SEIXAL | Dívidas da cooperativa ‘Pelo Sonho’ podem deixar cerca de 50 no desemprego

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Cerca de 50 funcionários da cooperativa de solidariedade social “Pelo Sonho”, no Seixal, estão com “medo” de perder os postos de trabalho, ao que a direcção garantiu hoje que tem “procurado activamente soluções” para garantir a sustentabilidade da instituição.

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“A cooperativa tem um monte de dívidas”, disse à Lusa Susete Ângelo, delegada sindical do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas (STFPSSRA), que trabalha há 17 anos nesta instituição do Seixal.

Segundo esta funcionária, a situação financeira da cooperativa “Pelo Sonho” é complicada, com subsídios de férias em atraso desde 2014, mexidas nos ordenados, dívidas a fornecedores e rendas em atraso dos imóveis arrendados para uso da instituição, existindo já ordens de despejo.

Neste âmbito, os trabalhadores acusam a actual direcção de “má gestão” e exigem a sua demissão.

“Os funcionários estão com medo de perder os postos de emprego”, afirmou a delegada sindical do STFPSSRA.

De acordo com Susete Ângelo, há processos judiciais a decorrer em tribunal, tendo-se realizado já audiências para avaliar as dívidas da cooperativa a cada funcionário.

Em resposta à agência Lusa, a direcção informou que “a cooperativa não tem salários em atraso, existem sim atrasos no pagamento de subsídios”.

“De igual modo, o pagamento aos fornecedores também tem sido gerido com dificuldade, havendo dívidas”, reconheceu a actual gestão, sublinhando que as dificuldades económicas da cooperativa não são “recentes”, indicando, por exemplo, que “em 2009 os subsídios de férias foram pagos faseadamente”.

Neste sentido, a direcção da cooperativa de solidariedade social “Pelo Sonho” manifestou-se “disponível para continuar a lutar” pela sustentabilidade da instituição.

“A questão da sustentabilidade da cooperativa é a nossa maior preocupação. Temos procurado activamente soluções. Sabemos que só com sinergias entre parceiros, nomeadamente Segurança Social, Câmara Municipal do Seixal e Juntas de Freguesia, se conseguirá ultrapassar esta fase de grande dificuldade. Esse trabalho está a ser feito”, garantiu a direcção.

Na perspectiva da administração da cooperativa, “a crise que o país tem atravessado nos últimos anos tem reflexo em todos os sectores também no sector social”, indicando que os recursos económicos disponíveis para a instituição “Pelo Sonho” baseiam-se em três factores principais: acordos de cooperação existentes com a segurança social, mensalidades das respostas educativas e apoios de parceiros e mecenas.

“No caso da cooperativa, verifica-se uma diminuição da capacidade económica das famílias, com consequente reflexo no valor da mensalidade da creche (calculada proporcionalmente com o per-capita do agregado familiar) e ainda com a capacidade de cumprimento do pagamento da dita mensalidade, resultando no acumular de dívidas muitas vezes incobráveis”, revelou a direcção, avançando que os apoios dos parceiros e mecenas também diminuíram substancialmente.

Já os acordos com a Segurança Social são cumpridos, mas “o pagamento é variável, de acordo com o número de utentes que a cooperativa tem”, indicou a actual gestão.

“A título de exemplo, neste momento, temos o lar de jovens com 70% das vagas preenchidas, mas os custos fixos de maior relevo como é evidente mantêm-se”, declarou à Lusa a direcção da cooperativa.

Criada há 20 anos, a cooperativa de solidariedade social “Pelo sonho” dispõe, actualmente, de oito equipamentos de respostas sociais, nomeadamente três de respostas de acolhimento, três de respostas educativas e dois de respostas à comunidade.

“Ao todo, nestas oito respostas sociais a Cooperativa tem cerca de 50 funcionários e 150 utentes” , informou a direcção.

Lusa

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