A Utilidade de Votar

Opinião
Miguel Dias

Miguel Dias

Licenciado em Geografia
Dirigente do LIVRE
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A campanha eleitoral autárquica aproxima-se do final. Esta é sempre uma altura para avaliar o mandato cessante e analisar o que correu bem ou mal. Mas também é altura de ponderar quem, nos próximos 4 anos, ficará à frente dos destinos da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia, mediante as propostas publicamente apresentadas.
Para os lados do Montijo estou em crer que nada será igual a partir do próximo mandato autárquico. Isto independentemente do resultado eleitoral. Qualquer que seja o partido que comande os destinos do município nos próximos 4 anos contará com o escrutínio constante da sociedade. A cidadania organizou-se de forma mais ou menos espontânea e começou a inquirir, a criticar, a investigar. Há uns tempo dir-se-ia que se reuniu num “movimento inorgânico”, demonstrando o seu descontentamento, mas também interesse em fazer parte da discussão, não querendo de forma alguma ficar alheada da decisão que afectará impreterivelmente o seu futuro.
As redes sociais foram, também no Montijo, geradoras de muita desta dinâmica. Mas o debate saltou dos ecrãs para a realidade. Já não bastavam os fóruns fechados e grupos de discussão de facebook, onde se avaliava a gestão autárquica e trocavam impressões sobre o quotidiano concelhio. A cidadania pretendia mais desta vez. E pegando no exemplo concreto do debate entre candidatos à Câmara Municipal organizado pelo jornal Diário da Região e pela Rádio Popular (em parceria com outras entidades), a sociedade montijense arregaçou as mangas e promoveu seus próprios debates políticos, em grupos organizados para o efeito ou associações já com alguma expressão.
A Associação dos Antigos Alunos Somos Peixinho dinamizou um debate entre candidatos à Câmara Municipal, em torno do tema da educação, já com algum profissionalismo e saber inerente ao facto de ser promotora de eventos com alguma envergadura. Em boa hora o fez, pois encheu o auditório da Escola Profissional de Montijo.
O grupo de Facebook: Montijo – sem censura e com cultura, promoveu 3 debates, com um maior grau de amadorismo, mas empenho suficiente para suplantar as dificuldades por parte de quem se envolveu na matéria. Entre candidatos à Câmara Municipal organizou 2 debates, um relativo à Saúde (no Jardim Casa Mora) e outro à Cultura (na Sociedade Filarmónica 1.º de Dezembro). Com os cabeças de lista à Assembleia de Freguesias de Montijo e Afonsoeiro dinamizou um debate de carácter geral (no salão do CDCR Os Unidos).
Pontos comuns nestes debates organizados pelos cidadãos: o PCTP/MRPP nunca respondeu; o PTP declinou todos os convites alegando compromissos prévios; no PS o candidato à Câmara Municipal Nuno Canta nunca compareceu, embora no debate da educação se tenha feito representar pela número 2 da lista, Maria Clara Silva. É vulgar dizer-se que só faz falta quem está. Do meu ponto de vista quem se esquiva ao debate, quem não dá a cara pelas suas ideias, é como se não existisse; logo não conta. Os leitores e leitoras que tirem as próprias conclusões. Outro ponto comum em todos os debates foi a sua transmissão através das plataformas digitais, mais concretamente directos de Facebook. Isto é especialmente importante num concelho como Montijo, geograficamente descontinuado. Permitiu que na impossibilidade de comparecerem os munícipes pudessem acompanhar os debates por essa via.
Esta dinâmica registada leva-me a pensar que não se repetirá o resultado das últimas eleições autárquicas em que Montijo foi dos concelhos com maior abstenção do país – 60 %. Um número que em nada deve orgulhar esta terra. Por isso é essencial que a sociedade montijense se mobilize no sentido de exercer o seu direito e também o seu dever. Votar é uma premissa basilar do regime democrático. Quem vota tem o poder de escolher entre um leque de opções. No meu caso pessoal, como membro de um partido que não concorre ao acto eleitoral em questão, terei de optar sempre por uma segunda escolha. Em consciência, optarei por quem acho que reúne melhores condições para ser alternativa ao actual poder local, com o qual não me identifico. Poderia votar em branco ou abster-me, esperando comodamente que alguém escolhesse por mim. Não me revejo em semelhante comportamento. Acho que devemos sempre escolher, ter opinião, ser agente de mudança. E a maravilha do processo democrático, em que o povo escolhe os seus representantes, é que caso nos enganemos, podemos sempre emendar a mão no futuro. Dia 1 de Outubro, vote! Dê utilidade ao seu direito de escolher.

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