Permanência do Vitória na I Liga: justiça por linhas tortas

0
147
visualizações

O apito final do árbitro no jogo deste domingo, que confirmou a permanência do Vitória Futebol Clube na I Liga, deu-nos – creio que a todos os sadinos e a grande parte dos mais de 800 mil habitantes deste nosso distrito -, uma sensação de alivio e um sentimento de que acabou por ser feita alguma justiça.
Desportivamente, o que a equipa fez nesta temporada seria, em condições normais, mais do que suficiente para um campeonato tranquilo, com manutenção assegurada desde cedo. O futebol produzido foi mais do que suficiente para isso, mas os resultados não corresponderam, tantas vezes devido a erros clamorosos de arbitragem. Quantos pontos não perdeu o Vitória injustamente?
Acresce que o feito desportivo foi realizado em condições especialmente adversas. As dificuldades financeiras, incluindo salários em atraso, os processos eleitorais devastadores, pela quantidade e pela forma como decorreram, e as já referidas injustiças da arbitragem, constituem uma combinação explosiva, capaz de destroçar qualquer outro clube.
Mas o Vitória, mais uma vez, provou que é enorme, que faz das fraquezas a força necessária para vencer.
O Vitória merece ficar no escalão maior do futebol português, pela sua história e por tudo isto que fez este ano, nas condições em que o fez. Mas a cidade e a região também merecem ter o Vitória na I Liga.
Setúbal também é grande, como cidade e como distrito, com mérito para ter o Vitória entre os maiores clubes do país, porque temos o nosso peso no conjunto da realidade nacional, no passado e no presente.
Com a permanência conquistada com o triunfo de ontem, fez-se justiça, embora por linhas tortas, mas a alegria do resultado presente, não deve fazer-nos esquecer que precisamos de melhorar muito para regressarmos às glórias do passado.
O Vitória e Setúbal merecem estar na I Liga, entre os melhores do futebol português, mas a cidade e a região podem fazer mais pelo clube que nos representa. As pessoas, as empresas e as instituições locais e regionais podiam fazer da realidade do Vitória algo mais fácil, dando ao clube o apoio, efectivo, que lhe é devido.
O orgulho e alívio que hoje sentimos deve fazer-nos pensar na tristeza que seria estarmos agora na segunda divisão. Sem as receitas próprias da I Liga, como as verbas das transmissões televisivas, o Vitória, já tão mal financeiramente, estaria, provavelmente, condenado ao quase desaparecimento.
Celebremos o Vitória, com o pensamento no futuro e façamos deste susto por que passámos a lição que faltava para nunca mais permitirmos que a descida de divisão seja sequer uma hipótese.

Comentários

- Pub -