Solidão

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Hoje venho falar-vos da solidão.
Já pensaram nisso?
Já alguma vez se sentiram sozinhos?
Quem nunca se sentiu sozinho, alguma vez, não poderá fazer uma ideia – mínima que seja – do que é a solidão. A solidão é um flagelo que atinge muitas pessoas nos nossos dias; e, a maior parte das vezes, nem os solitários sabem que o são.
Há quem diga que é solitário – e, por vezes, com orgulho – por preferência. Mas mesmo estes nunca o são – solitários, entenda-se – a 100%; têm amigos, colegas, família…
Os verdadeiros solitários, os que sofrem de solidão, são aqueles que não têm ninguém que realmente se importe com eles. Acredito que sejam uma minoria, contudo, já são demais, porque ninguém deveria sentir-se assim…
As pessoas usam de muitas estratégias para escaparem às garras da solidão; porque a solidão é um monstro de silêncio que os embosca a cada recanto da casa. E nos últimos anos, as redes sociais, como o Facebook, têm feito parte dessas estratégias e têm contribuído de sobremaneira para o enxotar dessa solidão não reconhecida. As pessoas tornam-se fortes participantes de Grupos e comentam tudo o que se passa, na vida delas e das outras – mesmo das que não conhecem – enchendo o feed de notícias dos seus «amigos» com um punhado de coisas que não interessam especialmente a ninguém, se não a alguns.
«Ah! Para fazer isso não tem que ser solitário!»
Têm razão. Há muita ignorância nas redes sociais e há muita gente que comenta e comenta e comenta, diz que diz, emite opiniões apenas porque sim… As redes sociais abriram um canal de comunicação para todos; incluindo para aqueles a quem se costumava dizer:
«Chiu! Tá mas é caladinho que não sabes do que falas…» … e eles calavam-se! Mas agora já não precisam de falar só precisam de escrever e não está lá ninguém para lhe segurar os dedinhos elétricos…
Mas isto faz a ponte que o que aconteceu a semana passada – precisamente no Facebook; e que me fez querer falar sobre isto…
Alguém postou, num tom irónico e de escárnio, uma critica a todas aquelas pessoas que todos os dias, no Facebook, seja no Feed de notícias, seja por Messenger, insistem em nos dar os bons dias, as boas noites e em desejar bons sonhos, apesar de nós nunca lhes respondermos. O post teve não sei quantas visualizações e comentários; quase todos concordando. No entanto, aquilo fez-me pensar na solidão e na possibilidade dessas pessoas – as criticadas – serem pessoas que se sentem sós.
E, se assim for, não deveríamos criticá-las. Aquelas pessoas estão a fazer algo que faz com que se sintam parte de uma comunidade – ainda que virtual -, pessoas que estão ainda ligadas ao mundo e que, por isso – só por isso -, conseguem manter longe o monstro silencioso da solidão que as espera num recanto qualquer da casa. E, além disso, não poderemos também ver nisso – ainda que inconscientemente – um apelo à ajuda, uma tentativa tímida para rebuscar amigos da virtualidade, e dessa forma matar aquele monstro que as ameaça todos os dias?
Eu tenho no meu rol de «amigos» pessoas assim.
Por isso, olhando assim as coisas, vendo as coisas desta forma, acho que posts como aquele são pura maldade.
Quem não gosta, pode ignorar ou deixar se seguir essa pessoa; pode pedir para ocultar os seus posts do Feed de notícias. Mas criticar ou desamigar, é estar a empurrar essas pessoas para as garras do monstro da solidão; um monstro que – se calhar – muitas nem sabem que está lá.
Já algum de vocês sentiu que era indiferente para o mundo?

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