José Couceiro pediu aos jogadores do Vitória FC para entrarem na história

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O Estádio Municipal de Braga é esta terça-feira, a partir das 20h45, palco da primeira meia-final da Taça da Liga 2017/18 entre o Vitória FC e a UD Oliveirense. Na antevisão ao encontro, que poderá 10 anos depois levar os sadinos de novo à final da prova cuja primeira edição venceram em 2008, o treinador José Couceiro partilhou na conferência de imprensa realizada esta segunda-feira de tarde na cidade doa arcebispos a mensagem que disse à equipa. “O que digo aos jogadores é: vamos entrar na história. Para o conseguir, é preciso jogar a final” que se realiza sábado.

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Há quase 10 anos o Vitória venceu a primeira edição da Taça da Liga. O que terá de ser feito esta época para repetirem a proeza da equipa então treinada por Carlos Carvalhal?
Ganhar o jogo amanhã (hoje) com a Oliveirense. Para se chegar à final tem de se passar pela meia-final. Falar em vencer um troféu sem ter chegado à final não faz qualquer sentido para nós nem para ninguém. Amanhã (hoje) temos um jogo contra um adversário que também está nesta fase por mérito próprio depois de eliminar no seu grupo três equipas da I Liga de forma muito clara – eliminou o detentor do troféu, o Moreirense, o Feirense e o V. Guimarães –, portanto vamos ter um obstáculo difícil para conseguirmos chegar a mais uma final. Das equipas que estão nesta final-four o Vitória é a única que repete a presença depois de já ter estado nesta fase o ano passado, onde foi eliminado pelo Sp. Braga na meia-final. Somos um clube que tem tradição nas taças, quer na de Portugal quer na da Liga. Queremos muito jogar a final mas todos nós sabemos que temos que dar tudo amanhã para passarmos a Oliveirense que vai ter, exactamente, o mesmo espírito que nós temos quando jogamos com equipas de maior dimensão. Ainda há pouco tempo jogámos contra uma equipa de muito maior dimensão que a nossa [Sporting] e o espírito que tivemos, como se percebeu, foi o de lutar até ao final. A Oliveirense vai ter o mesmo espírito contra nós. Nada está conseguido, temos de ter muito empenho e qualidade para conseguirmos estar no sábado a jogar a final.
Há o risco de os jogadores terem a tentação de estar já a pensar na final de sábado?
Se tivermos essa tentação estamos mais próximos de não ter sucesso. É um jogo que não tem prolongamento, só tem 90 minutos. Vamos jogar com a maior intensidade possível durante os 90 minutos. É uma final e, se queremos estar no último jogo da competição no sábado, temos de passar a Oliveirense. A diferença de qualidade técnica entre as equipas da II Liga e da segunda metade da tabela da I Liga não é assim tão grande. Nos moldes actuais, as equipa da II estão habituadas a jogar duas vezes por semana. Têm um calendário apertado e estão habituados a ter jogos consecutivos, ou seja, têm mais intensidades do que era normal há uns anos. Se não formos muito rigorosos estamos a dar armas ao adversário. Vamos ter de ser rigorosos, intensos e jogar bem, sabendo que o posicionamento da Oliveirense vai ser o de atribuir o favoritismo a nós, mas nós não vamos nesse engodo. Vamos ter de ser sérios a abordar o jogo.
Pode o Vitória ser mais dominante no jogo ou perspectiva uma partida mais equilibrada?
Vamos querer controlar o jogo, mas não basta controlar é preciso marcar. Do que já conhecemos da Oliveirense é uma equipa que tem bons executantes e jogadores com experiência de I Liga. Nas transições conseguem pôr muita gente na frente e nas zonas de finalização. Tem uma mescla de jovens que querem aparecer e dar o salto com outros mais experientes que vão conseguir transmitir ao resto da equipa alguma serenidade para controlarem a ansiedade. São uma equipa muito bem organizada. O Pedro (Miguel) [treinador] tem uma longa história na Oliveirense. Somos dois treinadores que têm uma grande empatia com os clubes que representamos. Eles têm armas fortes e muito interessantes para disputarem o jogo.
O Vitória perdeu muitos jogadores da época passada para a actual. O que tem esta de mais-valia em relação à equipa da temporada anterior?
São equipas diferentes, apesar de sermos o mesmo clube. A equipa do ano passado era mais experiente. Temos muitos jogadores a actuarem pela primeira vez na I Liga. Algumas vezes é preciso tempo e paciência para ir corrigindo em cima de alguns erros. É uma equipa com valor e muito potencial. Muitos destes irão fazer carreira na I Liga portuguesa e outros irão prolongar as suas carreiras. Aos poucos temos vindo a ganhar experiência e reagido bem à adversidade. Não é fácil e, por isso, tenho que enaltecer estes jogadores. Por muito que o trabalho do treinador se sinta e que as questões emocionais sejam trabalhadas, não é fácil ultrapassar as situações que temos tido esta época, desde as directivas a desportivas com séries longas de derrotas. Tudo isso demonstra que os jogadores têm potencial e estabilidade para conseguir ter sucesso.

