Vamos beber esperança

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Que tal fazermos (mais) um brinde à chegada do novo ano?

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É suposto bebermos um copo de esperança e fazermos o nosso balanço individual.

Alguns de nós arranjam sempre uma boa maneira de o ver passar. Outros, nem sempre…

Pelos vistos, não somos as pessoas mais indicadas para avaliar o sentimento dos que têm razões para não gostarem desta quadra natalícia. Eu, por exemplo, tenho tido oportunidade de aprender a gostar do Natal. Acho que não um Natal empacotado e etiquetado, de vistoso laçarote…

Qual tem sido a tua experiência natalícia?

Não é fácil conhecer o Natal de cada um de nós. Pelo menos a versão certa da história de vida deste e daquele humano. Mas gostar do outro é também procurar conhecer a sua história. De preferência, procurando conhecê-la por boas razões.

Somos inevitavelmente bebedores de esperança.

Sabendo, no entanto, que há um ciclo inerente a cada experiência de vida.

Já não estamos (tão) preocupados com a seca neste canto ocidental. Mas sabemos que a chuva não veio para resolver todos os problemas sérios das alterações climáticas.

Já não estamos tão endividados, mas sabemos que continuamos hipotecados.

Já não estamos tão esquecidos no mundo, mas vamos precisando de nos reinventar (e o termo não é meu) nos próximos tempos.

E volto a dizer (o que já disse há umas semanas): não teço considerações sobre o estado do país, porque não tenho dados para isso, nem sobre as alterações climáticas, que são uma realidade, nem tão pouco sobre de quem é a culpa, que sabemos que ninguém sai disto ileso (uns muito mais do que outros, claro).

Mas não é só o clima que está cada vez mais alterado. As clivagens sociais, os valores…

Queremos o nosso nível de esperança (também) reinventado.

Porque tem sido preciso sofrer para perceber a emergência da coisa.

É a esperança coletiva que queremos renovar com mais convicção.

Não precisamos, neste momento, de danças de chuva. Mas precisamos de sinfonias de reaprendizagem nesta sociedade das nações e firmar um futuro melhor, para os jovens e para todos.

O momento não é de grande seca. Mas de esperança nos discursos férteis de esperança.

Por isso, não façamos dos discursos uma seca.

E por isso, não façamos apenas discursos.

Brindemos ao novo ano, com uma memória ciente dos problemas que são urgentes herdar dos anos mais idosos.

No meio desta certa incerteza planetária, nem tudo é, apesar de tudo, incerto.

Somos companheiros de vontades.

E se ano novo é vida nova, vai mais um copinho. Bebamos à esperança, que contamos que seja a última a morrer.

Com um bocado de sorte, a esperança até fica por cá muitos e bons para contar como é que isto tem sido por estas bandas.

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