Unidade de Saúde Familiar no hospital dá hoje primeiro passo e desperta forte polémica

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Investimento da Administração Regional de Saúde estimado em meio milhão de euros. Processo de instalação da nova unidade, que visa “dar médico de família a 5 700 utentes”, deverá estar concluído em 2019. PCP alerta para o que considera ser o fim do hospital do Montijo.

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A Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), o Centro Hospitalar Barreiro Montijo (CHBM) e a Santa Casa da Misericórdia do Montijo (SCMM) assinam hoje, pelas 15h00, um protocolo que visa a criação de uma Unidade de Saúde Familiar (USF) no hospital montijense. O acordo, que segundo a ARSLVT assenta na “cedência do espaço que vai permitir alojar a futura USF Aldegalega no recinto do Hospital do Montijo”,vai ser rubricado na sede da Misericórdia local.

“Através deste acordo, a Santa Casa, enquanto proprietária do imóvel, concorda com a cedência, a título gratuito, de parte do edifício onde funcionou o serviço de Medicina Interna do Hospital do Montijo. Por sua vez, o Centro Hospitalar Barreiro Montijo, arrendatário do complexo, cede o espaço actualmente desactivado à ARSLVT. O acordo prevê que ali seja instalada a USF Aldegalega, após obras de adaptação e equipamento da unidade, a cargo da ARSLVT. O processo de instalação deverá estar concluído em 2019”, explica a ARSLVT.

De acordo com a mesma entidade, a USF Aldegalega “vai dar médico de família a cerca de 5 700 utentes que actualmente não o possuem, num total de 13 300 pessoas abrangidas pela unidade”. A equipa, adianta a ARSLVT, “será composta por sete médicos, sete enfermeiros e cinco assistentes técnicos”.

Em nota de Imprensa, a Câmara Municipal do Montijo acrescenta que a nova USF representará um investimento de “cerca de meio milhão de euros” por parte da tutela.

O princípio do fim

A concelhia do Montijo do PCP reagiu ontem, em comunicado, começando por lembrar que o protocolo assinado entre a tutela e o município para criação do Centro Hospitalar Barreiro Montijo, em 2007, “nunca foi cumprido, lesando assim as populações dos concelhos de Montijo e Alcochete”.

“Garantiu-se que a unidade hospitalar do Montijo aumentaria o número de valências, utilizaria em pleno os recursos do Centro Hospitalar, deveria manter em funcionamento uma Unidade de Internamento de Medicina, nomeadamente dedicada ao tratamento e reabilitação dos Acidentes Vasculares Cerebrais, desenvolveria actividades do serviço de Medicina Física e Reabilitação, de Patologia Clínica e de Radiologia e, além da cirurgia de ambulatório, designadamente nas especialidades de otorrino, oftalmologia e cirurgia geral iam iniciar-se os esforços no sentido da criação de uma unidade de convalescença no futuro Centro Hospitalar”, recordam os comunistas.

“Foi o que se viu e vê: o Hospital do Montijo perdeu as valências de cirurgia geral e de medicina interna, assim como a urgência médico cirúrgica que detinha. Ganhou apenas a unidade de cirurgia de ambulatório, e uma unidade de retaguarda do serviço de medicina interna do hospital do Barreiro.”

O PCP lembra também que “as ambulâncias VMER e SIV, também prometidas no protocolo, nunca foram vistas”. E aponta baterias aos sucessivos governos. “Não foi por acaso que se deixou degradar o Hospital do Montijo, tal como não foi por acaso que na Assembleia da República, ano após ano, PS e PSD que nos órgãos autárquicos do Montijo juravam a sua adesão à justa reivindicação da construção de um novo hospital público e à revitalização do actual, cada vez que chegavam ao Governo, rejeitavam a inclusão nos Programas de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central, então existentes, de quaisquer verbas para esse efeito, propostas pelo PCP ou pelo PEV.”

A estrutura local comunista critica ainda a actual gestão autárquica socialista do Montijo, considerando que este será “o princípio do fim” do hospital. “Como sempre, novamente o PS local e o seu presidente da Câmara apadrinham esta cerimónia, outro protocolo que será um passo mais no princípio do fim do hospital e da privatização da saúde, bem como uma tentativa mais para adiar a construção de um novo Centro de Saúde que sirva a população residente a norte da Circular Externa do Montijo”, dispara o PCP a finalizar.

 

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