Teatro Fontenova sem apoio financeiro da Direcção-Geral das Artes avança com recurso

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José Maria Dias, director artístico, diz que a companhia poderia vir a encaixar mais de 200 mil euros em dois anos. E lembra que estruturas com pior classificação estão contempladas por pertencerem à região Norte

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O Teatro Estúdio Fontenova, de Setúbal, voltou a ficar de fora do lote das estruturas que deverão vir a receber apoio estatal, segundo os resultados provisórios do Concurso ao Programa de Apoio Sustentado 2018-2021 da Direcção Geral das Artes (DGArtes). A companhia vai “interpor recurso, através da audiência de interessados, dentro de 10 dias”, confirmou ao DIÁRIO DA REGIÃO José Maria Dias, director artístico do Teatro Estúdio Fontenova.

José Maria Dias

Segundo o responsável, a confirmar-se a decisão, a companhia poderá deixar de encaixar em dois anos qualquer coisa como 217 mil euros. “Se fossemos apoiados, teríamos acesso a uma verba de 110 mil euros em 2018 e a outra de 107 mil em 2019”, disse José Maria Dias, salientando que outras estruturas que até tiveram classificação inferior à do Teatro Estúdio Fontenova são apoiadas, tendo em conta os resultados provisórios, por pertencerem a outra região, à região Norte.

“Como Setúbal faz parte da região de Lisboa e Vale do Tejo, que tem as companhias mais elegíveis, mais apoiadas, algumas na ordem de mais de um milhão de euros, fica de fora. Acaba sempre tudo por ser canalizado para as companhias de Lisboa, apesar de este ano não ter sido assim tão linear”, explicou, reforçando que este é o reflexo da “fraca visibilidade que Setúbal tem na região de Lisboa, por estar na periferia”.

Em comunicado, o Teatro Estúdio Fontenova já havia manifestado indignação pelos resultados provisórios agora conhecidos. “Iremos lutar contra a ignomínia que mais uma vez se abate sobre nós, que não fomos contemplados para apoio, apesar de elegíveis para tal e do projecto ter sido considerado ‘bom’. Esta miséria a que nos deixam não pode continuar a ser a prática, exigimos um mínimo de dignidade e respeito para todos os que trabalham na criação artística”, pode ler-se na nota enviada ao DIÁRIO DA REGIÃO.

O director artístico lembra que o peso do apoio estatal é sempre muito significativo. “O nosso orçamento por ano é pouco mais de 50 mil euros”, justifica, realçando que a companhia, se fosse contemplada, poderia ter três ou quatro funcionários a tempo inteiro e que assim apenas poderá contar com apenas um.

José Maria Dias sublinha também que só por uma vez o Teatro Estúdio Fontenova foi contemplado com apoios da DGArtes, apesar de apresentar candidaturas desde há 10 anos. Mas o apoio foi consignado a um evento. “Foi em 2014 e com uma verba de 25 mil euros apenas destinada ao Festival Internacional de Teatro de Setúbal, mas [com verbas] para a companhia nunca fomos”, avançou.

A companhia vai, assim, contando com os preciosos apoios da “Câmara Municipal de Setúbal, da Fundação Buehler-Brockhaus, da União de Freguesias de Setúbal” e este ano também com “a Lisnave”, além dos apoios logísticos da Escola Secundária Sebastião da Gama e do Inatel. “É com estes que temos feito o Festival Internacional de Teatro de Setúbal, mas um plano B do festival que idealizamos. Um plano A do evento, que gostaríamos sempre de concretizar, apenas conseguimos realizar em 2014, quando tivemos o apoio estatal”, aponta o director artístico, concluindo que o que está em causa “é o orçamento da tutela para a Cultura”.

Câmara envia protesto à DGArtes

O Teatro Estúdio Fontenova não foi, porém, a única estrutura de Setúbal a ficar de fora do lote das contempladas nos resultados provisórios, situação que motivou uma reacção do município. A Câmara Municipal de Setúbal anunciou que apresentou ontem “um protesto junto da directora-geral das Artes pela exclusão das companhias de teatro do concelho do financiamento decorrente do concurso Programa de Apoio Sustentado 2018-2020”.

A autarquia revela que, em ofício assinado pela presidente, Maria das Dores Meira, apresentou “o seu protesto”, demonstrando “total indignação” pelo facto de “mais uma vez” as companhias teatrais de Setúbal se terem visto excluídas do apoio estatal.
“’É com total inconformismo que recebemos os resultados do concurso e queremos, desde já, manifestar solidariedade com todas as estruturas que ficaram excluídas deste apoio’, refere a missiva enviada à directora-geral das Artes, Paula Varanda”, indica a autarquia, acrescentando: “Assumimos o compromisso de tudo fazermos para, no que ainda for possível, reverter esta situação.”

Ao mesmo tempo a Câmara Municipal realça que as companhias de teatro “cumprem importante papel na criação individual e colectiva” ao proporcionarem “bens culturais essenciais a uma vivência mais rica e estimulante”, o que torna “fundamental os apoios que recebem do Estado”.

“O quadro de precariedade que caracteriza a actividade destas associações culturais é recordado no ofício da autarquia, em particular a situação vivida por actores e actrizes, que, ‘todos os dias, batalham pela sobrevivência’ e que, ‘tantas vezes, se transcendem ao fazerem tanto com o pouco que recebem’”, vinca a edilidade a terminar.

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