Segunda-feira e os seus heróis improváveis

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Segunda-feira é um nome que ecoa nos nossos pesadelos. Faz sentido. Afinal quem prefere abdicar da prazenteira senda do fim-de-semana em detrimento de mais uma semana de rotina laboral? Contudo, mais depressa ou mais devagar, lá conseguimos subjugar a segunda-feira, e se o leitor for como eu, certamente simpatizará com uma boa dose de café para conseguir tolerar o início da semana. A verdade é que já não imaginamos a vida sem café e o seu composto ativo – cafeína. Sabemos que nos desperta, reduz a fadiga e em moderação pode ser um suplemento bastante salutífero à nossa dieta, embora mais de 3 chávenas num dia possam perturbar os ciclos de sono naturais do nosso corpo. A miscelânea de efeitos da cafeína resulta do facto de ser um estimulante do sistema nervoso central, sendo que esta ajuda a concentração, à formação de memórias e a um melhor desempenho físico. Na natureza, a cafeína é, pela mesma razão, um inseticida natural. Enquanto nós ingerimos uma pequena quantidade e isso mantém-nos despertos, um inseto consome, proporcionalmente, uma quantidade muito maior de cafeína e o seu sistema nervoso central colapsa, condenando qualquer inseto que se atreva a regalar com um banquete de folhas da planta do café. Mas o leitor não precisa de se preocupar. Mortes por excesso de cafeína são incrivelmente raras em humanos. Levará entre 40 a 50 chávenas de café para matar um adulto.
A cafeína faz parte de uma família de compostos – as xantinas – e não se encontra exclusivamente no café e nos seus derivados. É bastante comum nos chás preto, branco ou verde, embora nessas plantas predomine outra xantina, a teofilina, cujo efeito é bastante semelhante ao da cafeína. Contudo, tem uma ação menos impetuosa no nosso corpo. Estudos revelaram que pessoas apresentaram-se mais despertas e alertas quando consumiram cafeína, quando comparadas com grupos que ingeriram quantidades iguais de teofilina. Não obstante, esse facto pode induzir uma vantagem estratégica, pois beber um chá ao final da tarde pode não perturbar o ciclo de sono do leitor, ao passo que ainda o mantém diligente para o que falta da segunda-feira.
Outra xantina altamente disseminada na nossa vida é a teobromina. Se o leitor não reconhece este nome, certamente reconhecerá onde é mais vulgar encontrá-la – no cacau! A teobromina é o composto ativo de todos os chocolates negros e o seu nome deriva do grego onde significa, literalmente, “comida dos deuses”. É graças a esta xantina que obtemos os encantadores e afrodisíacos efeitos do chocolate. Se não fosse pela quantidade exorbitante de açúcar que adicionam aos chocolates, comer uns quantos destes por dia seria uma prática altamente recomendável. Não só porque todos as formas de cacau são ricas em vitaminas, sais essenciais e antioxidantes mas também porque a teobromina ajuda a proteger as nossas células e a secretar hormonas da felicidade, colaborando para um cérebro feliz e ativo. Ao contrário das outras xantinas, a teobromina tem um impacto mínimo no sistema nervoso central, mas pode ajudar o leitor a ultrapassar a segunda-feira com uma cara mais sorridente. Apesar de em humanos ser essencialmente seguro, o chocolate pode atuar como veneno nalguns animais, como os cães. Não por ser tóxico, mas porque o organismo destes metaboliza a teobromina muito lentamente, e mesmo pequenas quantidades de chocolate podem levar a reações adversas e muitas vezes fatais.
Seja pelo reconfortante cheiro de um café, pela calorosa companhia de um chá ou pelo voluptuoso sabor de um chocolate, ainda bem que temos as xantinas para nos ajudar a superar a segunda-feira.

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