O circo da oposição, a «geringonça» e o Presidente

Opinião

Se estivessem no governo fariam assim e assado. Melhor que os outros, claro. Mas quando lá estiveram não fizeram. É o circo da oposição. Palhaçada que não diverte. Emproados e a sacudir água dos capotes, aproveitam as desgraças dos fogos e enveredam pela chicana. Estão na mó de baixo e pretendem levantar-se. A qualquer preço. Desprezível maneira de fazer política. Desespero de quem levou sova nas autárquicas e precisa de marcar pontos. A recuperação económico-financeira e social, e a saída da depressão em que afundaram o país, enaltecidas lá fora, desorientou-os. Afinal, a «geringonça», que deveria ser a engenhoca governativa a escangalhar-se ao virar da esquina e à primeira pedra no caminho, funciona, apresenta resultados, mantém-se firme. Razão para os fanáticos do austerismo combaterem a solução das esquerdas por todos os meios e com qualquer arma. Os fogos são um lastimável pretexto para o cantar de galo dos oportunistas. As vítimas mereciam mais respeito.

A dona Cristas e os correligionários levantaram a crista. Ensoberbaram-se. De peito feito, vá de moção de censura. Qual sentido de Estado! Politiquice partidária. Cantigas para néscios. Demagogia a pataco. A dona sabe que naquela conjugação de condições propícias ao lavrar das chamas, não havia santa que nos valesse. Mas acusa o governo pela floresta, casas e bens ardidos, pelas mortes, pelo sofrer das populações. É como se o seu partido não tivesse feito parte de vários governos que não resolveram os problemas dos interesses, do ordenamento da propriedade e da floresta, do abandono do interior, da ruralidade, da proteção civil. É como se esquecesse a sua atuação enquanto ministra e os embargos que criou à resolução de problemas relacionados com os fogos. Atirar pedras aos outros quando temos telhados de vidro, é infâmia.

Décadas de conversa fiada, inação, tempo perdido, desleixos, irresponsabilidades. Este governo também errou. Anuncia agora um conjunto de medidas propostas por uma comissão independente e de créditos reconhecidos. Louvável, todavia pequeno consolo, após meio país ardido, tantas vidas perdidas ou desfeitas e tamanhos prejuízos provocados.

À esquerda, o que havia a fazer: criticar o criticável na atuação do executivo, propor e forçar medidas para a resolução dos problemas, honrar o acordo governativo.

O Presidente liderou e exigiu respostas, com a serenidade e a independência que esperamos dele. Não lhe dei o meu voto, estou à vontade. Vê-lo a percorrer o Portugal devastado, a distribuir simpatia, carinhos e esperança, é reconfortante para qualquer português. A mim agrada-me, sobremaneira. As relações humanas não atingem a plenitude, sem afetos. Quem despreza os afetos é coração empedernido ou é macambúzio. Ainda bem que temos um Presidente de proximidade e de afetos. E isento. Há quem não goste do estilo. Mas ser popular e imparcial não são defeitos, são qualidades. Que diferença para o sectário e macambúzio que o precedeu!

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