SETÚBAL Comerciantes queixam-se de prejuízos causados pelas obras do Continente Bom Dia

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Proprietários dizem que Estrada da Baixa de Palmela esteve cortada durante mais de um mês e que empresa construtora foi prepotente na lidação com os moradores. Pelo menos uma comerciante garante que vai pedir indemnização pelos danos causados

 

O corte da circulação à entrada da Estrada da Baixa de Palmela, em Setúbal, durante cinco semanas causou enormes prejuízos no comércio local, queixam-se os comerciantes daquela zona, que falam em “arrogância” e “prepotência” da empresa construtora do projecto da Sonae, falta de informações e sinalização adequada.

Rosa Santos, proprietária da RioPneus, no Rio da Figueira, há mais de 22 anos, diz recear que as obras lhe estraguem o negócio de uma vida porque até ao momento já teve grandes prejuízos. “Desde Agosto que temos a obra e vêm os camiões descarregar as mercadorias para o supermercado. Tive aqui um camião a descarregar à porta, o que nos impediu de trabalhar, porque obstruía a entrada na oficina. Isto é uma casa que precisa de movimentar dinheiro, não é chegar ao fim do dia com 15 euros na gaveta”, disse Rosa Santos ao DIÁRIO DA REGIÃO.

As obras de construção do Continente Bom Dia e os acessos e infra-estruturas circundantes começaram no dia 28 de Agosto. De 28 a 9 de Setembro, a construtora contratada pela Sonae comunicou que os trabalhos iriam começar e que a estrada seria reaberta quando terminassem, mas nada aconteceu e, dia 22 de Setembro, os comerciantes do bairro da Urbisado mobilizaram-se e levaram o assunto à Assembleia Municipal. “Fomos todos à Assembleia Municipal, lá ninguém tinha conhecimento de nada. O vereador Carlos Rabaçal ouviu-nos e inteirou-se da situação, houve nova reunião e ele comprometeu-se a que a estrada seria aberta a 30 de Setembro. Nesse dia, tivemos uma reunião na minha casa e foi-nos dito que as obras iriam continuar, mas quando necessitassem de fechar qualquer estrada, ficaria só um sentido encerrado e seríamos sempre avisados”, explicou Rosa Santos.

O problema é que esta terça-feira, 10 de Outubro, a estrada foi cortada à tarde nos dois sentidos simultaneamente, situação que deixou os comerciantes surpreendidos e, mais uma vez, isolados. “Os senhores resolveram fechar a rua (do lado de Palmela), mas mais grave ainda fecharam também o outro acesso (da rotunda da Avenida da Europa). Quem queria entrar para o bairro, não tinha qualquer alternativa, a não ser ir dar a volta ao Bairro do Liceu todo”, afirmou José Augusto.

Para o gerente da Óptica Santiago, a empresa foi “prepotente, fez bloqueios, não avisou as pessoas nem se deu ao trabalho de pôr uma sinalização adequada e só reagiu quando interpelámos a Câmara para saber o que se passava. E só a partir daí é que a autarquia também se apercebeu das deficiências do projecto e nos acompanhou na luta contra a empresa construtora, que à revelia daquilo que é o bom senso bloqueou a rua durante um mês”.

Já Cidália Silva, directora clínica da Farmácia Santiago registou uma quebra de 14%, face a 2016 e uma quebra acumulada de 20% de facturação, em virtude dos constrangimentos inerentes ao corte do trânsito. “Durante um mês com a estrada fechada, tive mães com bebés pequenos com febre dentro do carro, que vinham das urgências a dizer que não conseguiam chegar à farmácia, porque a circulação estava cortada no acesso à Estrada de Palmela. Isto afectou-me tremendamente.”, diz.

A directora clínica da farmácia fala “em perdas irrecuperáveis, porque as pessoas estão doentes e não voltam a estar. E eu tenho o direito de ser ressarcida seja pela Câmara ou pela entidade promotora. Por isso neste momento, já contratei uma advogada para tratar do assunto, porque doutra maneira não vamos conseguir”.

Uns metros mais à frente, Mário Pereira, proprietário da loja de bicicletas Bike Experience apontou para um prejuízo de menos 70% de facturação. “Foi um mês inteiro a rua cortada, chegámos a ter a vala aqui à porta e ninguém passava para a loja”.

Ao contrário dos restantes comerciantes, para Dionísio Batista, dono da loja de molduras, Moldurarte, a vinda de um novo supermercado para o bairro tem benefícios para o negócio. “Para mim, é uma mais-valia, porque vai trazer muito movimento à casa. O corte da estrada é um pormenor das obras, que já se sabe que são temporárias”.

De acordo com o contrato de licenciamento, o alvará da entidade promotora da obra termina esta quinta-feira, 12, o que significa que é o último dia para os trabalhos ficarem concluídos. Caso contrário, esta terá que ser embargada. “Estou para ver se eles dia 12 não acabam isto, o que é que a Câmara vai fazer. Os pequeninos é que sofrem, temos perdas, temos compromissos no fim do mês com os nossos colaboradores e não podemos falhar”, questionou Cidália Silva.

Apesar dos constrangimentos, comerciantes e moradores terão de esperar pelo fim da obra e circular apenas num dos sentidos.

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