AUTÁRQUICAS | Abstenção baixa, PS sobe e CDU cai mas fixa eleitorado

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Os totais distritais mostram que a CDU apenas perdeu 2.159 votos na eleição para as Câmaras em relação a 2013. Uma margem ínfima, mas com impacto significativo: a coligação perdeu o poder em três municípios para o PS e a maioria absoluta em outros tantos. O PS capitalizou como ninguém a diminuição da abstenção

MÁRIO RUI SOBRAL

Em termos globais de votação para as Câmaras Municipais, a CDU manteve-se como primeira força política no Distrito de Setúbal, mas passou de 56 mandatos alcançados em 2013 para 49 em 2017, num total de 109 mandatos atribuídos. Perdeu 2.159 votos (registou 125.588 em 2013; em contraponto com os 123.429 votos em 2017). Daqui resultou a perda das Câmaras de Alcochete (maioria relativa para o PS), Almada (maioria relativa para o PS) e Barreiro (maioria relativa para o PS). Por outro lado, a CDU perdeu ainda terreno, passando de maiorias absolutas para relativas, em três municípios: Moita e Palmela (onde até subiu a votação); e Seixal. Em sentido inverso, destaque para Grândola onde a CDU chegou à maioria absoluta.

O PS reforçou a condição de segunda força política ao passar de 36 mandatos conquistados em 2013 para 42 em 2017. Os socialistas subiram no total do distrito 26.049 votos (aumentaram de 78.909 votos em 2013 para 104.958 em 2017). Resultou daqui a conquista, com maioria relativa, das três Câmaras à CDU (Alcochete; Almada; e Barreiro). O município de Almada saiu pela primeira vez das mãos do PCP. Além disso, o PS passou de maioria relativa para absoluta no Montijo.

A CDU teve 41,49% dos votos em 2013 e 37,07% em 2017. Manteve a presidência em oito municípios: reforçou a maioria absoluta em Setúbal (acrescentando mais um mandato), conquistou-a em Grândola e manteve-a em Sesimbra, Santiago do Cacém e Alcácer do Sal.

A CDU perdeu a maioria absoluta na Moita e em Palmela, onde até subiu a votação. O PS teve mais 26.049 votos e reconquistou a maioria absoluta no Montijo

O PS registou 26,07% dos votos em 2013 e 31,52% em 2017. Além da conquista de três Câmaras à CDU e da recuperação da maioria absoluta no Montijo, reforçou a votação em Sines, passando de quatro para cinco mandatos no executivo composto por sete (o movimento SIM passou de dois para um mandato e a CDU manteve um).

Nota ainda para o facto de o PS ter destronado a CDU em duas das três Câmaras – Alcochete e Barreiro – em que esta última força política foi obrigada a lançar mão de novos cabeças-de-lista, devido à lei de limitação de mandatos: só Sesimbra aceitou a continuidade da CDU com um novo rosto.

PSD e CDS com relação de simbiose

O PSD concorreu sozinho a cinco municípios no distrito em 2017, ao passo que em 2013 optou por fazê-lo a nove Câmaras (não apresentou candidatura em Sines este ano; em 2013 não apresentou candidatura em Grândola). Nesta condição (sem coligação), baixou de sete mandatos conquistados em 2013 para cinco nestas eleições, apesar de ter aumentado 298 votos no total (subiu de 25.504 votos somados em 2013 para 25.802 em 2017). Em termos percentuais baixou de 8,43 (2013) para 7,75 (2017).

Em coligação com o CDS, os social-democratas candidataram-se este ano a sete Câmaras (na Moita a aliança foi tripartida, juntando ainda o MPT). Em 2013, o PSD apresentou-se coligado com o CDS a apenas três municípios. Coligados, PSD e CDS registaram este ano 14.752 votos, o que se traduziu na conquista de mais quatro mandatos (juntos, social-democratas e centristas, passaram de três para sete mandatos), quando em 2013, com três acordos de coligação (menos quatro do que nestas últimas eleições), somaram 8.925 votos.

PSD e CDS, com mais quatro coligações do que em 2013, aumentaram de 3 para 7 os mandatos conquistados

No cômputo geral, pode dizer-se que, das eleições de 2013 para as de 2017, o PSD registou uma variação positiva de 6.125 votos (averbou um total de 40.554 votos em 2017, que compara com os 34.429 de há quatro anos). Ainda nesta condição (de soma de resultados entre candidaturas sem coligação e em coligação), o PSD aumentou dois mandatos no distrito, passando de 10 (registados em 2013) para 12 (agora alcançados).

