – cuja programação completa será ainda anunciada – e que fazem parte de uma programação de “âmbito multidisciplinar para envolver o maior número de pessoas, indo ao encontro dos seus interesses e necessidades”.

Um dos sinais mais visíveis, por estes dias, nas ruas da cidade são os festões típicos dos Santos Populares, que este ano dividem o tema com os 800 anos do município através da “reprodução de antigos anúncios que mostram a evolução do comércio local” e de “imagens de antigos ofícios”. Os enfeites foram elaborados por associações, comerciantes e grupos organizados e instalados pela autarquia.

Para o presidente Vítor Proença torna-se importante assinalar a efeméride no sentido de “salvaguardar este legado de natureza histórica e patrimonial; recordar a visão dos antepassados que, já há oito séculos, estavam conscientes da importância de aqui existir um sistema de autogoverno; homenagear as gerações de alcacerenses que sempre acreditaram na sua terra e que lutaram por ela, dando corpo a uma instituição de natureza política e administrativa que ainda hoje existe; [e] demonstrar que o município deve ser acarinhado pelos seus habitantes, dado que é o garante de progresso da comunidade”.

 

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