Treinador que verde e branco do Vitória na final

Entretanto, o Vitória já tem direcção e está há seis jogos sem perder… O que pode trazer de positivo ou de negativo o futuro?
Ganhámos ao Sp. Braga, 2-1, a 22 de Dezembro e, a partir daí, não ganhámos mas também não perdemos. Empatámos com o Benfica, Estoril, Tondela, Moreirense e Sporting… A Taça da Liga, vencendo o jogo de amanhã, que é o que pretendemos, dá a possibilidade de a esmagadora maioria dos jogadores poder disputar uma final. Só o Edinho é que estava no plantel que ganhou a Taça da Liga em 2007/08. É importante para os jogadores e para os nossos adeptos que têm sofrido. As coisas não têm sido fáceis para eles. O Vitória é um clube com um potencial fantástico, com dimensão, que representa uma região e não exclusivamente uma cidade. É mais do que uma cidade. Tenham a certeza de que se atingirmos a final este estádio, não sei com quem iremos jogar [Sporting e FC Porto discutem amanhã a outra meia-final], pelo menos um dos lados vai ser do nosso verde e branco. Se se lembrarem do que aconteceu na última Taça da Liga, no Algarve, em que nós estávamos a perder e, na parte final do jogo, a nossa bancada estava a aplaudir a equipa. Foi um momento que me marcou muito a nível de Vitória. Esse é o espírito que aquela massa adepta tem connosco. Gostávamos de retribuir e chegar a essa final. Esse é aspecto positivo. Quanto aso negativos não vale a pena falar neles.
A história do clube nas taças é apenas um dado ou serve para motivar a equipa?
A dimensão dos clubes tem que ver com a sua história e não só com os seus anos de vida. Quando representamos um clube com a história do Vitória, evidentemente que temos uma maior responsabilidade. Tanto nós como os profissionais da Oliveirense querem entrar na história dos clubes. Só se entra na história chegando a estas fases, antes disso tal não acontece. A Oliveirense nunca chegou a uma final-four, portanto já entrou na história. O Vitória ainda o ano passado cá esteve, por isso, o nosso nível de exigência é superior porque o Vitória já ganhou. O Vitória tem 10 finais e três Taças de Portugal, duas nos anos 60, e uma no nosso ano de 2005, que depois acaba com José Rachão. Em 2006 vai de novo à final, com o Hélio como treinador, e perde com o FC Porto. Nos anos 60 o clube está em quatro finais seguidas, sempre com Fernando Vaz, treinador mais carismático da história do Vitória. Ganha duas e perde duas, uma delas com o Sp. Braga. Estamos aqui hoje (ontem) no estádio e seria bom se os bracarense nos apoiassem. Pedi um apoio extra na altura em que ganhámos o grupo. Voltando à pergunta, a história cria essa responsabilidade e nós gostamos disso porque tem de ser um orgulho para todos representar um clube que tem a história do Vitória. O que digo aos jogadores é: vamos entrar na história. Alguns já fazem parte dela por vários motivos, mas não fazem todos. Para o conseguir, é preciso jogar a final.

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