ANTÓNIO CARACOL Candidato à concelhia do PS Setúbal: “A actividade política não pode estar fechada em quatro paredes”

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O deputado municipal diz que os resultados autárquicos do partido em Setúbal ficaram “muito aquém do possível”, em contraciclo com o país e com Almada ou Barreiro, e responsabiliza a actual concelhia por não saber “enfrentar o poder instalado” na Câmara. António Caracol afirma que a sua candidatura é de inconformismo porque as derrotas eleitorais “não são uma fatalidade”

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A sua candidatura vem pôr fim ao consenso que tem existido na concelhia.
A dinâmica política do PS caracteriza-se pela liberdade de expressão dos seus militantes e simpatizantes e pelo debate interno de forma autêntica, mas depois de definida uma estratégia o partido une-se na luta pelos objetivos traçados. É a atitude responsável da militância. Não se pode confundir consensos com monolitismo. A nossa candidatura é uma pura manifestação de uma militância viva, atenta e inconformada.

Fala em inconformismo. Porque o PS perdeu as autárquicas e a CDU reforçou?
É evidente que os resultados eleitorais do PS nas ultimas autárquicas ficaram muito aquém do previsto, do desejável e do possível. Sobretudo quando comparamos este resultado de Setúbal com os resultados de outros concelhos do distrito. Há vários mandatos que o PS não consegue ter, na autarquia, a mesma expressão eleitoral que o PS tem para eleições legislativas. Historicamente, o PS merece a confiança dos Setubalenses quando se trata de escolher um governo, mas o mesmo não acontece para o governo de maior proximidade – o da Câmara. O PS Setúbal não pode conformar-se com estes resultados.
O nosso inconformismo, que deve ser o de todos os militantes do PS de Setúbal, traduz-se nesta questão essencial: num tempo politico com uma tão positiva dinâmica do Governo PS e em que concelhos como Almada e Barreiro foram perdidos pela CDU para o PS, por que razão Setúbal continua em contraciclo?

A sua candidatura responde a essa questão?
Esta questão básica só pode ter resposta com uma comissão política dinâmica e inconformada com este estado de coisas. As derrotas do PS nas eleições autárquicas em Setúbal não são uma fatalidade.

São culpa do PS local?
Se um partido político merece a confiança dos setubalenses para o governo do país, mas tal não acontece para o governo da autarquia, então a responsabilidade é cabalmente das estruturas locais do PS. Isso é evidente. É à concelhia que cabe ouvir os setubalenses, formular o melhor programa, apresentar uma candidatura, ter uma mensagem política forte.

Isso não foi feito?
Estou mais focado em propor aos militantes o que entendo que deve ser o PS Setúbal para o futuro. Mas também não podemos esquecer que uma candidatura do PS à Câmara de Setúbal tem de saber esclarecer, e enfrentar uma estrutura de poder instalado, que confunde a autarquia com o partido que a dirige. O mais recente exemplo dessa promiscuidade entre Câmara e PCP ocorreu com a afixação de outdoors com propaganda do PCP, mas “assinados” pelo município, ou seja, propaganda do partido comunista paga com os dinheiros dos setubalenses! Acha que todos os Setubalenses, que em Outubro votaram na CDU, estavam a contar pagar a propaganda do PCP?

Mas há obra feita.
Seria estranho se em 15 anos de poder, alguma coisa não se tivesse feito. Competia à oposição demonstrar se essa obra feita é a adequada, se era a prioridade, a que custo foi feita, com que atropelos e se as pessoas que vivem e trabalham na cidade e no concelho estão melhores.

Parece que as pessoas estão satisfeitas.
Há muitos setubalenses excluídos, desmotivados ou desiludidos com a actual situação política. O partido que dirige a Câmara Municipal e a quase totalidades das juntas de freguesia do concelho não tem tido capacidade de resposta para os grandes desafios de planeamento e de estratégia da cidade, não tem objectivos em matérias essenciais, como as políticas social ou de habitação.

Como propõe reduzir o fosso entre eleitores e eleitos?
Penso que andamos há tempo demais a ver as coisas ao contrário. A política só faz sentido se centrada nas pessoas, nos cidadãos, olhando para cada um e para os seus problemas com seriedade e verdadeiro empenho em dar respostas.

E o PS de Setúbal não tem feito isso?
A actividade partidária não se pode cingir a quatro paredes, em circuito fechado, porque então desligam-se da realidade dos munícipes. É uma evidência que não há nenhum partido que ganhe eleições apenas com os seus militantes. O PS tem de vir para a rua, tem de conhecer a cidade e as suas pessoas; conhecer as suas colectividades, as escolas, os professores, as fábricas, as empresas, saber quem está a passar mal, conhecer quem não tem habitação condigna, de uma forma mais simples, sentir a vida real.

Pretende candidatar-se a presidente da Câmara?
Andamos há demasiado tempo a ver as coisas ao contrário. Não vale a pena pensar em candidatos se o PS não souber ouvir as pessoas e apresentar um projecto estruturado para o concelho. É essencial que o PS faça um debate interno sobre as alternativas, tenha uma estratégica consequente na forma como se relaciona com o eleitorado e que defina um programa eleitoral e um perfil de candidato com antecipação e que corresponda a padrões de competência que nos são exigidos.

 

Ricardo Mourinho Félix integra candidatura
O secretário de Estado das Finanças e deputado eleito por Setúbal, Ricardo Mourinho Félix, é um dos apoiantes da candidatura de António Caracol. O governante, que
assume agora maior protagonismo, com Mário Centeno no Eurogrupo, integra a lista.
Caracol é adjunto do ministro Pedro Marques e membro dos órgãos da Federação Distrital do PS.
As eleições estão marcadas para dia 19 de Janeiro e o
actual presidente da concelhia, Paulo Lopes, também
é candidato.

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