O Assobiador de bons ouvidos

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Recuar a Janeiro de 2001 e em plena aldeia de Águas de Moura – só pela força de um robusto velhote, o “Assobiador”.

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A “Árvore Europeia de 2018” só obriga a quem se sente obrigado a recordar que um só dos candidatos concorrentes à Presidência da República nesse mesmo ano correspondeu ao convite de plantar simbolicamente um pinheiro (se bem nos recordamos) no terreno onde tardava a construção do Quartel dos Bombeiros Voluntários de Águas de Moura: o candidato do PCP, António Abreu, que foi a votos. Ou que igualmente foi a votos, porque na evolução de uma campanha onde a decisão em sede partidária deste desfecho resultou em grande parte da continuada ponderação sobre os vários sinais que os militantes e o eleitorado iam dando, pesou particularmente, a par e passo com o valor intrínseco do seu projecto e propostas para os graves problemas que já então afectavam o país em resultado da politica de direita, o desacordo claramente manifesto do povo português em relação ao comprometimento do Presidente da República Jorge Sampaio, então a terminar o seu primeiro mandato, com a intervenção militar da NATO, a OTAN salazarista, na Jugoslávia ao arrepio da Carta das Nações Unidas e do direito internacional, sob a estratégia dos Estados Unidos. De que foi exemplo o momento, a muito poucos dias do acto eleitoral, em que na acção de divulgação de uma sessão de esclarecimento sobre esta matéria com a jornalista Anabela Fino, em Palmela, alguém recebedor da tarjeta incitou a brigada do PCP: “Vocês são diferentes, vocês têm que ir a votos!”.

Havia também a consciência progressiva de que Portugal não era imune aos efeitos da problemática do urânio empobrecido, um sobressalto nacional que trouxe a guerra para a porta de cada uma das nossas casas, honra feita ao General Pezarat Correia, a dar a cara combatendo-a. Mas a candidatura de António Abreu infelizmente teve como sobrecarga outra trave-mestra, uma realidade que antes era ainda difusa: os subúrbios de grandes capitais e cidades europeias estavam atravessados por confrontos que tinham essencialmente origem no facto – tendo por referência Paris – de 50% dos seus habitantes serem jovens com menos de 30 anos e na sua grande maioria desempregados, sendo que as distâncias a salvaguardar em relação às nossas Áreas Metropolitanas estabeleciam-se com se estabelecem numa evidência histórica a servir, de certo modo, de confiança partilhada: por cá houve um 25 de Abril para o qual se complementaram e convergiram a resistência antifascista dos portugueses e a luta pela independência e soberania dos povos colonizados!

O “Assobiador” de bons ouvidos distinguia outros assobios, que não só os dos pássaros encantadores. Talvez na pausa do corte da cortiça, mas porque não enquanto esta se cortava às talhadas?, os assobios, montado a montado, preveniam do inimigo que rondava como concentravam trabalhadores: resistir e lutar contra os latifúndios, cuidar. “Cuidar da Revolução dos Cravos, está para chegar!”

 

 

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