Justiça, audácia ou liberdade?

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No último Congresso do CDS/PP realizado no passado dia 10 de março na cidade de Lamego, o advogado, professor, pedagogo e político Adriano Moreira, emanou com toda a sabedoria dos seus noventa e cinco anos de idade que o “importante são as pessoas”.
Eu quero acreditar que é uma realidade, mas acontecimentos recentes tiraram-me essa fé e é cada vez mais difícil ignorar as evidências, quando elas nos são colocadas à frente dos olhos e ditas em alto e bom som para todos poderem ouvir. Mas já lá vamos…
Tal como eu, muitos acreditam que o CDS é um partido de causas e de pessoas, assentes nos valores e princípios da Democracia Cristã, onde, em primeiro lugar, defendemos os princípios gerais do Estado de Direito: o primado da lei, o respeito pela dignidade da pessoa humana e a garantia dos seus direitos fundamentais, nomeadamente a liberdade, o pluralismo, a limitação e separação de poderes, o governo fundado nestes direitos e na sua igual aplicação, sendo cada vez mais necessário afirmar os nossos valores fundacionais onde o Estado Social é encarado como a salvaguarda dos mais necessitados, onde é preciso prestar apoio sempre que necessário na educação, na saúde e na previdência social, de acordo com o princípio da subsidiariedade.
O que acontece na realidade montijense, tal como deve de acontecer em muitas outras cidades não é sinónimo de respeito pelos valores indicados nem mesmo pela salvaguarda de quem quer que seja, muito menos uma valência de apoio que está previsto e que é considerado como um pilar na educação.
Ora vejamos: a educação de uma criança é o resultado da ação da família e dos educadores. Por educadores depreende-se o conjunto de pessoas, cuja profissão ou atividade diária passa por cuidar, educar, ensinar, ouvir, comunicar, e todas as outras ações onde interagem crianças, professores, educadores, animadores, auxiliares, cozinheiras, entre outros, que são desenvolvidas numa qualquer escola.
Num contexto social em que os pais cada vez têm menos tempo para dedicar aos seus filhos, a importância dos educadores, professores ou similares aumenta e torna-se crucial, tanto para o indivíduo como para a sociedade como um todo. É preciso esclarecer que a Família educa e a Escola ensina. E, não obstante, os valores que os pais pretendem incutir aos seus filhos devem ser respeitados pelos docentes, onde o seu papel é o de transmitir conhecimento e formar pessoas íntegras e integradas na sociedade portuguesa. Assim sendo, o seu papel é determinante, disso não há dúvidas.
Qualquer profissional na área da educação, deve primar pelo bem-estar das crianças acima de tudo, verificar que o objetivo principal é cumprido e que os valores sobre os quais assenta a educação das crianças, são respeitados ou seja, o mais importante e como previsto no Regulamento de Funcionamento dos Serviços de Apoio à Família nos Jardins de Infância da Rede Pública do Concelho de Montijo, no nº 1 do art.º 1 do Capítulo I é:
“De acordo com o Art.º 2.º da Lei n.º 5/97 de 10 de Fevereiro, a educação pré-escolar é a primeira etapa da educação básica no processo de educação ao longo da vida, sendo complementar da ação educativa da família, com a qual deve estabelecer estreita cooperação.” (…)
Não só porque sim, mas também porque estamos a falar dos direitos pessoais, e a linha que separa a minha liberdade é a mesma que limita a do outro, assim sendo, não podemos é esquecer que todos dependemos uns dos outros, ou seria a primeira vez que alguém entra num qualquer serviço público ou particular e, mesmo sendo após o horário previsto de atendimento, a pessoa não sai sem ser atendida. Este é o meu entender, o de alguém que serve o seu país há mais de vinte anos e nunca teve a audácia de dizer a alguém, volte amanhã que hoje já passa do meu horário.
Mas dá que pensar…haja fé, porque nem todos são tão rígidos e alguns até pensam no bem que podem fazer aos outros, exatamente porque têm o privilégio de exercer funções de serviço público e sentem-no diariamente.

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