Esqueceram-se que somos irmãos?

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A televisão, os jornais e a internet mostram diariamente a chacina de crianças na Síria. Fica-se horrorizado, revoltado, com a alma a sangrar.

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Não sei se aquelas crianças são cristãs, católicas, muçulmanas; sei que são crianças. Não sei se são ricas, pobres, remediadas; sei que são crianças. Não sei se são filhas de apoiantes do Daesh; sei que são crianças. Não sei quem são; sei que são crianças; sei que vejo corpinhos tão pequeninos a sofrer, a chorar, abandonados. Sei que vejo pais com filhos ao colo a sangrar, a gritar, a sofrer; pais com filhos mortos nos braços. Não sei quem tem razão, melhor sei que ninguém pode ter razão para matar, já que a vida humana é sagrada! Sei que perante a irracionalidade dos homens mais poderosos, como Putin e Trump, tudo pode acontecer; hoje outros, amanhã nós. Sei que aquelas crianças têm a altura, a idade, o rosto inocente dos meus netos!

Ser criança não pode ser sinónimo de dor, de abandono, de fome.  Estas crianças crescerão ouvindo bombas a rebentar, mesmo que vivam numa cidade em paz; sonharão com corpos mortos, decepados, moribundos, como viram à sua volta os corpos do pai, da mãe, dos irmãos, dos amigos, dos vizinhos. As crianças sírias serão homens, mulheres, revoltados com o mundo, porque o mundo as abandonou; não acreditarão em ninguém, porque ninguém lhes salvou o pai, a mãe, os irmãos. Quando vejo e ouço, homens e mulheres sírios a responsabilizar a Rússia, a responsabilizar os E.U.A. pela tragédia humana que está a acontecer na sua terra, vejo algumas das crianças sírias, quando adultas, prontas para se fazer explodir em qualquer centro comercial.  E vejo mais crianças a sofrer, a morrer, obviamente, inocentes!

Perante as cenas de horror o que podem os defensores da paz, dos Direitos Humanos, dos Direitos das Crianças, fazer? Protestar, protestar, protestar. Mas não basta! É preciso educar os nossos filhos, os nossos netos para a paz, para a solidariedade, para os Direitos Humanos. Assim, cada um deles será, amanhã, um defensor da paz, praticará a solidariedade, defenderá os Direitos Humanos, não aceitará presenciar crimes como os que estão a ser cometidos na Síria.

Entretanto, perante a impiedade dos homens negociantes de armas, destruidores de sonhos; perante a indiferença de políticos que sonham refazer impérios à custa da morte de crianças; perante a maldade de chefes de governos que querem aproveitar o contexto de guerra para destruir outros povos , perante a insensatez daqueles que pedem a Deus para matar o inimigo, como se o inimigo não fosse um ser humano irmão, relembremos  que Jesus Cristo afirmou: «Amai-vos uns aos outros como eu vos amei»; «Todos são filhos de Deus». Somos todos Irmãos! – das crianças sírias, de todas as crianças do mundo.

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6 COMENTÁRIOS

  1. Eu queria que você fosse um general sírio que visse a população de sua cidade, Damasco, sendo atingida pelos foguetes vindos de Goutha Oriental. Eu apostaria a minha vida que, no lugar dele, você também ordenaria o bombardeio de Goutha, mesmo se assim fosse inevitável matar centenas de crianças que aqui, longe daquele local, você critica de forma tão irresponsável e leviana. Conselho: enxergue sob a ótica de ambas as partes.

    • Boa noite. Obviamente numa guerra «Ambas as partes» são responsáveis e as crianças sírias, infelizmente, tanto são mortas em Damasco como em Goutha Oriental. Não consigo detetar a« irresponsabilidade e a leviandade». Não consigo compreender como retirou uma ilação de imparcialidade do artigo. Cordiais cumprimentos.

      • Corrijo: não consigo compreender como retirou uma ilação de parcialidade do artigo

  2. Quando um segundo artigo a falar das crianças mortas no Yemen pelos bombardeamentos sauditas com apoio americano? Ou das crianças assassinadas e violadas pelas tropas do Sri Lanka? Porquê que a comunicação social só nos fala nas crianças sírias e omite imagens e notícias sobre o massacre de crianças yemitas? Porque é que a comunicação social só apresenta imagens de crianças sírias atingidas pelo bombardeamento da aviação síria e não mostra igualmente imagens das crianças atingidas pela artilharia e pelos disparos de misseis oriundos das zonas ocupadas pelos rebeldes? Não são também crianças?

    • Boa tarde. Se ler o artigo atentamente, concluirá que se referem as crianças sírias em geral, logo vitimas dos dois lados! Cordiais cumprimentos

  3. Eu queria ver se você fosse um homem sírio e visse a cidade onde sempre viveu ser atingida por foguetes (a origem, para o caso, nada importa), o seu lar destruído e a família morta. Com certeza, não seria da cruel opinião de que a morte de civis, nomeadamente, crianças é “inevitável” e, aparentemente, desculpável. Conselho: avalie a situação sob a óptica de quem sofre por uma guerra que não é sua.

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