Reacção vitoriana na Luz não impede adeus à Taça de Portugal

Desporto B

Sadinos exibiram-se a bom nível no segundo tempo. João Capela não assinalou penálti que poderia repor igualdade

O sonho do Vitória de Setúbal em atingir a 11.ª final da Taça de Portugal de futebol chegou anteontem ao fim no Estádio da Luz ao perder com o Benfica, por 2-0, na quarta eliminatória da competição. Cervi, aos 25 minutos, e Krovinovic, aos 81, fizeram os golos que apuraram as águias para os oitavos-de-final.
Os sadinos terminaram a partida com razões de queixa da arbitragem, uma vez que João Capela, aos 80 minutos, deixou passar em claro uma grande penalidade cometida por Bruno Varela quando o resultado estava 1-0. O guarda-redes derrubou o atacante sadino, mas o juiz lisboeta, nada assinalou, possibilitando o contra-ataque que deu origem ao 2-0 dos lisboetas.
Ainda sem poder contar com o capitão Vasco Fernandes (cumpriu o segundo e último jogo de castigo), Semedo, após paragem devido a lesão, regressou ao onze para forma dupla no eixo da defesa com Pedro Pinto. A pensarem na deslocação ao reduto do CSKA Moscovo, para a Liga dos Campeões, o Benfica também procedeu a várias alterações no onze.
No arranque do encontro, o Vitória foi o primeiro a visar a baliza encarnada. O médio Nenê Bonilha procurou adiantar os sadinos, num pontapé de ‘ressaca’ que saiu perto trave. Na reação encarnada brilhou o guarda-redes Cristiano (substituiu o habitual titular Trigueira), que, em três ocasiões, evitou as tentativas benfiquistas, a primeiras das quais por Krovinovic.
O guardião visitante voltaria a impor-se, à passagem dos 15 minutos, ao negar o 100.º golo de Jonas com a camisola ‘encarnada’, antes de se opor, novamente com eficácia, a um cabeceamento de Luisão. Após os avisos e a superioridade das águias no primeiro tempo, Cristiano pouco poderia fazer para evitar o forte pontapé de Cervi que colocou o conjunto da Luz em vantagem.
Numa das poucas vezes em que o Vitória de Setúbal conseguiu chegar perto da área adversária, João Amaral trabalhou bem sobre Samaris e, por pouco, não conseguia o empate, dando o mote para o que viria a suceder na segunda parte. Os sadinos entraram no segundo tempo determinados em causar danos ao adversário.
Num desses lances, o veloz Arnold foi ganhando terreno na direita e deixou André Sousa em boa posição, mas o jovem sadino não acertou com o alvo. Aos poucos, o Benfica ia concedendo mais espaços para o Vitória atacar, sendo que, por outro lado, praticamente deixava de incomodar Cristiano, excepção feita a uma combinação entre Krovinovic e Grimaldo, que quase permitia que o croata dilatasse a vantagem.
De resto, se na primeira parte Cristiano foi evitando o tento benfiquista, na etapa complementar foi o regressado Bruno Varela a segurar a vantagem, nomeadamente à passagem da hora de jogo, quando teve duas intervenções decisivas no mesmo lance, defendendo o remate de Arnold e a recarga de Semedo.
Com o Vitória a dominar, surgiu, aos 80 minutos, o lance em que o guardião benfiquista derrubou João Amaral no interior da área e em que os sadinos ficaram incrédulos por João Capela não ter assinalado para a marca de grande penalidade que daria a possibilidade de o Vitória tentar repor a igualdade.
No seguimento da jogada, as águias marcaram. Depois de ter inaugurado o marcador, Cervi surgiu pela esquerda e assistiu Krovinovic, que se estreou a marcar pelo Benfica, fechando as contas do apuramento. Antes do apito final, o médio João Teixeira fez uma última tentativa para os sadinos marcaram, mas o remate não acertou o alvo, mantendo-se o placar em 2-0 para os anfitriões.

José Couceiro
«Há grande penalidade sobre João Amaral»
“Em primeiro lugar quero realçar o comportamento e a atitude dos jogadores do Vitória, em particular o Semedo que vem de uma lesão no ligamento.
O jogo teve momentos diferentes. Somos uma equipa mais baixa, sofremos um golo na sequência de um canto. Podíamos ter marcado antes de o Benfica ter feito o 2-0. Parece-me que há grande penalidade sobre o João Amaral. Esse lance decide a eliminatória. O Vitória veio com a intenção clara de passar a eliminatória. Penso que o 2-0 é pesado para nós. Neste momento, vamos recuperar e ver quem é que consegue ter uma recuperação mais rápida para o próximo jogo, por coincidência com o Benfica, aqui no Estádio da Luz, para o campeonato.
Quanto jogamos com as equipas grandes sentimos sempre o mesmo. Os médios são travados em falta e os adversários não são advertidos. Acho que a 18.ª lei do jogo não prevalece, que é o bom senso. Interessa-nos analisar o que de menos bom foi feito. Houve muitas coisas bem feitas. Não adianta mudar o nosso foco.
Daqui uma semana viremos com o mesmo tipo de atitude com a intenção clara de querer ganhar o jogo. As equipas tentam jogar bem e quando isso acontece estão mais perto de vencer.
Estamos tristes porque fomos eliminados, queríamos continuar. Não pretendemos vitórias morais. Tenho de me preocupar com todas as questões que influenciam o rendimento dos jogadores. Nós não podemos controlar as situações externas. Quero manter o foco na equipa. Só jogando bem é que conseguimos manter os nossos objectivos. Agora não adianta estar aqui com lamentações.
Desde o início da segunda parte sentíamos que poderíamos empatar o jogo. O minuto em que Varela faz duas defesas é decisivo no jogo. Se há grande penalidade poderíamos ter empatado, mas o árbitro entendeu que não era falta.
O que mais irritou os jogadores é que houve um jogador que fez uma série de faltas e não foi advertido. Os médios defensivos das equipas maiores travam todos os ataques com falta e as equipas mais pequenas, que têm de sair muitas vezes em transição, são as mais penalizadas. Não vejo que o desequilíbrio seja bom para a competição.
Os ciclos mais negativos são sempre ciclos para vencer. Ninguém entra derrotado para um jogo. Sabemos o que o Benfica tem. Porque não quebrar o ciclo no próximo jogo?”

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