Empresa de capital francês aguarda há um ano pedido de expansão de terrenos

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(c) HN

 

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Um empresário francês que, há cerca de dez anos, investiu no concelho de Santiago do Cacém na produção de babyleafs ( pequenas folhas) queixa-se da falta de interesse das entidades em responder aos sucessivos pedidos de expansão dos terrenos para aumentar a produção no setor agrícola.

Tudo começou em 2015 quando a empresa, de capital francês, ‘Jardins da Lagoa’ decidiu apostar no cultivo de pequenos legumes, um nicho de mercado que se revelou um sucesso no norte da Europa e que levou o empresário a necessitar de aumentar o volume de produção. “Já não temos mais espaço, porque o ano passado crescemos 35 hectares, estamos muito perto das habitações e isso já não é viável. Precisamos de mais terra para produzir mas não é em Évora, é aqui nesta zona ou perto”, queixa-se Stephane Kerdiles, administrador da empresa sediada em Brescos, Santo André.

A procura por novos terrenos já dura há um ano e apesar das tentativas o produtor continua sem respostas. “O histórico aqui em Santo André confirma que esta é a zona apropriada para a nossa produção em termos de clima e de solo e é aqui que queremos continuar. À nossa volta há terrenos potencialmente interessantes, a sul de Vila Nova de Santo André e Sines, mas apesar das tentativas, inclusive do presidente da Câmara de Santiago do Cacém junto das autoridades, teoricamente, responsáveis, continuamos sem saber a quem podemos arrendar a terra que entretanto já devia estar a produzir”, lamenta o produtor que admite a possibilidade de “ir um bocadinho mais longe” e “pensar numa logística para transportar o produto do campo para a fábrica” que também necessita de “mais espaço coberto”.

O desespero do empresário é confirmado pelo presidente da Câmara de Santiago do Cacém, Álvaro Beijinha que, quando abordado pelo gestor da empresa, sugeriu os terrenos do Estado, expropriados pelo ex-Gabinete da Área de Sines, a sul de Santo André. “Procuramos junto da Direção Geral do Tesouro discutir e apresentar as propostas da empresa que se mostrou interessada nesses terrenos, uma vez que a Câmara não tem terrenos para arrendar ou vender mas, apesar da insistência, nunca fomos recebidos”, sublinhou.

Entretanto, a Câmara de Santiago do Cacém contactou a Secretaria de Estado do Tesouro, solicitando uma reunião com caráter de urgência, que “acabou por não acontecer”, acrescentou o autarca que viu, recentemente, o seu pedido ser atendido. “Fomos informados que o sub-diretor geral da Direção Geral do Património vai deslocar-se a Santiago do Cacém para ver os terrenos e reunir com o empresário”, adiantou.

Stephane Kerdiles tem acompanhado a situação e perante a ausência de soluções começa a temer o pior para a empresa, que fatura 4 milhões de euros e tem um crescimento superior a 20 por cento/ano. “A produção tem de ser fornecida neste mercado e alguém tem de o fazer. Nós iniciamos mas, se não acompanhar o crescimento, alguém o vai fazer e aí quem perde é a empresa”.

Perante este impasse, o empresário pondera deslocalizar a empresa para concelhos vizinhos. “Começamos a ver terrenos no concelho de Grândola onde já adquirimos 20 hectares na Herdade da Comporta para iniciar experiências. Em ultimo caso, avançamos para Grândola mas era muito preferível ficar em Santiago do Cacém, já que criamos um núcleo nesta zona. Não podemos parar mas já nem sei onde vou meter as sementeiras”, concluiu. 

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