Unidade de Saúde Familiar no hospital ‘é dar aspirina a doente com pneumonia’

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Provedor da Misericórdia diz que equipamento não vai resolver problemas e põe o dedo na ferida. José Manuel Braço Forte lembrou a necessidade de construção de um novo hospital e lançou desafio aos responsáveis pela área da saúde. Ao mesmo tempo, vincou que o protocolo de criação do Centro Hospitalar Barreiro Montijo continua por cumprir

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A assinatura do protocolo para criação de uma Unidade de Saúde Familiar no hospital do Montijo, que ocorreu na passada sexta-feira, ficou marcada pelo discurso contundente do provedor da Santa Casa da Misericórdia do Montijo, José Manuel Braço Forte.

O protocolo, admitiu o responsável da Misericórdia, melhorará o problema da falta de médicos de família, mas não irá resolver, alertou, os problemas de saúde dos montijenses, porque é necessário um novo hospital. “(…) este protocolo não é mais que dar uma aspirina a um doente com uma pneumonia”, afirmou José Manuel Braço Forte.

“A Santa Casa da Misericórdia do Montijo [SCMM], na qualidade de senhoria do hospital do Montijo, ao assinar este protocolo de autorização de cedência de um espaço (que está arrendado há já largos anos ao Centro Hospitalar Barreiro Montijo [CHBM] e que está totalmente degradado) para uma Unidade de Saúde Familiar à Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo [ARSLVT] não está a fazer nada mais, nada menos, que a colaborar na melhoria dos problemas existentes por falta de médicos de família para a população do Montijo, sabendo de antemão que este protocolo não vai resolver os problemas de saúde dos montijenses, que continuam a necessitar de um novo hospital”, assumiu o provedor.

Além do alerta, José Manuel Braço Forte, enquanto “neto e filho de aldeanos e como montijense”, lançou um desafio à tutela. “(…) entendo que os senhores responsáveis têm que ter a coragem de dizer à população montijense se vai haver ou não lugar à construção do novo hospital que os montijenses tanto anseiam, uma vez que este protocolo não é mais que dar uma aspirina a um doente com pneumonia”, considerou o provedor, que até foi mais longe ao lembrar que o acordo firmado entre a tutela e o município em 2007 para criação do Centro Hospitalar Barreiro Montijo está ainda por ser integralmente cumprido.

“Gostava também de lembrar que não foi minimamente cumprido o protocolo assinado entre o CHBM e a Câmara Municipal do Montijo, já não falando aquando da retirada do hospital da alçada da SCMM”, vincou, deixando um apelo: “Espero que quem de direito reflicta sobre este problema , para bem dos montijenses.”

Câmara, ARSLVT e CHBM sublinham vantagens

O protocolo rubricado na sexta-feira, pelas 15h00, na sede da Misericórdia do Montijo, entre esta entidade, a ARSLVT e o CHBM, vai permitir criar uma Unidade de Saúde Familiar numa ala desocupada do hospital (no edifício onde antigamente funcionava o serviço de medicina interna), que deverá abrir portas no próximo ano. Representa um investimento de meio milhão de euros por parte da tutela, contará com sete médicos, sete enfermeiros e cinco assistentes técnicos e, segundo a ARSLVT, irá “dar médico de família a cerca de 5 700 utentes que actualmente não o possuem, num total de 13 300 pessoas abrangidas pela unidade”.

Durante a cerimónia, o presidente da Câmara, Nuno Canta, acentuou a mais-valia da criação da Unidade de Saúde Familiar. “Com esta assinatura vamos ter mais um centro de saúde no Montijo e, com isso, pretende-se resolver o problema do excessivo número de famílias montijenses sem médico de família”, afirmou, classificando a medida como “integração vertical dos cuidados de saúde”, o que permitirá “conjugar esforços, servir melhor as pessoas e alargar, substancialmente, o acesso à saúde”.

Opinião idêntica manifestou o presidente da ARSLVT, Luís Pisco, ao salientar que a integração de cuidados “é boa porque permite, no fim de contas, criar um parque de saúde”.

“A ARSLVT compromete-se a adequar e a equipar o espaço, oferecendo melhores condições aos profissionais de saúde, mas sobretudo condições condignas aos utentes”, disse Luís Pisco, adiantando: “O presidente da câmara está, também, de parabéns porque sempre pugnou por esta solução”.

Já o presidente do Conselho de Administração do CHBM, Pedro Lopes, sublinhou que o acordo para criação da Unidade de Saúde Familiar no hospital montijense vem dar resposta a uma necessidade. “A necessidade de servir a população de uma forma integrada e partilhada porque a saúde não tem níveis de cuidados”, defendeu.

Duas dezenas em protesto à porta do hospital à mesma hora

À mesma hora em que era assinado o protocolo entre as três entidades, o Movimento de Utentes de Serviços Públicos (MUSP) realizava uma concentração simbólica junto ao hospital do Montijo. Cerca de duas dezenas ergueram cartazes a defender a construção de um novo hospital público no Montijo e um novo centro de saúde na cidade, a localizar-se fora da unidade hospitalar. A iniciativa contou com a presença dos vereadores Carlos Jorge de Almeida (que usou da palavra) e Ana Baliza, ambos eleitos pela CDU, e João Afonso, eleito pelo PSD/CDS. Durante a iniciativa, foi anunciada uma acção de protesto que irá ter lugar no próximo dia 5 de Maio.

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