SETÚBAL Dores Meira promete mais cidade e pede mais CDU [galeria de fotos]

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Autarca arranca para último mandato prometendo quatro anos de obra e de rua, mas diz que trabalho iniciado há 16 anos ainda vai a meio e tem de ser continuado pela CDU com outros protagonistas

A construção do futuro de Setúbal não vai ficar concluída com este último mandato, até 2021, para que Maria das Dores Meira foi ontem empossada como presidente da Câmara Municipal de Setúbal. Esta é a ideia principal do discurso de 18 páginas que a autarca comunista fez ontem perante uma assistência de centenas de pessoas
“Setúbal, graças a esta forma de governar, passou a ser a terra que se visita com a alegria de descobrir todo um mundo novo”, disse Dores Meira acrescentando que o projecto da CDU, para fazer “mais cidade e mais concelho” ainda vai a meio.

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“Se hoje nos encontramos a meio caminho para essa cidade sonhada, foi porque os setubalenses, os azeitonenses, os praienses, os que vivem no Faralhão, na Gâmbia ou nas Pontes e no Alto da Guerra reconheceram a qualidade da gestão da coligação que integra o PCP, o PEV e a Intervenção Democrática. Por isso, os eleitores deste município deram à CDU o seu segundo melhor resultado eleitoral desde 2001.”, afirmou.
A presidente da autarquia assumiu publicamente o “solene compromisso” de, nos quatro anos que lhe restam à frente da Camara, “tudo fazer para continuar a construir uma cidade melhor” e procurou entregar créditos à CDU dizendo que “o futuro não se esgota em 2021 e muito menos num único protagonista”.
“Mais do que a presidente da Câmara, o importante nestes quatro anos que se seguem será a afirmação de um projeto coletivo de trabalho, será a afirmação da visão da cidade e do concelho que a força que venceu as eleições de 1 de outubro tem do que deve ser o futuro de Setúbal.”, defendeu a autarca.
Dores Meira recordou que este é o seu último mandato como presidente da Câmara mas assegurou estar “sempre disponível” para servir o concelho. “Continuarei, sem quaisquer hesitações, a servir os cidadãos de Setúbal tal como tenho feito nos últimos 16 anos em que aqui tenho exercido funções autárquicas”, disse, sem especificar, mas repetindo que “o futuro que, no presente, estamos a construir vai muito para lá destes quatro anos que se avizinham”.
E reafirmou a capacidade colectiva, a favor do partido. “Sabemos que somos os protagonistas certos para trilhar este caminho. Sabemos, porque já demos provas disso, que somos os portadores do mais acertado programa de modernização e transformação de Setúbal e que, por isso, seremos aqueles que, no futuro, continuarão a traçar as rotas mais acertadas.”.
A presidente não deu pistas se tenciona ou não cumprir os quatros anos de mandato, referindo apenas que “os próximos anos serão tempos de construção das soluções de futuro que vão garantir que o processo de desenvolvimento de Setúbal seja continuado” e assegurando que participará “activamente na procura dessas soluções e estarei, com toda a certeza, empenhada na continuação da CDU à frente dos destinos de Setúbal”.
A autarca comunista prometeu andar “na rua, com as pessoas, a ouvir o que têm para nos dizer” e apontou as principais obras que pretende realizar neste mandato; designadamente o Parque Urbano da Várzea, o novo terminal Intermodal da Praça do Brasil, arranjo do Largo de Jesus, a finalização das obras de reabilitação do Convento de Jesus, e “novas soluções de mobilidade que, a partir de 2019, serão possíveis com a abertura de novos concursos para os operadores de transportes públicos, a par de novas soluções de mobilidade, entre as quais tem maior visibilidade a rede de ciclovias que já começámos a construir”.
A continuação do “trabalho necessário à construção de uma marina de recreio”, na zona do Naval e a gestão das praias da Arrábida foram outras tarefas destacadas pela presidente reeleita.
Embora felicitando os vereadores eleitos pelo PS e pelo PSD, Dores Meira não deixou de aplicar fortes alfinetadas aos partidos da oposição acusando-os de terem feito campanhas eleitorais baseadas em “falsidades” e “falta de seriedade politica”.
“Falsidades como a da petição do IMI que foi aprovada em Assembleia Municipal, mas que, afinal, não tinha sido bem assim. A mesma petição que teria milhares de assinaturas, mas entre as quais se encontravam nomes que tudo indica serem falsos”, disparou Dores Meira para os lados do PSD.
“A falta de seriedade que utiliza a técnica do gato escondido com o rabo de fora em que só se lê a metade que nos dá jeito do papel oficial com que se pretende sustentar uma posição política sem correspondência com a realidade”, acrescentou voltando-se depois para o PS, numa referência à polémica dos pareceres jurídicos sobre a obrigatoriedade da cobrança da taxa máxima de IMI.

Grande elogio a André Martins

O maior elogio individual feito por Dores Meira no discurso de tomada de posse foi dirigido a André Martins, o novo presidente da Assembleia Municipal, que era vereador no anterior mandato e que não se recandidatou na equipa do executivo.
“Agradeço-lhe a visão de futuro, o espírito de missão e a dedicação ao interesse público que sempre orientou as suas decisões. Agradeço-lhe por ter sabido sempre ver para lá da linha do horizonte e por, assim, ter dado importantíssimo contributo para a transformação por que passa hoje a nossa terra. E, naturalmente, agradeço-lhe a serenidade e a força, a franqueza e a ponderação e, acima de tudo, a sabedoria e amizade sem reservas que a todos nós dedica.”, disse Dores Meira para André Martins.
A autarca destacou que a CDU venceu as eleições para a Câmara com a segunda maior votação desde 2001, com uma percentagem de 50% e sete mandatos num total de 11, num resultado que disse ser o “reconhecimento” do trabalho feito.
Um triunfo que Dores Meira fez questão de oferecer ao partido. “Uma vitória política atribuível à CDU e às suas políticas de promoção da participação popular na gestão dos assuntos do município”, afirmou.
Entre os vereadores eleitos, apenas Paulo Lopes (PS) não tomou posse, esteve ausente por motivos profissionais.

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