Canha luta contra desertificação

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Questão foi apresentada por João Afonso, vereador do PSD/CDS, com críticas aos socialistas. Presidente da Câmara diz que solução passa por investimento com criação de emprego e considera essencial que o município possa vir a utilizar a Herdade Gil Vaz

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Canha é a única freguesia do concelho do Montijo que tem vindo a perder população ao longo dos anos e corre sérios riscos. A questão foi levantada pelo vereador eleito pela coligação PSD/CDS, João Afonso, antes do período da ordem do dia, na reunião pública do executivo camarário, na última quarta-feira.

A maior freguesia do concelho, com mais de 207 Km2 de área, apresenta uma população envelhecida e reduzida, e não obstante todo o histórico que carrega – foi sede do concelho entre 1172 e 1836 – bem como as mais-valias que detém no domínio agroflorestal, por exemplo, tem vindo a passar por um processo de (pode dizer-se) desertificação.

“Tem estado a perder população nos últimos 20 anos. [Neste período] perdeu-se um quarto da população. A continuar assim, nos próximos 10 anos perderá capacidade para se auto-gerir. Isto deveria merecer particular atenção do executivo”, começou por dizer o vereador da coligação, que apontou críticas aos sucessivos executivos socialistas neste processo.

“O Plano Director Municipal está há mais de 10 anos em revisão, o que seria muito importante para alavancar a valorização do território”, considerou João Afonso, adiantando que “falta pensamento estratégico na Câmara Municipal” para inverter a situação.

“Que legado quer o PS deixar para Canha. O que é que estamos dispostos a fazer para salvar da morte a freguesia de Canha?”, questionou, vincando que assim não haverá “possibilidade de manter a vila”.

O autarca eleito pelo PSD/CDS voltou a não poupar a actuação do presidente da Câmara e disparou: “O senhor tem de deixar de ser o médico que dá eutanásia assistida a Canha.”

Herdade Gil Vaz pode ser solução

“Não há aqui nenhuma morte assistida”, retorquiu mais à frente o presidente da autarquia. Nuno Canta lembrou que a preocupação manifestada pelo social-democrata é comum a todos os partidos, realçou alguns investimentos realizados na freguesia e apontou um dos factores determinantes para melhorar o desenvolvimento na vila.

“A utilização e valorização da Herdade Gil Vaz permitiria a fixação de investimento público, criando emprego. É uma situação que está a ser trabalhada e nos próximos meses teremos aí o anúncio de como iremos tratar da herdade”, revelou o socialista, reforçando: “A ideia é podermos utilizar essa herdade, que está entregue ao Ministério das Finanças, como serviço público. Não baixamos os braços, vamos continuar a lutar pela Herdade Gil Vaz que é fundamental para a revitalização de Canha.”

Na perspectiva de Nuno Canta, a condição “essencial” para revitalizar a vila passa pela criação de postos de trabalho. “É preciso emprego. Canha precisa de investimento, público e privado, para a criação de emprego para assim fixar população jovem”, considerou.

“Temos feito muita coisa, como falar com a Agência de Investimento. Reuni várias vezes com Miguel Frasquilho, do seu partido, para que algum investimento internacional pudesse ser localizado em Canha, que tem vários hectares de zona industrial”, lembrou.

Já o vereador Nuno Catarino, da CDU, aproveitou a oportunidade e comentou: “Só não percebo porque não fica do lado de quem defende o aeroporto para Canha [solução defendida pela CDU, que o PS chegou a perfilhar].”

“Não é sério esse comentário”, rematou Nuno Canta, escusando-se a relembrar o histórico do processo do investimento aeroportuário para o concelho.

Câmara atribuiu cerca de 46 mil euros aos bombeiros do Montijo e à Casa do Povo de Canha

Durante a reunião, o executivo aprovou, por unanimidade, a atribuição de apoios financeiros à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Montijo e à Casa do Povo de Canha, num valor total de 45 mil 987 euros.

Foi aprovado um apoio financeiro de 42 858,98 euros para uma ambulância de socorro não urgente para transporte de doentes para os Bombeiros Voluntários do Montijo. “Este apoio financeiro aos Bombeiros Voluntários do Montijo junta-se ao apoio de 59 004,90 euros, concedido na reunião de câmara de 13 de Setembro de 2017, que serviu para a aquisição de uma ambulância de socorro urgente medicalizada”, lembra a autarquia.

Os dois veículos, que já estão ao serviço da corporação, foram oficialmente inaugurados na cerimónia do 109.º aniversário dos bombeiros, no passado dia 28.

Já a Casa do Povo de Canha vai receber um apoio de 3 128,51 euros “para comparticipação nas despesas realizadas com a colocação de um toldo no Centro de Actividade e Tempos Livre e de um novo pavimento no recreio da creche e pré-escolar” da instituição.

Voto de pesar por Edmundo Pedro

O executivo camarário aprovou também um voto de pesar, apresentado por Nuno Canta, e cumpriu um minuto de silêncio pela morte de Edmundo Pedro. A homenagem ao resistente anti-fascista e histórico fundador do Partido Socialista, que nasceu na freguesia vizinha do Samouco, cumpriu-se no início da sessão. Edmundo Pedro faleceu no passado dia 27, aos 99 anos de idade.

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