Interesses há muitos, o nacional é que é só um!

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Rui Moreira, Presidente da Câmara Municipal do Porto assinou um artigo que publicou no jornal “Correio da Manhã” assumindo a paternidade da ideia da construção de um pequeno aeroporto complementar ao de Lisboa, assumindo que este seria o que melhor beneficiaria a região do Porto.
Portanto, o Rui Moreira, esclarece aqui que foi a Associação Comercial do Porto que apresentou a ideia da Portela + 1, evitando assim construir um verdadeiro aeroporto internacional no Campo de Tiro de Alcochete e a concretização da Plataforma Logística do Poceirão, a Terceira Travessia do Tejo, a ligação ferroviária norte-sul que o país não tem, um novo hospital na Península de Setúbal, entre outros investimentos. Este novo aeroporto no Campo de Tiro, que Rui Moreira se “gaba” de ter “anulado”, servindo assim “algum interesse”, serviria para competir com Madrid e Barcelona e de alavanca ao desenvolvimento do país.
Claro que está, a Associação Comercial do Porto opôs-se à Construção do novo aeroporto de Lisboa no Campo de Tiro e foi influenciando os decisores políticos que para além de anularem a decisão de construir o aeroporto no Campo de Tiro, foram passando valências para o aeroporto do Porto, que tem crescido em influência e “negócio”.
A solução Portela + 1 serve os interesses de Rui Moreira e da Associação Comercial do Porto, mas não serve o país, até porque é uma solução a prazo (prazo esse que servirá para consolidar o aeroporto do Porto – Francisco Sá Carneiro), na cena internacional em especial na Península Ibérica, o que tem acontecido em função do enfraquecimento da influência do aeroporto de Lisboa.
Sabemos por experiência própria que a falta de investimento em algumas regiões do nosso país, resulta em duas consequências, no ataque politico a quem gere a região e no sufoco económico e social das suas populações. E é disto que se trata, de uma declaração de guerra à Península de Setúbal e à população desta região, em especial à população do concelho da Moita e Barreiro por questões de qualidade de vida e no impedimento de que esta região se desenvolva na mesma proporção do que outras regiões portuguesas e europeias, em especial e em particular neste caso, que a grande região do Porto.
Que se faça pressão e lobby todos percebemos, que o governo decida em função desta pressão, não procurando o interesse nacional é que não.
Fez bem Rui Moreira em esclarecer a situação. O seu a seu dono. Que saibamos todos compreender o que está em causa e que lutemos para que o interesse de todos nós esteja acima de qualquer outro interesse, mesmo que este seja do governo, do Rui Moreira ou até da Associação Comercial do Porto.

