Mário Apolo, o homem bom

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Antigo funcionário da empresa do DIÁRIO DA REGIÃO faleceu tragicamente na madrugada de quarta-feira. Escuteiro autêntico, fica na memória colectiva como um exemplo de bondade e educação

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Embora as notícias não o refiram, o Mário Apolo não morreu. Foi morto. Não embateu com a moto que conduzia nem provocou o acidente que o vitimou. Foi abalroado por um carro que circulava a alta velocidade e que embateu por trás no seu motociclo.

Circunstâncias que compete à Justiça apurar e que só refiro aqui por ser facto também correspondente à personalidade do Mário.

O seu carácter, de pessoa compreensiva, altamente tolerante e de uma paciência sem limites não era compatível com outro tipo de conduta na estrada que não fosse de extremo cuidado e respeito pelas regras e pelos outros.

Outro aspecto que refiro, pelo mesmo motivo de mostrar um pouco do que era este extraordinário ser humano, é que a entrega do corpo à família foi atrasada algumas horas porque o Mário deixou testamento a doar os seus órgãos.

Só com estes parágrafos fica logo uma pequena ideia da pessoa notável que foi Mário Apolo. Irrepreensível na vida e até na morte.

Para quem teve o privilégio de o conhecer, a sua virtuosa conduta dispensa provas ou testemunhos, mas para todos os outros, não há palavras ou actos que possamos dizer ou contar capazes de transmitir fielmente o grau de humanismo do Mário.

Amigo incondicional, companheiro fiel, parceiro solidário, trabalhador cumpridor, ou cidadão exemplar são apenas alguns dos atributos que reunia num espírito que corresponde verdadeiramente ao ideal de escuteiro. O Mário Apolo não era escuteiro de condição ou estatuto, era escuteiro por natureza, daqueles que seriam um autêntico escuteiro mesmo que não fizessem juramento ou não integrassem um corpo de escuteiros.

Na empresa do DIÁRIO DA REGIÃO tivemos oportunidade, todos os que trabalhámos com ele, de sentir tudo isto que aqui está escrito através das mais simples atitudes do Mário. Até o ‘bom dia’ dito por ele tinha a serenidade e a paz da sua filosofia de vida. “Está tudo bem, cá estamos com a cabeça entre as orelhas”, dizia muitas vezes, sempre com um sorriso e sem lamúrias.

É por tudo isto que a sua perda não é apenas para a família ou para os amigos, mas para a sociedade em geral. Cada vez que desaparece um dos melhores, o índice do Bem sobre o Mal perde qualquer coisa.

A terminar, recordo o que Mário me disse no dia em que faleceu a minha mãe; que não deixemos que a tristeza de o perder se sobreponha à alegria de o ter tido na nossa vida.

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