Saúde um direito constitucional que não se cumpre na Vila da Baixa da Banheira. Quanto mais prometem, menos cumprem!

Opinião

Como sabem a Vila da Baixa da Banheira é constituída por duas freguesias, a Baixa da Banheira e o Vale da Amoreira. Os moradores desta vila têm acesso aos cuidados de saúde no Vale da Amoreira através de uma Unidade de Saúde Familiar e na Baixa da Banheira através de uma Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados que a partir de agora serão referenciadas neste artigo como “Centro de Saúde”. Também sabem que há anos que a população reivindica a construção de um novo centro de saúde na Baixa da Banheira e de mais profissionais de saúde ao serviço da população. É também do conhecimento geral que a construção do “Centro de Saúde” do Vale da Amoreira foi resultado da luta da população daquela freguesia.
Quando se construiu o “Centro de Saúde” do Vale da Amoreira este equipamento foi apetrechado com bons meios e foram colocados profissionais de saúde adequados ao número de utentes da freguesia. O serviço era de excelência, o que permitiu a transferência de muito utentes do “Centro de Saúde” da Baixa da Banheira para o Vale da Amoreira, Centro de Saúde da Baixa da Banheira que ainda hoje funciona num edifício sem condições, com falta de meios e com muita falta de profissionais de saúde.
Há poucos dias tive conhecimento de que dois médicos do “Centro de Saúde” do Vale da Amoreira deixaram de fazer serviço naquela unidade. Segundo a lei e segundo os procedimentos estabelecidos no nosso país, não podem haver utentes sem médico atribuído nas USF´s. Assim, os utentes sem médico no Vale da Amoreira foram transferidos para o Centro de Saúde da Baixa da Banheira. Estamos a falar de milhares de utentes que deixam de ter médico, que deixam de ter um serviço considerado muito bom e que passam a engrossar a lista dos mais de 10 000 utentes que não têm médico na Baixa da Banheira.
A situação é dramática e a sua resolução não depende nem da Direcção do Agrupamento dos Centros de Saúde, que vai fazendo o que pode, nem da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, que mediante a lei e os procedimentos estabelecidos vão fazendo o que conseguem.
A situação é excecional e perante situações excecionais têm que haver tomadas de medidas excecionais.
Ainda há poucos meses e em campanha eleitoral o Partido Socialista da Moita anunciava mais médicos de família para a nossa população e louvava o governo através de comunicados e de documentos apresentados nas Assembleias das Autarquias. Os médicos não vieram! Antes pelo contrário, hoje há mais pessoas na nossa terra sem médico, sem respostas. Não espero que o PS Moita venha pedir desculpa à população e nem que mostre grande preocupação com a situação, mas espero uma forte reação da população e espero que o governo faça o que tem de ser feito.
Não se compreende como é que em pleno século XXI e em Portugal, existam situações como esta. O principal objetivo do Serviço Nacional de Saúde é o de prestar cuidados de saúde de proximidade, com qualidade e eficiência a todos os utentes, o que não acontece na minha terra, o que não acontece na Baixa da Banheira e Vale da Amoreira.

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