António Costa diz que ferrovia Évora-Elvas abre à Europa a porta do Porto de Sines

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Lançamento do concurso para a ligação ferroviária realizou-se hoje em Elvas. Obra é para iniciar até Março de 2019 e terá um custo de 509 milhões de euros. Chegou a hora de apostar no investimento público

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O primeiro-ministro, António Costa, salientou hoje que o investimento na futura ligação ferroviária Évora-Elvas é “simbólico do momento que se vive na economia portuguesa” e destacou as vantagens que esta linha trará para o País com ligações mais rápidas 03h30, com custos 30% mais baixos para quem for operar nos portos de Sines, Setúbal e Lisboa, encurtando distâncias em 140 quilómetros. “Esta obra vai reforçar a nossa competitividade”, disse António Costa, sublinhando que este investimento abre a “porta à Europa” do “porto de águas profundas” de Sines.

O chefe do Governo português falava na cerimónia do lançamento do concurso para a ligação ferroviária entre Évora e Elvas, que decorreu ao final da manhã no Museu de Arte Contemporânea de Elvas. A obra deverá iniciar-se em Março de 2019 e terá um custo de 509 milhões de euros, quase metade provenientes de fundos europeus.

Perante o chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy, António Costa lembrou que Portugal virou a página da crise ao registar o maior crescimento económico dos últimos 10 anos, em 2017, e o défice mais baixo em 43 anos de democracia. As obras na ferrovia, permitindo a ligação do porto de Sines e Lisboa à fronteira espanhola, são importantes para a Europa e para a Península Ibérica, mas também para Portugal.

“É também simbólico do novo momento que vive a economia portuguesa. Vivemos anos de dura crise, conseguimos virar essa página”, afirmou o primeiro-ministro, estimando num “aumento de 40%” do investimento público em 2018.

António Costa afirmou que “chegou a hora de, em primeiro lugar, apostar também no investimento público e, sem segundo lugar, com o investimento público, ajudar a sustentar este crescimento económico que tem estado assente, sobretudo, no investimento privado e nas exportações”.

“É um investimento que contribui simultaneamente para melhores condições para o investimento privado, para internacionalização e para exportação dos nossos produtos e serviços”, salientou.

Símbolos e investimento

O chefe do Governo espera resultados e efeitos deste “investimento público” que contribua “não só para o crescimento, mas que ajude os investidores a investir, as empresas a exportar e as pessoas a poderem ter mais e melhor emprego”.

Para este ano, e depois de um aumento que disse ter sido de 20% no investimento público em 2017, António Costa espera que este ano o aumento de 40% se reflicta positivamente, nos “investimentos em saúde, educação e infra-estruturas”, para “aumentar a produtividade” da economia “mas também a capacidade de exportar cada vez mais”.

Num discurso em se referiu a vários “simbolismos”, entre eles o do projecto europeu de solidariedade, que a obra pode representar, António Costa aludiu também ao facto de Elvas, cidade a 10 quilómetros da fronteira espanhola, poder vir a conhecer nova história.

“Elvas foi um símbolo “de separação entre Portugal e Espanha e, com este projecto, passa a unir o que separou no passado, o que é também uma marca da União Europeia, unir o que a história separou”, disse.

Já o ministro do Planeamento e das Infra-estruturas, Pedro Marques, considerou este “um dia histórico” para Portugal. “Um dia histórico em que assinalamos o arranque da fase de construção da linha ferroviária entre Évora e a fronteira. É um dia histórico para a Europa e para a consolidação da rede transeuropeia de transportes, um dia histórico para a Península Ibérica e para o reforço de ligações entre os nossos dois países”, sublinhou. Para o governante, trata-se também de “um dia histórico” para o País, uma vez que marca o arranque da “maior obra de linha nova dos últimos cem anos” na ferrovia portuguesa.

A obra de construção da nova linha entre Évora e Elvas, com cerca de cem quilómetros de extensão, deverá iniciar-se até Março de 2019 e a conclusão está programada para o primeiro trimestre de 2022, num custo de 509 milhões de euros (quase metade provenientes de fundos europeus), segundo o Ministério do Planeamento e das Infra-estruturas.

Antes do lançamento do concurso, decorreu na estação de Elvas uma cerimónia simbólica, que assinalou o início da empreitada de modernização do troço Elvas-Caia. Este troço de 11 quilómetros, chamado ‘missing link’, faz parte do corredor internacional sul, que ligará o Porto de Sines até à fronteira com Espanha.

Costa e Mariano Rajoy saudados por populares

Esta ferrovia da linha atlântica, entre Évora e a fronteira de Caia (Elvas), que, ao todo custará, nos próximos anos, mais de 500 milhões de euros, permitirá ligar os dois países por comboio, tendo em vista, especialmente, as mercadorias, o que explica a presença em Elvas do chefe do Governo espanhol, Mariano Rajoy. Depois da cerimónia, os dois chefes de Governo saíram à rua, foram saudados por alguns populares, Costa até foi cumprimentar algumas pessoas, e seguiram para um almoço em Elvas, no Forte da Graça.

DIÁRIO DA REGIÃO com Lusa

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