Gestão PS e oposição em guerra aberta para tratarem da saúde no Montijo

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Câmara. PAÇOS DO CONCELHO. O município montijense obteve a melhor pontuação global na região

Autarcas trocam críticas fortes com a Misericórdia a ser apanhada em “fogo cruzado”. A criação de uma Unidade de Saúde Familiar no hospital do Montijo foi o ponto de partida para uma discussão longa e acesa

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As comemorações de Abril ainda nem arrefeceram e a discussão em torno da criação de uma Unidade de Saúde Familiar em pleno coração do hospital do Montijo já subiu de tom, com os autarcas da Câmara Municipal a trocarem críticas fortes, algumas das quais dirigidas à Santa Casa da Misericórdia local. Foi assim que ficou marcada, esta quinta-feira, a reunião pública do executivo camarário.

De um lado, a gestão PS assume que irá lutar até ao fim pela integração dos cuidados primários de saúde na unidade hospitalar, acenando com a vantagem da diminuição do elevado número de utentes sem médico de família; do outro, a oposição (CDU e PSD/CDS) defende que os espaços do hospital devem ser aproveitados para cuidados de saúde hospitalar e que a autarquia deveria ceder um terreno para construção de um novo centro de saúde na cidade e, ao mesmo tempo, reivindicar junto do Governo um novo hospital para o Montijo.

“A integração [da Unidade de Saúde Familiar] no hospital do Montijo é meramente física, continuando a unidade hospitalar na gestão do Centro Hospitalar Barreiro Montijo”, disse o presidente da Câmara, Nuno Canta, em resposta ao vereador da CDU, Carlos Jorge de Almeida, acrescentando mais à frente: “A Câmara tem disponível um terreno caso queiram construir um hospital. É público e todos os vereadores o sabem.”

Antes, Carlos Jorge de Almeida já havia citado partes do discurso proferido pelo provedor da Santa da Casa da Misericórdia do Montijo, José Manuel Braço Forte, na assinatura do protocolo entre a ARSLVT, o CHBM e a Misericórdia, para instalação da unidade de saúde no hospital. O vereador da CDU considerou que “a postura que caberia aos autarcas” foi o provedor a assumir, em plena cerimónia protocolar, quando este afirmou que a unidade de saúde não virá resolver os problemas dos montijenses.

“Não se pode substituir um hospital por uma Unidade de Saúde Familiar. Seria o mesmo que substituir uma esquadra da PSP por um gabinete de guardas nocturnos”, exemplificou o autarca da CDU.

O “pau mandado” e a “língua que devia ser engolida”

João Afonso, vereador eleito pela coligação PSD/CDS, também lembrou as palavras do provedor da Misericórdia, sublinhando que José Manuel Braço Forte colocara uma questão que ficou sem resposta do presidente da Câmara: “Para quando a construção de um novo hospital no Montijo?”

O social-democrata avançou, então, que “nem daqui por cinco ou seis anos, seguramente”, essa poderá ser uma realidade.

“O vereador da CDU e o vereador do PSD citaram o provedor. Mas o provedor assinou o protocolo porque quis, não foi coagido. Depois teve aquele discurso, se calhar coagido por alguém”, retorquiu Nuno Canta, dirigindo-se depois directamente a João Afonso: “O senhor [vereador], se não está de acordo, tome as suas diligências enquanto presidente da Assembleia Geral da Santa Casa da Misericórdia.”

O presidente e o vereador social-democrata envolveram-se então numa acesa troca de palavras.

“O senhor não defende os interesses dos montijenses, defende os interesses do Governo”, atirou João Afonso.

“Os montijenses sabem quem os defende”, respondeu Nuno Canta, com o vereador a insistir: “O senhor é uma caixa de ressonância do Governo do PS, faz o que lhe mandam fazer”.

A réplica do presidente da Câmara não se fez esperar: “O senhor devia engolir a língua quando diz que o presidente da Câmara é um pau mandado de alguém”

A vereadora socialista Maria Clara Silva interveio depois e considerou que João Afonso, enquanto presidente da Assembleia Geral da Misericórdia, “era o único que poderia impossibilitar a assinatura do protocolo” de implantação da Unidade de Saúde Familiar no hospital.

“Não tenho esse poder nem nenhum outro presidente de assembleia geral o tem”, rebateu João Afonso.

 

PS congratula-se com Unidade de Saúde Familiar

A concelhia do Montijo do PS já tomou posição sobre a criação da Unidade de Saúde Familiar no hospital, manifestando, em comunicado, “satisfação pelo êxito conseguido”, depois de ter acompanhado “com entusiasmo as diligências do presidente da Câmara” junto da tutela.

“A nova Unidade de Saúde Familiar permitirá realizar a integração dos cuidados de saúde primários com os cuidados hospitalares e reforçar as respostas do hospital do Montijo, criando um Parque

de Saúde e por essa via beneficiar a vida dos utentes e doentes do Serviço Nacional de

Saúde”, consideram os socialistas, que não poupam críticas à oposição.

“O Partido Socialista do Montijo lamenta que o PSD do Montijo e a CDU estejam contra

esta iniciativa quando existem tantos utentes sem médicos de família na nossa terra. A CDU tentou organizar, sem sucesso, uma manifestação junto ao local da assinatura do protocolo (convocou a população para o local) o que mostra bem que a CDU não se interessa pela saúde das pessoas, mas por uma política de quanto pior melhor.”

No mesmo documento, a estrutura local do PS lembra também que “o presidente da Câmara

Municipal “desde 2016 vinha insistindo com a ARSLVT para que naquele local – sem qualquer utilização há vários anos – fosse instalada uma unidade de saúde familiar para servir os utentes do Montijo que não têm médico de família”.

O PS sublinha ainda que o hospital do Montijo, que integra o Centro Hospitalar Barreiro Montijo, “tem ganho novas valências, como foi o caso da cirurgia de ambulatório, considerada uma das melhores do País”. E aponta a concluir: Actualmente tem em funcionamento as seguintes valências de urgência básica, medicina interna e internamento (20 camas), medicina física e de reabilitação, meios complementares de diagnóstico e consultas externas (anestesiologia, cardiologia, medicina, medicina física e de reabilitação, nutrição, cirurgia geral, ortopedia, oftalmologia, cirurgia plástica, cirurgia pediátrica, pediatria e psiquiatria)”.

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