Cartazes do arquivo de José Pacheco Pereira em exposição no Barreiro

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A canção de Zeca Afonso, “o que faz falta”, serve de mote para uma exposição de cartazes de protesto do arquivo Ephemera, um espólio único pela primeira vez trazido a público no Barreiro. Esta mostra, com curadoria de José Pacheco Pereira e Helena Sofia Silva, inaugura no próximo dia 24, no Parque Empresarial Baía do Tejo.

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“O Que Faz falta é Agitar a Malta é uma mostra de cartazes contemporâneos, de iniciativa espontânea e natureza artesanal, hoje conservados no arquivo Ephemera, a Biblioteca e Arquivo de José Pacheco Pereira”, anunciou a Baía do Tejo, revelando que este é o primeiro momento de um programa que culminará em 2019, na Porto Design Biennale, com uma exposição mais ampla e documentada sobre artefactos gráficos produzidos no contexto de acções de protesto.

Aproveitando as comemorações dos 44 anos da Revolução dos Cravos, esta exposição assume-se como a primeira iniciativa da parceria estabelecida entre a Baía do Tejo e a Ephemera, que prevê o desenvolvimento regular de actividades culturais, abertas e disponíveis à comunidade.

“Associando simbolicamente o território industrial da Margem Sul, estreitamente ligado à história das lutas operárias, e as comemorações do 25 de Abril, a abertura temporária do armazém ao público representa não só um momento de partilha – de um acervo, de uma actividade, de memória colectiva – como uma chamada à participação no esforço de recolecção destes objectos”, refere a empresa situada no complexo da antiga CUF.

“Como expressões de protesto e resistência, os cartazes que agora se dão a conhecer representam a contribuição do cidadão comum, muitas vezes anónimo, para a vida política e democrática, constituindo-se como documentos de uma história do povo, a ser escrita também a partir deles. Representam a necessidade de dar eco a uma voz, de a inscrever no discurso público, de traduzir uma revolta, de reclamar visibilidade. Representam urgências e intensidades, pelo que muitos deles não são mais do que inscrições tensas e rápidas sobre suportes toscos, improvisados, literalmente recuperados do lixo no rescaldo das manifestações onde se levantaram.

O Que Faz falta é Agitar a Malta é verso de uma canção de intervenção de Zeca Afonso, um dos muitos que se podem ler nos cartazes produzidos pelo colectivo As Toupeiras para homenagear a memória da Revolução de Abril, convocando histórias, personagens e o entusiasmo de tantas outras revoluções que ambicionaram mudar o mundo. Emergindo como as toupeiras, malta agitada tem-se movido contra a austeridade, a desigualdade, a exploração petrolífera, o assédio sexual ou os trágicos incêndios do último verão. E isso faz muita falta”, salientam os curadores José Pacheco Pereira e Helena Sofia Silva, acerca desta exposição.

A mostra, que inaugura na terça-feira pelas 17 horas, vai ficar patente na Rua 48, Armazém 3, do Parque Empresarial Baía do Tejo, até ao próximo dia 30 de Junho.

Com cerca de 200 mil títulos, o arquivo/biblioteca Ephemera tem como objectivo divulgar os espólios, acervos, livros, periódicos, manuscritos, panfletos, fotos e objectos que pertencem ao arquivo pessoal de José Pacheco Pereira, tornando-os acessíveis a todos.

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