SEIXAL | LUÍS CORDEIRO: “A CDU mostra total falta de visão e estratégia para o concelho”

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O cabeça-de-lista do BE tece duras críticas à gestão comunista e afirma que “as maiorias absolutas empobrecem a democracia”. Lembra que 50% da população local estuda e trabalha fora do concelho e elege a falta de equipamentos nas áreas da educação e saúde como prioridades

 

Por que decidiu candidatar-se?

Trata-se de uma sequência das anteriores candidaturas. Em 2009 fui eleito e exerci o mandato como vereador sem pelouro, num processo de aprendizagem. Em 2013 fui novamente eleito e tenho desempenhado a função com um pelouro a meio tempo da Protecção Civil. Estes dois mandatos deram-me a possibilidade de adquirir a experiência e o conhecimento do desempenho autárquico. Experiência valiosa que entendo neste momento ser fundamental colocar ao serviço da população, num projecto que se quer de alternativa.

Um dos principais objectivos do Bloco é aumentar a sua representação autárquica, de forma a termos uma influência directa na governação da autarquia, pois entendemos que as maiorias absolutas empobrecem a democracia e não devem ser eternas.

Destaco o facto de que a candidatura do BE em 2017 integrar os mesmos cabeça-de-listas de 2013 e que todos estes foram eleitos. Estando garantido assim a continuidade de um projecto alicerçado na experiência adquirida.

Como vê o trabalho desenvolvido pela CDU?

Não sou eu que vejo o trabalho da CDU, são os dados do concelho que transmitem a sua realidade, tais como: mais de 50% das pessoas do concelho que estuda e trabalha, fazem-no fora do concelho; temos um rendimento per capita inferior à média nacional, sendo o segundo mais baixo da AML; em 2013 tivemos que aprovar um Plano de Consolidação Orçamental em virtude do endividamento excessivo da autarquia (tal como a Auditoria do Tribunal de Contas evidencia); contraímos um compromisso com dois contratos de arrendamento para os edifícios centrais e operacionais, durante 20 anos, que nos custam 5 milhões de euros por ano, que o BE considerou de contratos ruinosos e que foi completamente demonstrado pela Auditoria do Tribunal de Contas, que refere o seguinte: “A celebração de conglomerados contratuais descritos traduziu-se, assim, na assunção de encargos financeiros adicionais para o município do Seixal dos quais resultou e pode, ainda, vir a resultar dano para o erário público municipal”.

Não temos uma rede de Jardins de Infância que garantam a cobertura da escola pública no pré-escolar; quase 50% dos alunos do 1º ciclo frequentam as aulas em turno duplo, por falta de equipamentos escolares; arrastam-se durante anos resolução de situações no que diz respeito aos equipamentos da rede de cuidados de saúde primários; não existe um programa cultural estruturado e prospectivo que permita ao concelho uma afirmação na AML.

Para concluir esta imagem de uma total falta de visão e estratégia, não existe melhor exemplo que a Mundet. Equipamento situado em plena Baía do Seixal.

Perante esta visão, a minha apreciação não é boa, não quer dizer que não se tenha feito obra, seria difícil ao longo de 41 anos nada se fazer, mas neste momento o Seixal é um concelho sem visão e estratégia.

Estado em que se encontra a Mundet é paradigmático

O cabeça-de-lista do Bloco aponta o exemplo da Mundet para justificar que “uma total falta de visão e estratégia” no concelho. “Passados 20 anos sobre a sua aquisição em que estado se encontra? Vendeu-se uma parte para uma grande superfície comercial, cedeu-se outra parte para fazer um campo de futebol, outra parte ainda para ser construído um pavilhão (se bem que do outro lado da rua esteja um pavilhão a cair) e o que resta são pavilhões em ruínas. Tudo isto é um testemunho paradigmático de um concelho dirigido pela CDU ao longo de 41 anos com maioria absoluta”, critica.

Quais são as suas principais propostas?

Existem duas áreas que consideramos fundamentais, a educação e a saúde, além de outras, tais como a mobilidade e transportes, a cultura, o social, o desenvolvimento económico e ainda a participação dos munícipes na vida da autarquia.

