Associação de Animais da Moita tem voluntários que “recebem salários”

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A Associação dos Amigos dos Animais Abandonados da Moita (A.A.A.A. Moita), que afirma depender “única e exclusivamente do trabalho dos seus voluntários”, tem funcionários que afinal são assalariados, segundo revelou ao DIÁRIO DA REGIÃO Luís Alves, antigo voluntário.

“Trabalhei durante anos no canil da Moita, como voluntário, sem receber nada, acreditando que estava a contribuir para uma causa justa e nobre, a favor dos animais abandonados. Com o tempo fui-me apercebendo de algumas irregularidades. Na altura achei estranho, comentei e percebi que havia pelo menos uma pessoa a receber um salário”, adiantou Luís Alves, militar reformado.

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Só mais tarde é que o ex-voluntário percebeu que existia pelo menos mais outra pessoa a receber um salário e voltou a contestar, tornando-se uma “pessoa não grata” na Associação.

“A partir daí, tornei-me uma pessoa não grata e arranjaram uma maneira de se livrar de mim. Durante anos contribui com rações, nunca com dinheiro, porque já a minha intuição me dizia que isso talvez não fosse o mais razoável, passeava os animais e fazia outras actividades”, disse.

“Estão sempre a fazer peditórios na internet, no Continente ou no Jumbo, isso significa que esse dinheiro não vai só para os animais, mas também para os salários. Há ali uma pessoa que recebe 700 euros e outra 500, descobri que havia também uma terceira que recebia, mas que recentemente se foi embora”, acrescentou ao DIÁRIO DA REGIÃO o militar reformado.

Luís Alves explica que os animais não passam fome, pois as pessoas levam rações, mas acredita que se o dinheiro doado fosse empregue nos animais eles teriam melhores condições.

“Eu estou proibido de lá entrar, isto não é uma retaliação, mas esta situação é uma fraude, não está certo, as pessoas têm de saber”, concluiu.

Cristina, agora proprietária de um café, também trabalhou na A.A.A.A. Moita durante cinco anos, fez parte da direcção e admitiu ao DIÁRIO DA REGIÃO que era uma funcionária assalariada.

“Comecei por ganhar 600 euros, a fazer oito horas por dia, era um emprego normal. Fui contratada para tratar dos animais, limpar as boxes e receber as pessoas que lá iam”, revelou.

“É uma associação de voluntariado animal e havia pessoas assalariadas, além de mim havia uma rapariga para tratar dos gatos que recebia 300 euros, mais tarde entrou outra pessoa para me ajudar que ficou a receber entre os 200 e os 250 euros, ambas em part-time”, acrescentou Cristina, admitindo que entre as três “recebiam por volta de 1200 euros por mês que deviam ser destinados aos animais”.

A antiga funcionária já saiu da A.A.A.A Moita há cerca de um ano e não tem conhecimento do actual estado, mas admite que quando foi contratada sabia que ia receber dinheiro, contudo não podia assumir que estava a receber um salario: “lá somos todos voluntários”.

Cristina assegurou também, porque aconteceu consigo, que muitas vezes as pessoas iam à Associação dar dinheiro para esterilizações, castrações e vacinas, tratamentos esses que os animais não chegavam a receber.

O DIÁRIO DA REGIÃO tem tentado contactar a Associação dos Amigos dos Animais Abandonados da Moita, mas sem sucesso.

Contudo, na sua página online a associação afirma “depender única e exclusivamente do trabalho dos seus voluntários que desempenham tarefas em diversas áreas, assegurando sempre o bem-estar dos animais. Todos os dias temos que garantir as seguintes tarefas: limpezas de canis e gatis, alimentação, administração de medicamentos e alguns tratamentos, entre outras”.

A.A.A.A. Moita é uma associação sem fins lucrativos de protecção animal que alberga e protege cerca de 250 animais, entre cães e gatos.

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