O Murpi tem 40 anos

45
visualizações

Foi há 40 anos, no dia 27 de Maio, que mais de cinco mil reformados e 101 organizações de reformados, do País marcaram encontro no concelho da Amadora para a realização da 1ª Conferencia Nacional do MURPI onde seria constituída a Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos, MURPI.
Foi há 40 anos que o MURPI começou a ser um movimento, que continua a dar voz aos problemas que mais afetam os reformados, pensionistas e idosos exigindo dos órgãos do poder o cumprimento da Constituição da República sobre a política da 3ª idade.
O MURPI foi e continua a ser a força de Abril que ajudou a construir um Portugal mais justo e solidário fez-se com muita convicção, com muita perseverança, com muita confiança na luta pela defesa dos direitos dos reformados. Um caminho feito com a unidade dos reformados que criaram e deram corpo à criação de centenas de Comissões e Associações Unitárias de Reformados, das Federações e desta Confederação MURPI.
Milhares de dirigentes e ativistas, homens e mulheres, ontem como hoje, desbravaram caminho, promoveram encontros, debates, conferências e congressos, para reafirmarem a necessidade de continuar a luta pela defesa dos direitos dos reformados, pensionistas e idosos.
Nesta longa caminhada permitiu garantir o direito à reforma, o direito à saúde, o direito à habitação, o direito à associação e, em todo o país, semeámos centros de convívio, centros de dia, estreitando laços de amizade e de solidariedade.
Este movimento associativo de reformados é pioneiro em Portugal na sua génese, na mobilização de massas com carater reivindicativo na defesa dos direitos dos reformados e na especificidade da sua organização.
Caminho feito no respeito pela vontade dos seus associados, na unidade com todas as forças que contribuíram e contribuem pela dignificação e pela criação de melhores condições de vida para todos aqueles e aquelas que ao longo de uma vida de trabalho deram o seu melhor contributo para o progresso do nosso país.
Ontem como hoje, privilegiamos a luta por melhores pensões como garante não só da nossa autonomia social e económica como também da luta contra a pobreza e as desigualdades sociais. Ontem como hoje afirmamos que a saúde é um direito para todos e continuaremos o combate pela defesa do Serviço Nacional de Saúde.
Com a força que nos trouxe até ao presente queremos reafirmar a nossa vontade de continuar sempre a nortear a nossa ação pelos ideais de Abril, pelos seus valores como afirmámos na 1ª Conferencia ao escolher o nosso lema: “Só o Portugal de Abril respeitará o Outono da vida”.
Só com a nossa luta foi possível recentemente conseguirmos uma vitória ao entrarmos no Conselho Económico e Social, expressa por milhares de reformados que de formas diversas manifestaram junto do CES a exigência do reconhecimento do MURPI como parceiro social, ultrapassando a discriminação de quem não queria reconhecer o direito da nossa permanência efetiva e da nossa representatividade nacional, com mais de 150 associações, representando mais de 70 mil associados.
Somos uma força indispensável quando exigimos a reposição do poder de compra, quando exigimos o aumento extraordinário de todas as pensões.
A validade do projeto do MURPI está alicerçada em muitas centenas de iniciativas desenvolvidas pelas nossas Associações traduzidas na valorização dos saberes e da cultura, na criação da arte, no fortalecimento do associativismo, pela solidariedade no apoio social e em numerosas iniciativas norteadas para garantir uma vida digna e de bem-estar, pela defesa de plena integração e participação dos reformados na vida da sociedade. No passado dia 3 de Junho, concretizámos o 23º Piquenicão Nacional em Montemor-o-Novo onde conviveram mais de 4 mil pessoas e onde atuaram mais de 60 grupos de cantares. No dia 8 de Julho a Federação Distrital irá organizar o seu 17º Piquenicão Distrital no parque do Bonfim em Setúbal.
Hoje vivemos mais anos do que no passado. O aumento médio de esperança de vida é uma conquista civilizacional que tem de ser revertida a favor do envelhecimento com direitos e um envelhecimento com dignidade.
As pessoas idosas, a natureza dos seus problemas específicos relacionados com o envelhecimento com direitos mereceu no MURPI um debate profundo no excelente Seminário realizado em Almada em que se reafirmou a necessidade urgente de uma política de proteção social e de garantia do direito a envelhecer com dignidade.
Desenvolvemos no presente, ações que visam não só assegurar no presente a defesa dos direitos dos reformados como também com estas ações defendemos uma Segurança Social universal, pública e solidária que garanta aos nossos filhos e netos o direito à reforma digna e justa.
Mas falta muito caminho a percorrer. Torna-se necessária e urgente a luta pela revalorização e atualização de todas as pensões e muito em especial as pensões baixas.
Temos que assegurar que o acesso aos cuidados de saúde se faça em termos equitativos em todo o território nacional e que os mais idosos e dependentes, entre nós, tenham acesso aos cuidados continuados
Continuaremos a defender uma rede pública de equipamentos que assegure de forma equitativa e justa o direito à proteção social.
Continuaremos a exigir uma boa mobilidade, com acesso assegurado à rede pública de transportes adequada às necessidades básicas dos utentes.
Continuaremos a exigir o apoio financeiro às atividades culturais desenvolvidas pelas Associações de Reformados irá dar força e estímulo à criatividade e fruição cultural dos reformados. Defendemos que os reformados tenham o direito ao acesso gratuito nos museus e instituições de cultura.
Estas reivindicações são algumas que temos de continuar a lutar e a defender se quisermos garantir um envelhecimento com direitos e com dignidade.

Comentários

- Pub -