O CDS, nestas eleições, apenas alcançou mandatos em coligação, ao contrário do que conseguira em 2013, quando conquistou um único mandato através de candidatura a sós (foi em Alcochete, onde agora coligado com o PSD aumentou o número para dois mandatos). No somatório dos resultados conseguidos com candidaturas sem e com coligações, os centristas passaram de quatro mandatos registados nas anteriores autárquicas para sete nestas últimas eleições (acumularam 20.400 votos em 2017, sendo que em 2013 o total cifrara-se em 14.729).

Bloco cresce, independentes diminuem

O Bloco de Esquerda (BE) cresceu no distrito. Ganhou um mandato em relação a 2013. Tem agora três eleitos em outros tantos municípios (a novidade foi a eleição de um lugar na vereação de Almada; manteve um no Seixal e outro na Moita). Passou de 16.694 votos (2013) para 22.909 (2017). Em termos percentuais, registou 6,88 pontos dos totais distritais nestas eleições face aos 5,51 de há quatro anos.

Já os vários movimentos independentes (grupos de cidadãos) conseguiram três mandatos nestas eleições, registando-se a perda de um eleito em relação a 2013 (em termos de votos, o total das quatro candidaturas independentes apresentadas no distrito este ano representou 5.629 votos, que compara com os 5.963 registados em 2013 por igual número de candidaturas).

O BE cresceu de 16.694 votos para 22.909 e acrescentou um mandato aos dois que já tinha (Moita e Seixal; Almada foi a novidade). Os grupos de cidadãos perderam um mandato

António Candeias foi reeleito em Grândola (GM); José Calado Gertrudes foi eleito em Palmela (MIM); e José Arcanjo Costa foi eleito em Sines, pelo movimento SIM que perdeu um mandato. O MSU em Sesimbra ficou a pouco mais de 160 votos de “roubar” um mandato à coligação PSD/CDS. Em 2013 apresentaram-se candidaturas independentes em três municípios: Grândola (duas), Sesimbra e Sines. Em 2017 as candidaturas independentes repartiram-se por quatro municípios: Grândola (passou a uma), Palmela, Sesimbra e Sines.

Nota ainda para o PAN que, apesar de não ter conseguido qualquer mandato, logrou um crescimento significativo de votos: 8.609 registados neste acto eleitoral (2,59%), quando em 2013 se havia quedado por um total de 3.562 (1,18%).

Abstenção e conclusões

Nestas autárquicas (2017), o Distrito de Setúbal registou 332.974 votantes de um total de 731.365 inscritos – 398.391 não foram às urnas – o que se traduziu numa taxa de abstenção de 54,47% (Setúbal continuou a ser o distrito mais abstencionista do País).

Nas eleições anteriores (2013), foram registados 302.712 votantes de um total de 726.443 inscritos – 423.731 eleitores não votaram, o equivalente a 58,33% de taxa de abstenção.

Comparando estes dois últimos actos eleitorais autárquicos, conclui-se:

  • Em 2017 votaram mais 30.262 eleitores do que em 2013, para um universo de inscritos que foi também superior ao de há quatro anos (os cadernos eleitorais apresentaram mais 4.922 inscritos nestas autárquicas);

  • A taxa de abstenção diminuiu 3,86%, (passou de 58,33 para 54,47%), sendo que a diferença entre não votantes, atendendo ao número de inscritos, foi de 25.340;

  • A CDU, apesar de perder a presidência em três Câmaras e a maioria absoluta em outros tantos municípios, registando menos sete mandatos, manteve praticamente o eleitorado de há quatro anos, em termos totais de votação, já que contou apenas com uma variação negativa de 2.159 votos em relação a 2013;

  • O PS acabou por ser o grande beneficiado pela diminuição da abstenção (votaram mais 30.362 eleitores nestas eleições), tendo em conta que capitalizou mais 26.049 votos, conquistando mais seis mandatos, comparativamente com 2013. Foi o partido que mais cresceu no distrito;

  • Em coligação, PSD e CDS cresceram em termos percentuais, número de votos e mandatos;

  • O BE cresceu tanto em número de votos (mais 6.215) como o PSD em totais absolutos (mais 6.125).

