Luta partidária “assalta” Liga dos Amigos de Sesimbra

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Associação que edita jornal ‘O Sesimbrense’, quase centenário, vive eleições mais disputadas das últimas décadas. Geralmente é difícil haver uma lista concorrente aos órgãos sociais mas agora há três, com interesses partidários em confronto. Rui Novo, primeiro candidato a avançar, diz que a disputa politica autárquica instalou-se neste processo eleitoral

 

As eleições para os órgãos sociais da Liga dos Amigos de Sesimbra, associação fundada 15 de Novembro de 1951, que edita o quase centenário jornal ‘O sesimbrense’ – fundado a 25 Julho 1926 – marcadas para o próximo dia 28, são as mais concorridas das últimas décadas, com três listas candidatas e o envolvimento dos interesses partidários de PS, BE e CDU.

Nas ultimas décadas tem sido difícil os associados – cerca de 500 actualmente – conseguirem uma lista com concorrentes a todos os lugares mas este ano, segundo o primeiro candidado conhecido, a disputa partidária autárquica transferiu-se para o processo eleitoral da associação.

Rui Novo, cabeça da primeira lista a candidatar-se explicou ao DIÁRIO DA REGIÃO que aceitou candidatar-se depois de Carlos Sargedas e Félix Rapaz terem desistido de avançar precisamente por saberem das movimentações partidárias, de pessoas ligadas a BE e PS.

“Aceitei ser candidato na tentativa de fazer uma lista de unidade e iniciámos contactos mas fomos surpreendidos pela formação de uma lista de pessoas ligadas ao Bloco de Esquerda que se juntaram ao Partido Socialista. Sabendo disto, a CDU constituiu também uma lista para ir contra BE e PS. Ou seja, estão a tomar de assalto o jornal e a liga dos Amigos de Sesimbra”, afirma Rui Novo.

Uma versão que Carlos Sargedas, fundador do movimento independente Sesimbra Unida (MSU) que tem concorrido nas duas últimas eleições autárquicas confirma, acrescentando que desde Maio não havia ninguém interessado em concorrer às eleições na Liga dos Amigos de Sesimbra.

“Apareceu uma lista para tentar fazer oposição, ainda que disfarçada, e outra para evitar que isso aconteça”, diz Carlos Sargedas, revelando que muitos dos agora candidatos foram inscritos propositadamente nas últimas semanas, com as novas inscrições aproximarem-se das 50.

Segundo Rui Novo, a liga está numa “situação muito preocupante, e o jornal, como outros jornais nacionais, também enferma de problemas”.

Rui Novo, que encabeça a que deverá ser a Lista A, diz que se trata da única lista apartidária do conjunto das três formações candidatas. A lista conotada com PS e BE, encabeçada por Carlos Macedo, deverá ser a B e a lista de pessoas ligadas à CDU deverá ser a Lista C, se for mantida a ordem de entrega das candidaturas.

“Queremos um órgão apartidário. Se uma lista partidária ganhar não haverá hipótese de paz.”, avisa Rui Novo, para quem o aparecimento de três listas é “uma surpresa completa”.

O candidato recorda que Sesimbra tem sido nas autárquicas o concelho do país com mais abstenção, diz que esta disputa na conhecida associação local “só afasta mais as pessoas” a garante que se soubesse deste desfecho não se teria candidatado

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