Montepio com 10 M€ de passivo requereu PER para evitar falência

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A instituição como o Montijo a conhece pode ter os dias contados. Parte clínica deverá passar para mãos de privados e postos de trabalho estão em risco

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A União Mutualista Nossa Senhora da Conceição, no Montijo, apresenta cerca de 10 milhões de euros de passivo e requereu, ainda em 2017, um plano especial de revitalização (PER) no tribunal do Barreiro para “evitar a falência”, revelou o vereador do PSD/CDS, João Afonso.

O autarca lembrou as pessoas com ligações ao PS que lideraram nos últimos anos os destinos da instituição, conhecida também como Montepio, para questionar o presidente da Câmara Municipal, Nuno Canta, no decorrer da reunião do executivo realizada na última quarta-feira nos Paços do Concelho. De acordo com o social-democrata, eleito em coligação com o CDS, “os actuais corpos sociais requereram em 2017 um PER no tribunal do Barreiro para que [a instituição] não fosse à falência”. João Afonso adiantou que o Montepio apresenta cerca de “10 milhões de euros de passivo”, quando “factura” apenas sete milhões e que existe “risco de despedimentos na instituição que emprega 260 funcionários”.

O social-democrata lembrou ainda que a instituição prepara-se para “alienar a parte clínica a um privado da área da saúde”, conforme consta na divulgação da convocatória da assembleia geral.

“Como é possível que a Câmara Municipal não soubesse de nada em 2015, quando a instituição foi durante anos gerida por camaradas do Partido Socialista?”, questionou, lembrando que a instituição “recebeu milhões durante anos”. João Afonso recordou afirmações positivas de Nuno Canta sobre a instituição de 2015, para voltar a questionar o edil socialista.“Como foi possível que o PS viesse dizer, através do presidente, o que disse? Como é possível que o PS esteja caladinho, quando a instituição se prepara para entregar a parte da saúde a privados?”, perguntou, acrescentando: Não percebo como não sobem ao mais alto mastro da ponte e cometem um suicídio colectivo. Este é o exemplo acabado do clientelismo e amiguismo.”

O que é que o senhor tem a ver com isso?”

“O senhor é sócio do Montepio?”, retorquiu o presidente da Câmara ao social-democrata, que ripostou também com nova questão: “O que é que o senhor tem a ver com isso?”

Nuno Canta justificou de seguida: “É que eu não sou sócio. Se o senhor é sócio, devolvo-lhe todas as questões. Não sou eu que tenho qualquer ligação ao Montepio. Quem gere o Montepio são os sócios, que votam e elegem os órgãos sociais.”

O PS, reforçou Nuno Canta, “nunca determinou quem gere o Montepio”. “O senhor vereador montou aqui uma situação com pés de barro, que mostra mais uma vez a sua irresponsabilidade. O presidente da Câmara e o PS nada têm a ver com a União Mutualista. Se quiséssemos ir por aí, o PSD até tem mais elementos da sua equipa nos órgãos sociais”, atirou, admitindo que “a entrada do Montepio num PER preocupa muito a autarquia”.

Quanto à alienação da parte clínica da instituição a privados, Nuno Canta disparou: “É uma questão que também compete aos sócios . Mas é curioso que traga aqui essa preocupação quando prometeu um hospital privado em campanha eleitoral.”

“O que eu defendi foi um hospital construído pela Câmara e gerido por uma IPSS, não um hospital privado”, defendeu João Afonso.

Carlos Jorge de Almeida, vereador eleito pela CDU, também interveio e admitiu que as questões sobre o Montepio não competem ser respondidas pela autarquia. “A César o que é de César. São situações complicadas que devem ser discutidas nos sítios concretos”, considerou o comunista, lembrando que o vereador social-democrata já havia anteriormente questionado a Câmara “sobre salários em atraso na Escola Profissional do Montijo e até sobre o Clube Olímpico”.

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