MONTIJO | Nuno Canta aposta tudo no aeroporto

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Novos órgãos municipais instalados. Presidente da Câmara “elegeu” investimento da tutela como âncora para estratégia de acção nos próximos quatro anos. Cerimónia ficou ainda marcada por despedida de Maria Amélia Antunes

MÁRIO RUI SOBRAL

A instalação da infra-estrutura aeroportuária na Base Aérea n.º 6 do Montijo, complementar à Portela, por parte do Governo, está no “centro do radar” da estratégia de investimentos que o novo executivo camarário, presidido por Nuno Canta, defende para os próximos quatro anos no concelho. Da implantação do novo aeroporto, que aguarda por luz verde do Governo para se fazer à pista no Montijo, derivará muito da acção autárquica da nova maioria socialista (agora absoluta) para o futuro próximo do território, conforme deixou antever o discurso do presidente reeleito, durante a cerimónia de instalação da Câmara Municipal, realizada esta sexta-feira, no salão nobre dos Paços do Concelho.

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“O novo mandato ficará marcado pela construção de novas infra-estruturas. Falo-vos do novo aeroporto no Montijo, no Seixalinho. É um processo sem paralelo no resto do País e que constitui uma verdadeira transformação no Montijo e na região de Setúbal”, disse Nuno Canta, lembrando que essa transformação suscita “oportunidades e desafios”, gera “esperanças e angústias, motiva expectativas e cria problemas”, o que obriga a uma gestão do processo com “ambição, lucidez e, ao mesmo tempo, serenidade”.

Todo o processo do aeroporto, adiantou, será desenvolvido em “permanente diálogo com todos” e com total garantia de “segurança ambiental”, salvaguardando a “defesa dos interesses do Montijo”.

“O novo aeroporto é uma oportunidade de excelência e os objectivos de um crescimento inteligente, inclusivo e sustentável são as linhas inspiradores que assumimos no desenvolvimento deste processo”, admitiu, sublinhando que o novo equipamento trará “novas exclusões, geradas pelo desenvolvimento”, que vão exigir “prioridade” às políticas de coesão. “Há que mobilizar as forças vivas, parceiros sociais, empresas e agentes de desenvolvimento local. O Montijo deverá dinamizar a constituição de uma aliança, que permita uma estratégia de desenvolvimento justo e sustentável, que promova a competitividade, o emprego e a coesão de todos os montijenses”, considerou, antes de sublinhar a política de proximidade aprofundada nos últimos quatro anos.

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Proximidade e eixos de acção

Nuno Canta prometeu, assim, continuar a apostar na “descentralização de competências e meios para as freguesias” com o intuito de melhorar o serviço público. Uma aposta no aprofundamento da descentralização de competências “na Educação, na Saúde, nos Transportes, na gestão da frente ribeirinha”, apontou, acrescentando que a nova maioria socialista tem “uma ideia mobilizadora para o Montijo, com os desafios e as oportunidades do novo aeroporto no Montijo”.

A finalizar, salientou os eixos de acção para o novo mandato. Um Montijo próximo e participado; um Montijo sustentável (ambiental e energeticamente); um Montijo competitivo (capaz de atrair investimento, gerar emprego e com mais Educação); um Montijo mais internacionalizado (que aposte na Cultura e no Turismo); e um Montijo que assegure direitos sociais. “Montijo é de todos, feito de todos, porque somos todos Montijo”, concluiu Nuno Canta, aludindo ao lema de campanha utilizado.

 

Maria Amélia Antunes despede-se com ética

Antes, a presidente da Assembleia Municipal cessante, Maria Amélia Antunes – que instalou os órgãos municipais –, despediu-se de um ciclo ininterrupto de quase três décadas ao serviço do Montijo, enquanto autarca.

“Um ciclo autárquico de oito anos na Assembleia Municipal, na oposição, 16 anos como presidente da Câmara e quatro como presidente da Assembleia Municipal”, lembrou. “Foi com enorme orgulho que, como autarca socialista, vi crescer um concelho desorganizado e sem rumo num concelho planeador e executor de uma visão estratégica”, frisou Maria Amélia Antunes, enumerando alguns dos investimentos concretizados ao longo desse período, desde logo a começar pela aposta desenvolvida na área da Educação e no sector da acção social. Exemplos apontados, disse a socialista, apenas para justificar o que os autarcas do PS fizeram “com o apoio de técnicos e funcionários pela modernidade” do concelho.

Em jeito de balanço, Maria Amélia Antunes resumiu o trabalho desenvolvido, realçando valores e princípios. “Foi um trabalho norteado pelo sentido das responsabilidades, sem ceder ou capitular perante os interesses ilegítimos, nos momentos de dificuldades e adversidades. Combatemos a corrupção e erguemo-nos sempre na defesa dos valores éticos”, atirou, justificando de seguida: “Talvez sejamos a única autarquia do País que aprovou em reunião de câmara um código de ética.”

A socialista estabeleceu depois uma ponte entre o passado e o futuro. “Olho para o passado com inabalável confiança no presente e no futuro do poder local democrático, bem como no futuro de todos os que lutam por uma sociedade mais justa e mais igual”, observou, para mais à frente citar Miguel Torga: “O que é bonito neste mundo, e anima, é ver que na vindima de cada sonho fica a cepa a sonhar outra aventura…”.

A concluir, Maria Amélia Antunes foi lapidar: “Obrigada a todas e a todos que me acompanharam desde a primeira hora, nos bons e maus momentos, aqueles que ousaram remar contra a corrente e não traíram a esperança até ao fim.”

 

Catarina Marcelino presidente da Assembleia Municipal

Após a tomada de posse, teve lugar a primeira reunião da Assembleia Municipal para instalação da mesa do órgão. A mesa ficou constituída por Catarina Marcelino (presidente); Isidoro Santana (1.º secretário); e Sandra Lopes (2.ª secretária), todos eleitos pelo PS.

Fotos: CMM

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