Amor Electro – A banda

Opinião
Andre Marques
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Dois Mil e Onze. Um ano comum do século Vinte e Um. Com princípio a um sábado, segundo o calendário gregoriano. Um ano marcado pelas manifestações nos países Árabes. O ano da morte de Amy Winehouse, em Londres. O ano do fim da trilogia que o cantor e compositor português Fausto Bordalo Dias inaugurou em Mil Novecentos e Oitenta e Dois, com “Por este Rio Acima”. E o ano dos Amor Electro. A veleidade de criar algo desigual, inspirador, provocador. O provir de Marisa Liz, Tiago Pais Dias, Ricardo Vasconcelos e Rui Rechena. Amizade a perder de vista.

O álbum de estreia “Cai o Carmo e a Trindade” foi lançado em Abril de Dois Mil e Onze. E desde então não têm parado de crescer. Porque o amor é parte integrante. Ou a base de todas as coisas, que é a mesma substância. No momento atual são uma das presenças principais da moderna música feita em português.

Sentir a música é expor na alma um corpo inteiro, e todas as sensações lavradas em pedra. A modernidade aliada à voz teatral de Marisa Liz. O registo principal. O arrepio dos pés à cabeça. As tradições. As raízes populares. A portugalidade obrigatória, emocional, extrema. Um álbum que canta além dos “Sete Mares”, sempre com um “Amanhecer” melhor. A banda que toca “Onde Tu Me Quiseres”. Para lá do mundo, por exemplo. Num “Barco Negro” elevado aos céus por Amália Rodrigues. O repleto sangue português. Um país inteiro e “A Máquina”. A canção epígrafe. A guitarra lusitana e o rock imposto antes de tudo. Porque é assim que o rock existe. Um estilo que não se deixa corromper por zonas de conchego. A atitude colocada em palco de uma forma absolutamente intrínseca. A entrega assertiva. Temas que fazem parte da vida das pessoas e de uma forma de existir que só e apenas os Amor Electro conseguem transmitir.

O aclamado segundo disco de originais irrompe no ano Dois Mil e Treze. A “(R)evolução” evidente. A conversa entre o que pertence à casa que os viu despoletar para o mundo e a particularidade de lugares ainda não percorridos. Um Portugal cada vez mais rock. Um Portugal cada vez mais exigente e ligado às grandes interpretações. Um álbum que traz na bagagem uma sentida homenagem a José Luís Tinoco, com o tema “No Teu Poema”, e a Fernando Tordo, com a canção “Adeus Tristeza”. E o primeiro arrancamento com “A Nossa Casa”. Uma canção que percorre as veias da genialidade. Uma nova roupagem de alma. O electro maduro e a mesma envolvência com o público. Um amor seguido de “Só É Fogo Se Queimar”, com letra e música de Jorge Cruz. A música “100 Medos”, que “Rasga A Saudade” num ápice, e que dissipa um género de “Adeus Tristeza” a tudo o que nos provoca aflição. E é sempre no “Esplendor Do Vendaval” que brota uma “Flor Azul”.

Em Dois Mil e Catorze surge a reedição do álbum “(R)Evolução”, que abrange o título “Mar Salgado”, da autoria da dupla Tiago Pais Dias e Marisa Liz, a que se juntou a gravação do “Concerto Mais Pequeno Do Mundo”, da Rádio Comercial. Agora também com Mauro Ramos. O membro oficial. O baterista imponente.

Em Dois Mil e Dezasseis a banda desperta com uma nova colisão. O single “Sei” feat Miguel Pité, MC dos Megadrive, que fará parte do novíssimo álbum de originais. O som que invoca o acordar das cidades, o tremor dos pássaros, o amor efervescente.

Em suma, estou convencido de que os Amor Electro são uma espécie de deus que ajudam a modificar a falta de amor através da música. A equipa toda reunida. A banda disposta a partir tudo. No bom sentido, claramente. É Amor. É Electro.

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