Voluntariado De Mãos Dadas Acácio Veiga promove envelhecimento activo em Setúbal

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São mais de 20 actividades, desde as artes plásticas à informática, passando pelo grupo coral e a ginástica. O objectivo é a ocupação dos tempos livres dos reformados e a concretização de sonhos antigos, que ficaram para trás durante a vida activa

 

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Na sala de computadores, os alunos da aula de informática preparam-se para mais um exercício de edição de texto. Hoje, a tarefa é copiar um poema dedicado à chuva, apesar de o sol espreitar lá fora.

“Eu gosto é destes textos”, diz Maria Carapeto, uma das alunas mais antigas. A costureira, de 67 anos, frequenta as aulas de informática há quatro anos e meio. A doença de Alzheimer da mãe consumiu todas as suas forças e o voluntariado surgiu como um refúgio para os problemas da vida. “Eu estava tão esgotada que sentia que tinha de fazer qualquer coisa fora de casa que nunca tivesse feito”, explicou ao DIÁRIO DA REGIÃO. Reticente ao início, e por não se interessar por pintura ou trabalhos manuais, optou pela informática. “A informática sempre foi coisa que nunca me senti atraída, tinha até um certo medo de mexer nestas coisas e achava que para mim não interessava, mas depois mudei de ideias”, acrescentou.

Maria considera que a chave para um envelhecimento activo e saudável está na ocupação dos tempos livres dos seniores com diversas actividades, que “mexam com o corpo e a alma” e criem rotinas semelhantes às do trabalho. “Eu acho que as pessoas devem ocupar os seus tempos livres, porque senão ficamos tontinhas a olhar para as paredes. Depois vamos limpar o pó todos os dias, o pó faz falta. Tem que haver uma rotina do que é habitual, mas depois temos que fugir a essa rotina com outra rotina, que é esta”, afirmou.

Foi também pela rotina e convívio que há dois meses Joaquim Cruz se inscreveu juntamente com um amigo na informática e na dança. Depois de ter tido um pequeno AVC, o ex-soldador, de 64 anos, passou a encarar a vida de outra forma. “Costumava andar nos cafés e fumar o meu cigarrinho, mas o médico proibiu-me e então senti necessidade de fazer alguma coisa”.

Apesar de frequentar as aulas há pouco tempo sente-se “em família” e completamente entrosado com os colegas. “Nós vamos às colectividades, encontramos jovens e sentimo-nos um bocado deslocados. Aqui é melhor, porque estou só com pessoal das minhas idades e sempre estamos distraídos”.

O Voluntariado de Mãos Dadas Acácio Veiga começou há nove anos, numa primeira fase, com sessões de apoio ao preenchimento dos impressos do IRS. A iniciativa partiu de Acácio Veiga quando o ex-militar, de 64 anos, passou à reserva e sentiu necessidade de também ele ocupar os seus tempos livres. “Depois de uma vida activa, uma pessoa vê-se sem fazer nada e é muito complicado”, afirmou.

Rapidamente, o IRS estendeu-se à informática, alfabetização e artes plásticas. Actualmente são perto de 20 as actividades oferecidas aos mais idosos, designadamente alfabetização, arraiolos, artes criativas, artes plásticas, cultura geral, dança, fitas, linhas e bordados, flauta, cavaquinho, fotografia, grupo coral, informática, inglês, medição de tensão arterial, pilates, reabilitação física, teatro, iniciação à poesia, entre outros.

Em declarações ao DIÁRIO DA REGIÃO, Acácio Veiga explicou que o objectivo do grupo de voluntariado é “a ocupação dos tempos livres das pessoas que trabalharam toda a vida, reformados ou desempregados, que nunca tiveram oportunidade de concretizar o seu sonho”, daí o lema “Nunca Desistas de Sonhar”.

Para o fundador e coordenador do Voluntariado de Mãos Dadas Acácio Veiga, o carinho e a amizade que se recebe é muito mais do que aquilo que dá. “Eu dou uma mão cheia de nada e recebo uma mão cheia de gente. Há dias que saio daqui e parece que vou a voar”, confidenciou visivelmente emocionado.

Todas as actividades são asseguradas por um corpo de formadores voluntários, que apoiam os mais de 150 idosos, como é o caso de Albino Santos. O ex-gráfico profissional, auxilia no ensino da informática há oito anos e mostra-se satisfeito com a tarefa. “Dá-me um certo gozo ensinar as pessoas. Hoje em dia, a tecnologia faz falta a toda a gente, porque o papel vai desaparecer e todo o mundo vai ter de usar um computador. Por isso, todos devem saber pelo menos o Word”.

Sem apoios do Estado e da autarquia, o Voluntariado De Mãos Dadas Acácio Veiga vive dos donativos dos utentes. A partir do próximo dia 21 de Maio vai integrar o Centro Social Paroquial D. Manuel Martins, entidade fundadora da Universidade Popular Empenho e Arte.

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