O Moinho Pequeno do Barreiro

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Em arquitectura militar, um blockhaus, palavra alemã que significa, literalmente, casa de troncos, eram pequenos fortes isolados, originalmente construídos em madeira e, posteriormente, em betão. Inicialmente construídos pelos colonizadores europeus, foram popularizados durante a I Guerra Mundial, ainda nos tempos que correm são usados no Afeganistão pelas forças aliadas.
Ao que sei, apesar de vivermos tempos em que a segurança não é demais, não se prevê nenhum ataque terrestre ao Barreiro. No entanto, o executivo camarário, seguindo um projecto do anterior, iniciou há algumas semanas a demolição de um dos marcos históricos do Barreiro, o Moinho Pequeno, não para o reconstruir, mas para ali dar lugar a um edifício que em tudo se assemelha a um blockhaus.
Se consigo compreender a demolição, devido ao avançado estado de degradação do edifício original, construído no século XVIII, parece-me inconcebível a solução encontrada. Um edifício que tenta ser moderno, mas é vazio, sem a marca do Barreiro, sem a sua identidade, sem traços característicos do Moinho de Maré Pequeno. E ninguém está isento de culpas: se o actual executivo, do PS, alega que se trata de dar continuidade ao projecto do executivo anterior, da CDU, o actual é o responsável por isso mesmo: dar continuidade a um projecto que ninguém conhecia, o qual não foi alvo de discussão pública, e que não valoriza a memória histórica do Barreiro, mas é mais um edifício moderno e ostensivo, como o PS tanto gosta, igual a milhares do género por esse país fora.
Não se trata de saudosismo por um edifício praticamente destruído como era, há décadas, o Moinho Pequeno. Trata-se de respeito pela história do nosso concelho e pelos Barreirenses que, mais uma vez, não foram ouvidos. Até poderíamos todos chegar à conclusão que o projecto faria sentido ao Barreiro. Mas agora já é tarde para termos essa discussão.
“Mas ao menos fazemos alguma coisa”, dizem. Comecem por tratar a história do Barreiro com respeito, recuperando o património, envolvendo os Barreirenses, e utilizando-o como motor de desenvolvimento económico e turístico. Acreditem, o potencial do Barreiro passa por aí. Não vem nenhum ataque militar a caminho.

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