Tempo de mudar

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Assevera o tempo. O relógio. Com os ponteiros todos. Oferece uma outra orientação à tua vida. É sempre tempo de fazer algo. O medo não persiste. Aniquila a atitude traiçoeira e todos os atos discriminatórios. Não te percas em frases soltas. Não te percas em pensamentos vãos. Acredita piamente que mereces habitar o mundo. Com as mãos fora dos bolsos. Com as gaivotas presas ao céu e os sonhos todos por realizar. O tempo passa. Não obedeças ao receio. Enfrenta a vida. Encontra-te. Descobre-te. Mas com vontade. Não percorras atalhos. Segue pela avenida principal. E nunca suavizes os pormenores. A vida reside nas particularidades. Nas pequenas coisas. Onde fores vida, fica.
O comodismo hostiliza riscos. Depende de ti torná-lo essencial. O egoísmo exposto. Os golpes à flor da pele. Não sejas como os outros. Os que sentem apreensão de experimentar algo diferente. Mesmo que percorrer novos destinos carregue perigos vários, acredita que não caminhar absolutamente nada é igualmente temerário.
Reflete. Procura um lugar inspirador. Procura dentro de ti as razões. Procura tudo dentro de ti. O Castelo de Sines, por exemplo. Ou o mais imponente Miradouro do Monte da Praia Vasco da Gama. O Castelo erguido durante a primeira metade do século XV. As águas calmas. Alenta. Aumenta os braços, e recebe o mundo. Sente o ar todo, os amores por desvendar, os cães soltos, e a terra por pisar. É tudo teu. Basta estimares. Aproveita o areal extenso. Observa as formações rochosas e vive. Não há nada mais existencial. Saber observar à nossa volta. Como diz Fernando Pessoa “É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”.
Abdica da zona de conforto. Renuncia o quentinho. Apenas tu tens a capacidade de praticar as escolhas certas. A mudança é imperativa. O certo do incerto. A certeza de que tudo pode mudar a qualquer instante. Supera-te. O foco principal.
Existes um novo amor. Não enalteças a injustiça perante alguém que te faz bem. A vida requer agradecimentos vários. Sempre. Não aceites o amor pela metade da laranja. Tens o direito de querer tudo. E quando digo tudo, é mesmo tudo. Mas não confundas as coisas. Amar não é apenas ter fé religiosa. O amor deve ser superior à felicidade. Aceita que alguém mude a tua vida. Aceita que alguém te vire do avesso. Aceita alguém que te faça correr o risco. Não esquives os afetos. Ou perdes a vida. E isso tu não queres. Dorme dentro de um abraço. Acorda feliz. Permite-te à pressa de viver bem. Não tenhas medo de envelhecer a satisfação. Não procures as causas do amor. Apenas sente. E todos os sentires são permitidos. O parecer por dentro do centro histórico de Sines que se estende ao longo da falésia, do Castelo ao Forte de Revelim. Os beijos destapados pelas ruas comerciais. Os abraços desprendidos ao longo do Largo dos Penedos da Índia, onde os carismáticos pescadores vislumbravam o estado do mar. Um pouco mais abaixo, por dentro das promessas e dos pássaros circundantes, o Largo do Muro da Praia e o Largo Poeta Bocage. Locais distintos, singulares, que invocam a eternidade dos sentimentos a descoberto.
O coração é agora. Inspira sem cobranças. Expira sem idealizações. Acredita, uma vez mais, que a vida só faz sentido ao lado de quem esteja disposto a tirar-te do chão.
Recomeça. Excita novas esperanças. Acredita em ti e na vida a longo prazo. As vezes que forem necessárias, ou cruciais. Até ao último suspiro. Até ao último de ti. Simplesmente.

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