  • O PAN foi o segundo partido a registar maior subida em termos percentuais (+ 1,41).

Em 2017 registaram-se 9.107 votos brancos (2,74%) e 6.951 nulos (2,09%). Em 2013 estes números foram superiores: 13.736 votos brancos (4,54%) e 11.178 nulos (3,69%).


ASSEMBLEIAS MUNICIPAIS

Onde a CDU perdeu mais o PS capitalizou menos

Os totais distritais para as assembleias municipais também ditaram uma diminuição de eleitos para a força política mais votada. A CDU perdeu 22 mandatos em relação a 2013 (de 151 eleitos passou agora para 129, num total de 287 mandatos atribuídos), fruto de uma baixa de 122.334 votos para 116.454. Foi precisamente para as assembleias municipais que a CDU sentiu maior quebra de votos (menos 5.880 do que em 2013).

O PS voltou a ser o partido que mais capitalizou. Conquistou mais 19 mandatos (passou de 100 em 2013 para 119 nestas eleições), ao crescer de 79.879 votos para 104.154. O aumento de votos dos socialistas para este órgão foi menor comparativamente com as votações registadas para as Câmaras e assembleias de freguesia (o partido conseguiu mais 24.275 votos em relação às eleições de 2013).

Sozinho, o PSD alcançou 17 mandatos (tinha conseguido 26 em 2013), apesar de ter subido de 25.920 votos (2013) para 26.843 (2017). Em coligação com o CDS, os social-democratas somaram ainda mais 22 mandatos, que compara com 10 que haviam conquistado (apenas em coligação) há quatro anos. O CDS sozinho baixou de cinco eleitos para três neste acto eleitoral. Os dois partidos, sublinhe-se, concorreram coligados a sete municípios este ano e a apenas três, nesta condição, em 2013.

O BE atingiu 20 mandatos (mais dois do que em 2013), passando de 19.890 votos para 26.843. Já o PAN, que vinha de 2013 com somente um mandato, conseguiu agora cinco, subindo de 2.869 votos para 10.909. Em sentido inverso, os movimentos independentes (grupos de cidadãos) chegaram aos 12 mandatos. Em 2013, tinham conquistado 15.

A abstenção foi este ano de 54,49% (em 2013 chegou aos 58,31%).


ASSEMBLEIAS DE FREGUESIA

CDU perde 50 mandatos e vê PS ganhar 46

No que concerne aos totais distritais para as assembleias de freguesia, a CDU voltou a ficar aquém dos resultados de há quatro anos. A coligação baixou de 126.785 votos conseguidos em 2013 para 121.108 nestas eleições. Esta quebra implicou a perda de 50 mandatos (do total de 705 atribuídos, a CDU ficou agora com 307).

O PS foi quem ganhou mais espaço, aumentou de 80.440 votos (2013) para 106.139 (2017), passando de 214 mandatos para 260.

Já o PSD, somando os resultados de candidaturas sem coligação com os de candidaturas em coligação, subiu de 33.784 votos (2013) para 40.559 (2017). De um total de 75 mandatos obtidos nestas eleições (mais quatro do que em 2013), 40 foram conquistados em coligação. Analisando pelo mesmo prisma, o CDS passou de 14.588 (2013) votos para 20.758 (2017). Ao todo conseguiu 41 mandatos (mais 20 em relação a 2013), apenas um sem se apresentar coligado.

O Bloco de Esquerda cresceu de 18.518 votos em 2013 para 25.819 em 2017, ficando com 30 mandatos. O total da votação nos grupos de cidadãos foi de 12.527 votos e corresponderam a 35 mandatos de independentes (mais um do que em 2013, quando estes movimentos registaram 9.901 votos). O PCTP/MRPP perdeu o único eleito que tinha.

A abstenção foi de 54,48% em contraponto com os 58,27% de 2013.


Rectificação | Moita é que foi campeã da abstenção

Setúbal foi, de facto, o distrito do País onde se registou a taxa de abstenção mais elevada. Porém, ao contrário do noticiado pelo DIÁRIO DA REGIÃO na edição de sexta-feira passada, com base em informação publicada pela agência Lusa, o município sadino não foi o campeão da abstenção. Na verdade, o concelho do País onde esta taxa foi mais elevada foi o da Moita (57,24%), rendendo assim Sesimbra no pódio nacional.

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