Quem diz que é pequeno caminho?

Opinião
Valdemar Santos

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Militante do PCP
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O Manifesto reclamando “Justiça para a Palestina”, da iniciativa do MPPM – Movimento pelos Direitos do Povo e pela Paz na Palestina – lançado a 2 de Novembro na Fundação José Saramago, em Lisboa, é uma das traves-mestra de um expressivo conjunto de acções em curso, assentando no facto de 2017 ser o ano em que se assinalam três datas de significado profundamente doloroso para esse povo irmão: “os cem anos da Declaração de Balfour, na qual o Governo Britânico prometeu ao movimento sionista a criação de um lar nacional judaico na Palestina; os 70 da partição da Palestina, adoptada pela ONU em 1947, da qual resultou a criação do Estado de Israel e consequente Nabka (catástrofe) em 1948, processo de limpeza étnica que se traduziu na demolição de mais de 530 aldeias e na expulsão de 750 palestinos da sua terra natal (o que propiciou a 1º Conferência Europeia sobre os Colonatos Israelitas no passado dia 6, em Bruxelas, onde se juntaram personalidades, jornalistas, partidos, organizações e movimentos de solidariedade de 24 países, entre os quais o PCP); os 50 do início da ocupação por Israel da Margem Ocidental, de Jerusalém Oriental, da Faixa de Gaza e dos Monte Golã e do processo de colonização”.
Cinquenta anos, pois, de arrastamento de uma promessa por cumprir, a da criação do Estado Palestino previsto na Resolução 181 da ONU, e da ofensiva de alargamento contínuo da ofensiva terrorista morticida, apoiada acima de tudo pelos Estados Unidos e seus apaniguados.
Uma Petição decorre em igual tempo, reclamando das autoridades portuguesas a assinatura e ratificação do Tratado de Proibição das Armas Nucleares adoptado a 7 de Julho passado, sempre em sede da ONU, partilhado por 122 Estados promotores. Aqui retomou a dianteira, naturalmente, o Conselho Português para a Paz e Cooperação, CPPC, que ao governo português, faltoso, só lembra o artigo 7º da Constituição da República Portuguesa preconizando o “desarmamento geral, simultâneo e controlado”, e que tão pouco aceita, para reproduzirmos um termo transcrito pelo Avante! de 16 deste mês, fazer “vista grossa aos exercícios de guerra nuclear” de Trump, bem na ordem do dia.
É assunto do lado de lá do hemisfério, parece. Mas num nosso, de todos nós pequeno caminho de dois concelhos vizinhos que a Baía do Sado bordeja, duas oliveiras estão plantadas: no Jardim de Palhais, em Setúbal, pelas mãos de eleitos autárquicos, de militantes do MDM, Movimento Democrático de Mulheres, e do representante da Frente Polisário em Portugal, Ahmed Fal – e foi no Dia Internacional da Mulher de 2015; na Rotunda do Ovelheiro, na Quinta do Anjo, pelas mãos igualmente de eleitos autárquicos, do Conselheiro da Missão Diplomática Palestiniana, Fadi Alzaben, de dirigentes do MPPM e da CGTP-IN, e de um grupo de alunas e alunos do Colégio Islâmico de Palmela, a 30 de Março deste ano.
E porquê? Era o Dia da Terra das pedras levantadas do chão.

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