A festa das flores

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Há tanta gente que gosta de dançar.
E quem não gosta, gosta com certeza de ver dançar.
Porque cada homem é a sua dança. Sem dança, a humanidade esgota-se na sua rotina diária.
Pois a dança é a excelência do indivíduo a unir-se. Para se ligar ao som musical, vivenciar o seu corpo, comunicar, sociabilizar, descomprimir…
E as flores são tão ou mais sensíveis ao movimento no ar, ao toque. Dançam com a brisa, perfumando-a.
Será que tudo o que é vivo é dançável?
Dançar não apenas com a chuva, com flores, com as andorinhas… a celebrar, a brincar, a evocar…a balancear…
Até o fado é dançável.
Todos são dias bons para dançar, festejar…consoante a vontade e o tempo para tal.
Festejar a poesia. Num bom e vivo propósito de acordar para a vida.
A poesia numa festa da criação, da libertação, da partilha. Em dança corporal. O corpo, as palavras. A alma, o sentido. Uma dança de palavras, de significados, de vozes, de autores, de intenções, de sentimentos..
Poesia melancólica ou sonhadora. Simples ou erudita. Natalícia ou lúgubre. Sempre dançável. Com ritmo. Com perfume e cor. Palavras da mente, audíveis na fala, sonhadas no canto e no coração.
Ritmo que embala o berço ou anima o largo citadino. Desperta na oratória da capelinha ou alegra no adro da igreja.
A dança é a poesia a comemorar-se.
A dança da Poesia tem uma genealogia à cabeça: a Primavera, a Natureza e a Palavra.
Numa dança das flores que acontece todo ano. Em diferentes partes do planeta.
Flores de Primavera. Flores de Verão. Flores de Outono. Flores de Inverno.
Flores que nascem loucamente no período fértil da Natureza. No calendário reprodutivo da sua terra. Na dança natalícia da numerosa descendência da sua Mãe-Natureza.
E tudo o que é pequenino é mais gracioso e comovente.
Flores que não só femininas e frágeis. São também masculinas na sua determinação.
Que o vento conhece na sua resiliência. E sabe que precisam da dança livre para chegar ao momento final do parto: o fruto.
Então oferecem as suas pétalas que esvoaçam, prematuramente ou não, para a transformação em húmus o colo da sua progenitora Terra-Mãe.
Vivamos estes ciclos com humanidade natural e saudável.
Sintamos e coabitemos. Sem cegueiras nem egoísmos de pé leve.

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