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4 COMENTÁRIOS

  1. Subscrevo na integra o excelente artigo, de Nuno Cavaco, pela sua factualidade e clarividência. Agora que este populista Rui Moreira, está na ordem do dia, e que lhe estão a descobrir as estratégias, leiam só com se vangloria da sua façanha, ao ter conseguido “vender” uma tese inquinada e que prejudica Portugal, vejam como ele propagandeia uma solução que só interessa á gente da Foz e aos seus negócios, como se fosse algo de bom. Omitindo todos os perigos, e factores limitativos, económicos, financeiros, ambientais e operacionais. Deixo aqui a forma como a história deve ser contada, em contraponto com o que o vice rei do Norte escreve. O que defende prejudica o país e a Península de Setúbal como se concluirá rapidamente depois de o dinheiro ser gasto. Foi tudo muito bem planeado pelo Rui Moreira, quando se apercebeu que o NAL na Ota e mais tarde em Alcochete, sendo um HUB intercontinental teria uma área de influência (cachement área) que limitaria o crescimento do Aeroporto Sá Carneiro. Influenciou os respetivos governos, para o Portela+1, com o +1 em Montijo, reparem que promoveu sempre o Portela+1 em Montijo, então se gosta tanto conceito, porque não defende o Portela+1 em Alcochete 1º Fase? não convêm? com a conclusão a que chegou num estudo enviesado da ACP de que era presidente, influenciou conseguindo que nos ministérios importantes para decisões aeroportuárias, estivessem ministros próximos da estratégia do Porto. O Aeroporto Sá Carneiro tem uma área de influência. que até abrange as regiões de Trás os Montes e do Alto Douro, a sua inclusão na área de influência do Aeroporto Sá Carneiro faz com que a dimensão desta seja de milhões habitantes, isto é toda a região Norte, parte da região Centro (litoral até Coimbra e Viseu) e sul da Galiza. Como é demonstrado no Plano Director do AFSC, a área de influência do Aeroporto Sá Carneiro já cruza as áreas de influência dos Aeroportos de Vigo e Santiago de Compostela cruzam-se, devendo estes aeroportos ser vistos como concorrentes. Ora o NAL em Alcochete afetaria essa influencia do Porto. E na medida em que o NAL vá crescendo, as zonas de influência irão aumentar significativamente, mas ultrapassa claramente Coimbra e ultrapassa Badajoz pela Extremadura em Espanha e abrange Faro. Foi disto que o na altura presidente da ACP Associação Comercial do Porto quis atrasar, e está a conseguir levam milhões de apoios comunitários do programa 2020 para o Porto, é só vermos a Repartição financeira dos Programa Operacionais por Eixo Prioritário. E nós? veremos se quem pode decidir contraria isto

  2. Este autor esta louco! O investimento nacional na zona da grande Lisboa supera todo o pais junto mesmo sem aeroporto ou nova travessia. Falem com Lisboa sobre o efeito spill ja que la se espera que as migalhas acabem por parar em Setubal.
    Rui Moreira apelou a um pais mais justo e nao o constante favorecimento de Lisboa e a sua area. Como o pais nao e’ so Lisboa, Rui Moreira defendeu o interesse nacional! Quanto iria todo o pais pagar para este nove aeroporto? O autor conhece Braganca?! Tambem la vivem portugueses que pagam impostos.
    O aeroporto do Porto e’ uma mais valia para o pais e tem crescido mesmo com a postura terrorista da TAP. A sua area de influencia e habitantes e maior que o de Lisboa devido a geografia e deve ser desenvolvido.
    Que palhacada de artigo. Que bairrismo irracional!

    • Oh Pedro, tem de rever urgentemente os seus conceitos sobre Equidade Territorial. Ninguém é contra o investimento em infraestruturas reprodutivas ou que melhorem a qualidade de vida das populações. Agora se há bairrismo não é nosso. Não somos nós que vamos impor soluções ao Porto. É o senhor Rui Moreira que quer impor soluções a Lisboa, conforme confessou em recente entrevista. O Porto tem um Metro de Superfície que já cobre 7 concelhos. De Gaia a Matosinhos de Porto a Valongo. Na Área de Lisboa, a expansão do Metro à Margem Sul do Tejo foi inviabilizada por um 1º Ministro chamado Cavaco Silva. Que gastou mais de 1000 milhões a fazer uma coisa que ninguém pediu. A ferrovia pesada na Ponte 25 de Abril e uma linha de Campolide ao Pinhal Novo. Matando também os comboios no Barreiro, de onde D. Pedro V e Fontes Pereira de Melo quiseram que partissem para o Alentejo, o Algarve e Caia em Direcção a Espanha e Europa. Para garantir o Metro aos habitantes da Margem Sul foi planeado o Metro Sul do Tejo. Que, 10 anos depois, só tem 3 Kms de Almada a Corroios. Mais nada. E na Área Metropolitana de Lisboa vivem mais de TRÊS MILHÕES DE habitantes. Sobre o Douro já existem mais de 10 Pontes na AMP. Em Lisboa, não fomos autorizados a construir a Terceira Travessia. Se há desequilíbrios e INEQUIDADE TERRITORIAL, fique a saber que a AML está fortemente penalizada relativamente à AMP.

