Protesto junta dezenas contra as restrições nos acessos à Arrábida

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Protesto junta dezenas contra as restrições nos acessos à Arrábida

Dezenas de pessoas juntaram-se em protesto contra o corte do trânsito entre a Figueirinha e o Creiro e a cobrança do estacionamento na Figueirinha numa manifestação promovida pelo grupo de Facebook “Praia na Praça”, na Praça do Bocage, este domingo de manhã, com toalhas estendidas, guarda-sóis abertos e acessórios de praia a marcar um simbólico domingo de praia no Dia de Portugal.

 

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“Temos três coisas que gostaríamos de ver feitas no imediato: a abertura da circulação num só sentido [entre o túnel da Figueirinha e o Creiro], a abolição do parqueamento da praia da Figueirinha e policiamento do troço para evitar o estacionamento abusivo”, afirmou Vanessa Sequeira, porta-voz do “Praia na Praça”, enquanto várias pessoas se iam juntado na Praça do Bocage, indiferentes à ameaça de chuva.

O corte do trânsito no troço da estrada nacional 379-1 entre o túnel da Figueirinha e o Creiro – que está em vigor por decisão municipal até ao dia 16 de Setembro – é a medida mais contestada, não só por aqueles que costumavam aceder às praias de carro como também por aqueles que tinham o hábito de apenas passear na Arrábida. “Não se pode cortar a circulação de quem não quer estacionar. Temos aqui pessoas de idade que há 20 anos não vão à praia, nem gostam de praia, e que a única coisa que faziam era circular por ali. Continuam a querer ir e neste momento não podem circular”, lembrou Vanessa Sequeira.

No entender do grupo, os setubalenses e azeitonenses têm o mesmo grau de civismo que os outros povos e não deviam ser privados “da sua liberdade por causa de umas quantas pessoas que não cumprem a lei”, nem por a autarquia “não conseguir desempenhar as suas funções”. Exigem por isso o reforço da fiscalização, e apontam que o “argumento de que saia muito caro pagar a GNR gratificados cai por terra, porque agora há três”.

A alternativa para chegar este ano às praias da Arrábida entre a Figueirinha e o Creiro é apanhar uma de várias carreiras de autocarro a partir de Setúbal ou Azeitão e depois um vaivém gratuito para aceder às restantes zonas balneares. Medida face à qual também João Salgueiro, setubalense de 28 anos, expressou a sua insatisfação, não tendo carro próprio e não podendo suportar o custo dos autocarros nem do catamaram para Troia. “Os autocarros não são suficientes para a quantidade de pessoas que vão para a praia, sobretudo no regresso”, e “o desgaste físico é muito grande, quando a praia é supostamente um momento de lazer”.

Já sobre os preços, o tom ouvido entre os manifestantes na Praça do Bocage foi o mesmo: indignação perante um custo que consideram elevado. Para Elisabete Santos, a viver na cidade há dez anos, o preço dos transportes é “exagerado” e quem opta por levar o carro depara-se com “falta de estacionamento, porque apesar de facilitarem a Secil na Arrábida com aquele parque, é impossível dar para todas as pessoas”. “Era necessário fazer alguma coisa, mas não assim”, enfatizou, sentada numa toalha com amigos como se estivesse na praia.

O protesto juntou várias dezenas de pessoas na Praça do Bocage.

 

Câmara justifica com segurança e ambiente

Com esta manifestação o grupo “Praia na Praça” reiterou ainda que pretende “consultar o plano de emergência para a Arrábida – porque afinal de contas o principal argumento é que estas medidas são para nos proteger e nós não temos sequer consciência que haja um plano aprovado”; “consultar o acordo de concessão dos TST para perceber a disparidade dos preços [praticados nas carreiras] para a Figueirinha em comparação com outras carreiras” e “saber exactamente se houve ou não contrapartidas com o Alegro, com a Secil e outras empresas privadas na cedência dos estacionamentos”.

Vanessa Sequeira relembrou ainda que o grupo está a reunir os contributos e sugestões dos seus membros no Facebook através do tópico #alternativaarrabida e pretende avançar posteriormente com uma apresentação formal de propostas de alteração das medidas junto do município. “A Arrábida sem Carros até pode ser um benefício, mas têm de arranjar maneira para que as pessoas conseguiam efectivamente aceder à Arrábida sem carros”, disse a porta-voz.

No decorrer da discussão deste tema, que tem mobilizado muitos setubalenses e azeitonenses nas redes sociais, a Câmara Municipal de Setúbal tem prestado esclarecimentos em relação, por exemplo, ao carácter “provisório” do corte do trânsito naquele troço da estrada nacional e a outras medidas. E tem também disponibilizado nos seus canais oficiais de comunicação folhetos informativos sobre os horários, percursos e preços dos transportes, assim como a localização e lotação de cada um dos parques de estacionamento criados este ano.

As medidas contestadas fazem parte do plano municipal de mobilidade “Arrábida sem Carros”, em vigor desde o dia 31 de maio para pôr cobro sobretudo ao estacionamento abusivo que se verificava durante a época balnear e às infracções de trânsito cometidas por quem desrespeitava o sentido único vigente até às 19h00. Tudo com o objectivo de “assegurar a circulação de pessoas nas vias de acesso a estas praias em total segurança e com respeito pelo ambiente”, sustenta o executivo. As praias da Serra da Arrábida são procuradas anualmente por 350 mil pessoas.

Protesto serviu para contestar medidas tomadas pela Câmara de Setúbal face ao trânsito na Arrábida.

 

(Fotografias: Diário da Região)

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