Autarquia do Barreiro exige ao Governo o pagamento de verbas em atraso à RUMO

Local C Últimas B Últimas C

O executivo municipal do Barreiro esteve reunido esta quarta-feira, em sessão de Câmara, onde foi apresentada uma moção “pela sobrevivência da RUMO” que exige ao Governo o pagamento de verbas em atraso à instituição.

“A Câmara Municipal do Barreiro delibera exigir ao Governo o pagamento das verbas em atraso, que permitirão o normal funcionamento da instituição, o pagamento das suas obrigações ao Estado e o vencimento dos seus trabalhadores”, refere a proposta, aprovada por unanimidade.

O município expressou também solidariedade a toda a direcção, colaboradores e utentes da RUMO, “neste período difícil de incerteza face ao futuro da instituição”.

Esta moção surge depois do vereador do PSD, Bruno Vitorino, ter afirmado, no início desta semana, que o futuro da RUMO estava a ser colocado em causa e que o funcionamento da mesma já estaria a ser afectado, devido a uma dívida do Estado à instituição que ascende a meio milhão de euros, correspondendo a mais de 5 meses de despesas já incorridas e não ressarcidas.

Em resposta ao PSD, o Ministério do Planeamento e das Infra-estruturas disse, em comunicado, que está a aguardar a apresentação de documentação relativa a despesas, que “serão pagas no prazo máximo de uma semana”. E lembrou que, entre reembolsos e adiantamentos, em 2016 e 2017, já pagou à associação 963 mil euros de fundos europeus.

Alegadamente, o montante que está em atraso é referente a um conjunto de projectos ligados ao IEFP e à CCDR de Lisboa, nomeadamente ao projecto FORMAR (Medida de Qualificação Profissional para Pessoas com Deficiência e/ou Incapacidade) que tem como organismo intermédio o IEFP e a entidade financiadora CCDR Lisboa.

Neste momento, a cooperativa atravessa uma situação de “estrangulamento de tesouraria” que dificulta o seu funcionamento normal e a impede de cumprir os seus compromissos para com colaboradores e fornecedores. A acrescentar a estas dificuldades, a RUMO já tornou público que, se a situação não se alterar, não terá condições de honrar compromissos legais também com a segurança social e com as finanças.

Face às incertezas quanto ao futuro da instituição, o deputado do PSD já alertou para as consequências do encerramento da RUMO.

“O encerramento da sua actividade irá afectar mais de 6000 pessoas em situação de desvantagem ou exclusão, impedir o acompanhamento de 1500 pessoas por ano com incapacidade ou deficiência, bloqueando a formação e inserção no mercado de trabalho de mais de 300 pessoas. Também irá colocar em causa 78 postos de trabalho nos concelhos do Barreiro, Moita, Lisboa e Oeiras”, disse.

Com actividade iniciada em 1981, a RUMO é uma cooperativa, sem fins lucrativos, sediada no Barreiro, que tem por objectivo fundamental a solidariedade social e o desenvolvimento de actividades de apoio em diferentes domínios de intervenção a pessoas em situação de desvantagem, visando a defesa dos seus direitos individuais e de cidadania, designadamente no quadro da promoção do direito à igualdade de oportunidades e à inclusão escolar, profissional e comunitária.

O trabalho desenvolvido por esta instituição estende-se a vários concelhos da Área Metropolitana de Lisboa, integrando vários projectos de apoio a pessoas na inclusão educativa, profissional e comunitária, na perspectiva do movimento de emprego apoiado.

Deixe uma resposta