Na educação preocupa-nos a continuação dos turnos duplos nas escolas básicas do concelho, que não se ajustam ao ensino das crianças e criam problemas às famílias, que durante o tempo em que estas não estão na escola, têm de recorrer a soluções pagas como os ATL.

A escola a tempo inteiro é fundamental. A Câmara Municipal tem de aumentar a oferta de equipamentos escolares, bem como a rede de jardins-de-infância, para dar resposta às necessidades, e também para combater as desigualdades sociais, porque as crianças sem oferta de pré-primária no sector público apresentam um défice escolar quando chegam à escola primária. E esta é uma das principais funções de uma autarquia.

Na área da saúde temos o grande desígnio do Hospital no Seixal, mas o Bloco sempre disse que não valia a pena falar apenas desse equipamento porque este não viria resolver todos os problemas na área da saúde. Se não se tiver uma rede de cuidados primários a montante, para o qual é necessário ganhar a confiança da população, o hospital irá transformar-se num Garcia de Orta II, com as urgências sempre pejadas. O serviço de saúde tem de funcionar em cascata, através de um conjunto de equipamentos, para ir realizando uma triagem e tratamento, sendo o hospital a alternativa final. Sendo a saúde uma competência do estado central, nenhuma autarquia pode lavar as mãos das necessidades das populações.

O concelho do Seixal verifica uma das maiores abstenções do País em eleições autárquicas. Como explica este alheamento?

A participação das populações é fundamental para termos um poder local forte, é imperioso combater a enorme abstenção (61,2%) no concelho do Seixal. O Bloco tem um conjunto de iniciativas a desenvolver com vista a alterar este estado de coisas. Daí defendermos desde sempre a integração do Orçamento Participativo para dar real voz à população na governação do concelho.

Apresentei também no primeiro mandato a proposta de reuniões de Câmara descentralizadas em horário nocturno, porque o actual modelo de decorrerem às 15h00 no edifico central, é inibidor da participação dos munícipes. Essa proposta viria a ser implementada a partir de 2013, mas de há um ano a esta parte acabaram com isso sem qualquer explicação.

É preciso ainda encontrar novas formas de participação dos munícipes, dando-lhes a convicção de real pertença ao local onde residem, continuando com os Fóruns Seixal, mas em que estes não sirvam apenas para apresentar projectos já concluídos, sem recolher verdadeiramente as opiniões e sugestões.

Como pensa utilizar a sua experiência pessoal e profissional ao serviço da autarquia?
Ao longo dos 64 anos de vida e de 48 anos de trabalho, naturalmente muita experiência adquiri. No entanto, além da experiência de vida, serão os valores e princípios que sempre a pautaram que colocarei ao serviço da autarquia, entre eles o combate às desigualdades, o apoio aos mais desfavorecidos e o diálogo permanente com todas as entidades e instituições do concelho.

O que diria ao eleitorado para votar em si?

As eleições locais pautam-se por um sentimento de voto muito ligado ao conhecimento e identificação das populações com os candidatos, naturalmente ao longo da minha vida terão sido muitos os milhares de munícipes com os quais contactei a nível pessoal e profissional, e a esses nada precisarei de dizer pois conhecem-me. Aos restantes direi que votar no BE nas autárquicas de 1 de Outubro é votar numa alternativa, constituída por gente com experiência autárquica e com vida vivida neste concelho.

PERFIL: Engenheiro na Protecção Civil

Luís Manuel Rendeiro Cordeiro, 64 anos, é casado e tem dois filhos e três netas. Natural de Grândola e residente no concelho do Seixal desde 1975, foi operário na Lisnave e Setenave entre 1969 e 1984, cooperante em Moçambique e Angola e actualmente é técnico superior no Centro de Formação Profissional do IEFP no Seixal, com a profissão de engenheiro. É licenciado em Engenharia Mecânica e vereador eleito na Câmara do Seixal desde 2009, actualmente com o pelouro da Protecção Civil.

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