Atribuição de pelouros gera polémica entre socialistas e comunistas

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A CDU do Barreiro afirmou que o PS local excluiu os seus eleitos na distribuição de pelouros para o executivo municipal, contudo os socialistas negam a acusação e afirmam que pretendem contar com todos os que desejam trabalhar em prol do concelho.

O Partido Socialista, em comunicado, explica que poucos dias depois de vencer as eleições, enviou à CDU, PSD, BE, PAN e MCI um pedido escrito de reunião para abordar as condições de governabilidade das autarquias locais.

“Com excepção do PCP, todas as forças políticas anuíram a este pedido. O PCP recusou, expressamente e por escrito, aceitar o estabelecimento de conversas entre partidos, exigindo que todos os diálogos fossem mantidos entre eleitos e atrasando deste modo todo o processo”, explicam os socialistas.

O PS refere que o presidente da autarquia, Frederico Rosa, se reuniu com os eleitos do partido comunista, por três vezes, e que ficou acertado que o diálogo continuaria depois da primeira reunião de Câmara.

Isto, já depois de a CDU ter recusado integrar a mesa da Assembleia Municipal (20 de Outubro), a mesa da União de Freguesia do Barreiro/Lavradio (18 de Outubro) e a presidência da mesa da União de Freguesias do Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena (18 de Outubro).

Os socialistas garantem que continuam disponíveis e que esperam que a CDU reconsidere a sua posição.

“Caso o PCP não pretenda assumir responsabilidades de governação terá de o assumir, claramente, perante o eleitorado do Barreiro. E vamos mais longe: caso a primeira eleita Sofia Martins, ou alguma facção mais radicalizada do PCP, não o deseje fazer, o que é legítimo, mas criticável, não desistiremos de contar com o contributo dos restantes três vereadores eleitos da CDU”, conclui o documento.

Estas afirmações surgem depois da coligação, em comunicado, ter afirmado que, apesar de terem existido conversas iniciais sobre a divisão de responsabilidades e estas indiciarem uma abertura para distribuir pelouros à CDU, até hoje “não foi apresentada qualquer proposta pelo PS”.

A coligação, que foi a segunda força mais votada no concelho, explica que se reuniu no dia 30 de Outubro com o presidente da Câmara Municipal do Barreiro e que este assegurou que “tudo estava em aberto” e que se “comprometeu” a apresentar uma proposta.

Depois disso, “tomámos conhecimento que a 26 de Outubro foram designados os representantes do município em várias entidades externas e Conselho de Administração dos TCB, abrangendo todos os vereadores do PS e PSD, que foi aprovado um tempo inteiro para o eleito do PSD e que a 30 de Outubro o presidente distribuiu todos os pelouros a todos os eleitos do PS e PSD”, refere o mesmo documento.

Para os comunistas a situação tornou-se ainda mais grave e “representativa da profunda falta de respeito e de seriedade” quando verificaram que “no mesmo dia em que o Presidente da Câmara afirmava à CDU que tudo estava em aberto, assinava um despacho com a distribuição de todos os pelouros pelos eleitos do PS e PSD do qual os eleitos da CDU tomaram conhecimento, quatro dias depois, pela comunicação social”.

A coligação salienta que o comportamento do PS no Barreiro é “inseparável” do que aconteceu em Almada, Alcochete ou Montijo, considerando que “excluiu em absoluto a CDU da participação nas respectivas Câmaras Municipais”.

Por sua vez, o único eleito do PSD, Bruno Vitorino, afirma que os eleitos social-democratas “estão hoje, como sempre estiveram, disponíveis para trabalhar pelo Barreiro e para os barreirenses”.

O vereador do PSD informou, através de um comunicado, que se disponibilizou para trabalhar num conjunto de áreas, para as quais entendia que o seu contributo ajudaria o concelho, e que aceitou “as áreas que o presidente da Câmara Municipal do Barreiro entendeu propor”.

Bruno Vitorino reafirmou também que “quem ganha governa”, mas “quem ganha sem maioria absoluta tem que dialogar. O PSD não é, nem nunca foi, adversário do Barreiro, pretendemos sim trabalhar pelo concelho. Por isso sempre estivemos disponíveis para aceitar pelouros, desde que também sejam dadas condições para trabalhar nessas áreas”.

Contudo, garante que “não passa cheques em branco”, pois os mesmos que deram a maioria ao PS na autarquia, também votaram no PSD para estar no executivo a fiscalizar a actividade da Câmara Municipal.

Quanto à relação com os socialistas, o eleito do PSD explicou que “não há acordos nem coligação, mas sim a procura de pontes, diálogo e entendimento”, afirmando que não vai “deixar cair” as suas propostas eleitorais e que estas vão voltar a ser apresentadas.

Na autarquia do Barreiro, que é liderada pelo socialista Frederico Rosa, foram distribuídos pelouros pelos quatro eleitos do PS e pelo único vereador do PSD, enquanto os quatro vereadores da CDU estão sem pelouro.

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