Ostra do Sado em fase de recuperação

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Investigadores confirmam a expansão das populações naturais da costa portuguesa, com destaque para o Estuário do Sado

 

Os bancos naturais de ostra portuguesa do Estuário do Sado têm vindo a recuperar nos últimos anos. Esta é uma das conclusões do projecto CRASSOSADO, que elaborou um estudo científico patrocinado pela The Navigator Company, em parceria com o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Tudo começou há cinco anos quando Maria de Jesus Fernandes, directora do Departamento de Conservação da Natureza e das Florestas de Lisboa e Vale do Tejo começou a receber vários pedidos dos ostreicultores para a instalação e produção de ostras. “Os meus técnicos diziam que não podíamos aprovar os processos. E, portanto, deparámo-nos com um problema de falta de informação sobre o estado das ostras”, explicou na apresentação do projecto CRASSOSADO, que decorreu esta terça-feira, 21, no Moinho de Maré da Mourisca, em Setúbal.

Em virtude da falta de respostas, Maria de Jesus Fernandes contactou com alguns investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), que se juntaram a alguns elementos da Universidade de Aveiro (UA) e do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) para estudar o assunto.

E foi precisamente com o intuito de caracterizar o estado actual da ostra portuguesa e determinar as principais ameaças e oportunidades para a sua exploração, que foi lançado o projecto CRASSOSADO. “O projecto nasceu em 2014-2015, com o intuito de estudar as condições de desenvolvimento da ostra portuguesa (Crassostrea angulata) no Estuário do Sado e enquadra-se na colaboração de longa data com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, uma entidade tão relevante para a protecção e valorização do património florestal e espaços florestais do nosso país”, afirmou Diogo da Silveira, CEO da The Navigator Company.

O projecto contou com duas fases. “A primeira (2014-2016) foi mais voltada para analisar as questões da ecologia e na segunda (2016-2017) procurámos compreender as necessidades dos ostreicultores da região”, acrescentou José Lino Costa, professor da FCUL.

Deste modo, as conclusões do estudo prenderam-se com a expansão recente das populações naturais, sobretudo no canal de Alcácer do Sal; a presença de populações relevantes permanentemente emersas, algo que nunca tinha sido estudado; o bom estado de conservação dos bancos sobretudo a montante e a confirmação da época de reprodução alargada, de Abril a Outubro.

Por outro lado, de acordo com as palavras de José Lino Costa, concluiu-se igualmente que “as condições do canal de Alcácer do Sal são desfavoráveis à obtenção de ostras de boa qualidade, mas as boas notícias é que se elas forem transplantadas para a zona da baía podemos melhorar as suas características e contribuir para a sua valorização comercial”.

Agilização dos processos de licenciamento, melhoria da organização dos produtores, aumento das concessões atribuídas, criação de apoios específicos para o sector e a criação de uma certificação de origem do produto para a sua valorização foram os pedidos requeridos pelos ostreicultores entrevistados pela equipa de investigadores durante o estudo.

No final da sessão, Maria das Dores Meira, presidente da Câmara de Setúbal, deu “os parabéns à equipa de investigação por este notável estudo, que vai permitir que os nossos ostreicultores possam, de facto, fazer aqui a sua actividade com maior segurança”.

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