  3. Embora o excelente artigo de opinião e o comentário acima publicado esclareçam bem o que está em causa, tenho de evidenciar aqui as consequências deste AEROBORTO na BA6, para os munícipes dos concelhos ribeirinhos da Margem Sul, principalmente para os de Alcochete, Montijo, Moita, Barreiro e Seixal.
    Um ATENTADO AMBIENTAL, pois a Reserva Natural do Estuário do Tejo, Sítio protegido da Rede Natura onde vivem e nidificam cerca de 200.000 aves, algumas de grande porte e envergadura como são os casos dos Flamingos, dos Gansos Bravos, dos Corvos Marinhos, etc. Aves que, para além do risco de sobrevivência, constituem também um perigo para o tráfego aéreo pelo risco de ingestão pelos reactores ou de colisão com as aeronaves durante os seus voos migratórios a elevada altitude ou nas suas deslocações para outros habitats. Colocando em elevado risco as aeronaves, sua tripulação, passageiros e pessoas em terra.
    Um ATENTADO à SAÚDE PÚBLICA pois os corredores de aproximação e afastamento da pista correm sobre zonas urbanas consolidadas de elevada densidade populacional.
    Com milhares de habitações antigas que não dispõem de qualquer protecção acústica. Nem telhados insonorizados nem paredes ou vidros duplos. As pessoas vão assim ser atingidas por ruídos acima dos limites legais como já ocorre em Lisboa. E por poluição atmosférica repleta de partículas provenientes da queima de querosene pelos aviões, principalmente durante a descolagem e elevação.
    Um ATENTADO À SEGURANÇA INDUSTRIAL E DAS POPULAÇÕES pois, na Barra a Barra – Lavradio, a menos de 3 Km e em pleno perímetro de servidões, localiza-se um complexo portuário (LCB Tanquipor) onde se armazenam milhões de litros de combustível, lubrificantes e produtos químicos altamente inflamáveis (acrilonitrilo, amoníaco, ácido fosfórico…) que daqui saem por auto-tanques ou são canalizados para processamento pela Fisipe, o Mundo Têxtil, a NAP-Nitratos de Amoníaco de Portugal. No interior da Fisipe localiza-se ainda uma central eléctrica Co-geradora de Ciclo Combinado alimentada por gasoduto da REN. Funciona ainda a ETAR do Barreiro-Moita em cujos tanques se acumula o biogás produzido. UM PAIOL pronto a explodir ao menor incidente aéreo. Com consequências trágicas para quem ali trabalha ou vive nas proximidades, principalmente no Lavradio e Barreiro.
    Um ATENTADO à NAVEGAÇÃO FLUVIAL pois os barcos da carreira Lisboa – Montijo (e também os barcos típicos do Tejo e outros) tem uma altura que os coloca na linha de passagem dos aviões quando se dirigem para aterrar na pista 01/19 (S-N) e já voam a uma altitude reduzida.
    UM CRIME DE LESA ECONOMIA pois todos os estudos apontam para a curta vida útil deste AEROBORTO. Em 2035 teremos de andar novamente a discutir a Portela+2 pois já não terá capacidade para o tráfego aéreo atingido. Duplicando o investimento. Que poderia ser canalizado para a Fase Inicial de um verdadeiro Aeroporto em Canha, concelho do Montijo, mais para o interior, a uma maior altitude, menos sujeito a nevoeiros e neblinas matinais que podem obrigar á frequente interrupção das operações aeroportuárias. Com melhores acessibilidades, porque mais próximo da A13, Onde já passa o Oleoduto que o poderia abastecer.
    Acessível pela CRIL via Ponte Vasco da Gama, mas também pela CREL via Ponte das Lezírias. E ainda para quem vem do Norte através da A10 e Ponte Salgueiro Maia. E para quem vem do Sul via Marateca ou da Península de Setúbal.
    Inconcebível esta monstruosidade. Uma aberração em termos de Qualidade de Vida das Populações, Turismo e Ordenamento do Território.

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