Fernando Gonçalves demite-se da presidência da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa

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Nem 48 horas passaram após o referendo que legitimou a continuidade da Comissão de Trabalhadores (CT) da Autoeuropa e Fernando Gonçalves já apresentou a demissão da presidência do organismo. O responsável anunciou hoje a saída do cargo, justificando a decisão com um “sentimento de contestação à pessoa do presidente”.

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O resultado do referendo registou uma participação de votação inferior a 2/3, mas ainda assim com mais de 50% dos votos desfavoráveis à destituição da CT, o que acaba por tornar a decisão agora tomada por Fernando Gonçalves algo surpreendente.

Recorde-se que, dos 5.953 inscritos, no referendo votaram apenas 3.174 trabalhadores, a maioria dos quais – 57,3% (1.818 votos) – contra a destituição da CT, enquanto o “sim” à destituição obteve apenas 38% (1.206 votos).

Os primeiros sinais de descontentamento de alguns trabalhadores, que culminaram com um abaixo-assinado que levou à realização do referendo para a destituição da Comissão de Trabalhadores, começaram logo que se tornou claro que a empresa iria implementar o trabalho obrigatório aos sábados.

Fernando Gonçalves acreditava que seria possível encontrar soluções alternativas em diálogo com a empresa, mas a administração da Autoeuropa considerou que não havia possibilidade de produzir o volume de carros necessário sem o trabalho obrigatório aos sábados, pelo que o novo horário entrou mesmo em vigor no passado mês de Fevereiro.

A definição dos horários de trabalho é uma prerrogativa legal da empresa, sendo que o parecer da CT tem, apenas, carácter consultivo.

A partir de Agosto, além dos sábados os trabalhadores da Autoeuropa vão ter de trabalhar também ao domingo, uma vez que a empresa deverá implementar um novo regime de laboração contínua, com um total de 19 turnos por semana, incluindo sábados e domingos.

Apesar de tudo, alguns trabalhadores consideram que se trata de uma solução melhor, uma vez que, ao contrário do que acontece desde Fevereiro, vão passar a ter outra vez duas folgas consecutivas.

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