Casa do Largo em Setúbal mostra 70 mil beatas em obras de arte

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A artista plástica Ana Quintino ao lado da obra "Esqueleto doura perdura contamina", feita de beatas e arame.

Um conjunto de esculturas e telas criadas pela artista plástica setubalense Ana Quintino com 70 mil beatas de cigarro, apanhadas na cidade e nas praias por voluntários da Feel4Planet, dá forma à exposição “Beata no chão, no mar, na areia: uma perigosa viagem”, aberta ao público no auditório da Casa do Largo – Pousada da Juventude até dia 23 de Abril com entrada livre

 

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A exposição “Beata no chão, no mar, na areia: uma perigosa viagem”, composta por peças da autoria de Ana Quintino, expõe artisticamente as 74.658 beatas que os voluntários da Feel4Planet recolheram até hoje (ao longo de nove acções de limpeza decorridas em 2017 e duas este ano) com o objetivo de sensibilizar “o público para as questões do lixo marinho e urbano e o perigo que estas representam para o meio ambiente”.

Ana Quintino, artista plástica de 28 anos natural de Setúbal, utilizou 53 mil beatas para criar oito peças escultóricas e três telas inspiradas no ambiente marinho. “A associação ao tema do mar foi muito natural. Sempre adorei água”, contou a artista ao DIÁRIO DA REGIÃO, revelando que não hesitou em responder afirmativamente ao convite da Feel4Planet para participar na exposição com o propósito de reforçar a problemática das beatas e do mau hábito de as atirar para o chão.

“Tendo em conta que a Feel4Planet faz acções de limpeza nas praias, pensámos como podíamos criar um espaço coeso”. A exposição inclui tanto esculturas facilmente reconhecíveis – caso de um caranguejo, algas marinhas e até um polvo – como peças de cariz mais abstrato. A decisão de fazer as esculturas abstratas todas de maneira diferente permitiu “mostrar as várias facetas de utilização de um objecto”, neste caso as pontas de cigarro, sendo que na peça “Esqueleto doura perdura contamina” consegue ver-se inclusive parte do plástico que compõe as beatas.

A exposição é composta por oito esculturas e três telas feitas com beatas.

Ana Quintino pintou também três telas abstratas, seguindo a linha artística que a define profissionalmente, sempre com a atenção de deixar as beatas visíveis a olho nu. Durante o processo, além de ter de utilizar máscaras e luvas para manusear as beatas devido ao seu odor intenso e risco tóxico, reparou que “as beatas recolhidas em praia estão muito mais degradadas e têm um cheiro diferente, enquanto as recolhidas em cidade estão rijas e cheiram ainda aos tóxicos”.

Ao ter oportunidade de expor em parceria com a Feel4Planet sobre esta temática, a artista setubalense licenciada em Artes Plásticas na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha afirma também o que pensa sobre o assunto da sustentabilidade ambiental: “este problema não é só importante, significa a nossa sobrevivência como raça humana”. A preocupação com um futuro “negro” surge retratada na recriação de um fundo marinho com animais e algas feitos de beatas.

A informação científica sobre os constituintes das beatas de cigarro e dos perigos que representam para o meio ambiente urbano e marinho acompanha, de resto, toda a exposição em várias infografias. “É aliar a educação e consciencialização ambiental à arte”, resume numa frase Carolina Nunes, co-fundadora da Feel4Planet em conjunto com Vânia Silva, Márcia Batista e Mafalda Custódio.

O grupo informal, dedicado à protecção ambiental e responsabilidade social, recolheu até hoje um total de 74.658 beatas, fruto de 11 acções de limpeza da campanha #STBSEMPONTAS em áreas urbanas e praias, em que participaram um total de 188 voluntários, ao longo de 13 horas. O número de beatas corresponde a cerca de 3733 maços de tabaco, segundo contas da organização, e equivale a 10 minutos de beatas atiradas para o chão em Portugal, tendo em conta uma estimativa da Associação Portugal sem Beatas que indica que no nosso país são atiradas sete mil beatas para o chão a cada minuto.

A exposição “Beata no chão, no mar, na areia: uma perigosa viagem”, inaugurada no mês em que a Feel4Planet comemora um ano de existência (ver caixa), vai estar aberta ao público até ao dia 23 de Abril, de forma gratuita, no auditório da Casa do Largo – Pousada da Juventude, contando com o apoio do Gabinete da Juventude da Câmara Municipal de Setúbal. A ideia é levá-la depois a outros locais da cidade.

A artista Ana Quintino (à esq.) e Carolina Nunes e Vânia Silva em representação da Feel4Planet.

 

Feel4Planet comemora um ano com limpeza e debate dia 14

A Feel4Planet vai comemorar um ano de actividade no próximo dia 14 de Abril, sábado, com um programa especial para todos os interessados e voluntários. Uma limpeza urbana na Avenida Luísa Todi (das 10h às 12h), seguida de um almoço-convívio na Casa da Baía (às 12h30) e do debate “Onde para o lixo?” (a partir das 15h), com participação de convidados como a Associação Bandeira Azul da Europa, Surfrider Foundation e Clube da Arrábida e ainda uma visita guiada à exposição são as actividades anunciadas. Os interessados em participar devem inscrever-se no evento gratuito “Feel4Planet – O planeta é a nossa casa” criado pelo grupo no Facebook.

 

Fotografias: Diário da Região
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