MONTIJO | CDU e PSD confrontam Nuno Canta com falta de obra feita

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Presidente da Câmara foi acusado de não ter cumprido promessas eleitorais. O socialista apenas reagiu às críticas dos social-democratas. Debate político endureceu na penúltima sessão antes das eleições

MÁRIO RUI SOBRAL

Na penúltima reunião do executivo camarário antes de 1 de Outubro – a última terá lugar a três dias das eleições autárquicas –, o debate político endureceu de tom, com a oposição a lançar duras críticas à gestão socialista, em jeito de balanço ao mandato que se apresta a terminar. CDU e PSD, na última quarta-feira, voltaram a acusar a presidência de Nuno Canta de falta de obra feita e de incumprimento do programa eleitoral apresentado pelo socialista para 2013-2017. O presidente da Câmara, que se recandidata a um segundo mandato, defendeu-se acenando com as contas em dia do município (ver peça na pág. 5) e voltou a classificar a oposição como “força de bloqueio”, reforçando que CDU e PSD “constituíram uma maioria negativa” ao longo deste período.

Só a CDU, através do vereador e cabeça-de-lista da coligação às próximas autárquicas, Carlos Jorge de Almeida, apresentou três declarações políticas corrosivas para o socialista. Dirigindo-se a Nuno Canta, o autarca do PCP reafirmou que a gestão socialista “tem desenvolvido um projecto de natureza pessoal, de impacto familiar, que tem subordinado a realidade institucional à realidade partidária, com traços de xenofobia, de forma agressiva, arrogante, com tiques narcisistas, de paixão absoluta pela própria imagem”. Além disso, acusou também o socialista de “plágio provocador” na adopção do lema de campanha “Somos Todos Montijo”, que já havia intitulado uma petição online contra Nuno Canta, aquando do episódio em que o socialista exortou Carlos Jorge de Almeida a voltar para a sua terra.

O comunista, porém, não se ficou por aí, caracterizando, mais à frente, o actual exercício de Nuno Canta de “governação virtual” e até citou Maria Amélia Antunes. “A realidade não pode ser ofendida pela mentira. A realidade é substantiva e, como tal, não pode ser ignorada ou muito menos manipulada. Quem fizer política assente noutra coisa que não seja a realidade, na verdade está a enganar-se a si próprio, está a mentir e a manipular os cidadãos”, lembrou Carlos Jorge de Almeida, reproduzindo as palavras utilizadas por Maria Amélia Antunes na última intervenção realizada pela socialista enquanto presidente da Câmara, em 2013, para a considerar “premonitória” em relação à acção de Nuno Canta.

O autarca da CDU apontou depois exemplos de obras “inexistentes”, como o Centro Escolar do Afonsoeiro e a Casa da Música Jorge Peixinho, sublinhando ainda que obras como a ETAR de Canha e a requalificação da Secundária Jorge Peixinho são da responsabilidade da SIMARSUL e Parque Escolar, respectivamente, e não da autarquia. Acusou ainda Nuno Canta de nunca ter reunido o Conselho Municipal de Segurança, além de ter criticado a falta de decisão do socialista em relação ao processo do terreno onde está instalado o campo de futebol do Estrela Afonsoeirense.

Promessas por cumprir e orçamentos chumbados

Nuno Canta não respondeu a a nenhuma das acusações da CDU. Viria a retorquir mais adiante, apenas na sequência das intervenções da bancada do PSD, ocupada na quarta-feira por Maria das Mercês Borges e João Paulo Dinis, com este último a apresentar uma declaração sobre “o estado da nação” no Montijo.

João Paulo Dinis começou por salientar “a relação conturbada e crispada que quase sempre existiu” entre Nuno Canta e a oposição. “De um presidente que dirige um executivo sem maioria absoluta exige-se, em minha opinião, muita ponderação e serenidade, além de bom-senso. Isso nunca existiu e, objectivamente, prejudicou este mandato autárquico”, considerou o vereador social-democrata, acentuando de seguida as críticas ao socialista, desde logo realçando “a situação da propaganda política encapotada feita a expensas da Câmara” em outdoors e meios de comunicação da autarquia, que levou a Comissão Nacional de Eleições a “censurar tais actos”.

O autarca do PSD acusou também Nuno Canta de não ter honrado “a palavra dada”, uma vez que este, considerou o social-democrata, “não cumpriu o contrato com os eleitores” para o mandato que agora finda. Como exemplos, João Paulo Dinis elencou várias promessas eleitorais que ficaram por cumprir: “Onde está a Loja do Cidadão ou a bolsa de emprego ‘online’? Ou a dinamização do Conselho Municipal de Segurança que nunca reuniu no mandato ou a conclusão e revisão do PDM? Ou o arranjo urbanístico do Largo do Cruzeiro na Atalaia ou a construção do Centro Escolar de Pegões ou a criação do Balcão Único Municipal?”, questionou.

Nuno Canta retorquiu com críticas ao posicionamento da oposição durante os quatro anos de mandato. “O presidente da Câmara está de consciência tranquila com os seus compromissos. Cumpriu-os todos”, começou por dizer o socialista, adiantando de seguida: “O PSD neste quatro anos nunca contribuiu para a concretização destes projectos. O PSD juntou-se à CDU e constituiu uma maioria negativa que chumbou por duas vezes o Orçamento Municipal. Partidos que votam contra orçamentos virem exigir [o cumprimento de obras] não é sério.”

Maria das Mercês Borges interveio pouco depois para lembrar ao autarca socialista que o PSD até viabilizou o orçamento em 2016 e que a maioria apenas não viu os documentos previsionais aprovados em dois dos quatro anos de gestão, criticando ainda a obra realizada no Largo de Canha. “É uma vergonha. Foi feita agora e não em 2016, quando teve o Orçamento Municipal aprovado. Era bom que os munícipes do Montijo fossem ver a vergonha da obra em Canha”, atirou a vereadora do PSD.

“O Largo de Canha não é nenhuma vergonha. O PSD também já disse que o acesso ao Bairro da Bela Colónia é uma vergonha… têm a mania de dizer ‘é uma vergonha’ quando não gostam. O Largo de Canha é uma obra que nos orgulha e que melhorou ali as condições existentes”, defendeu Nuno Canta a concluir.

 

Movimento associativo apoiado com 199 mil euros

O executivo aprovou, por unanimidade, um montante global de 91 mil e 682 euros de apoios financeiros directos a várias associações do concelho. Os Bombeiros Voluntários do Montijo vão receber 59 mil euros, o Centro de Acção Social e Cultural das Faias 3 628 euros e a Associação Somos Peixinho 800 euros.

Foram aprovados contratos-programa com o Clube de Judo do Montijo (€1.500), Clube de Ténis do Montijo (€1.500), Sociedade Recreativa do Cruzamento de Pegões (€1.000), Clube “Os Unidos” (€1.500), Banda Democrática 2 de Janeiro (€4.000) e Montijo Basket (€3.000).

Em protocolos de colaboração, a Companhia Mascarenhas-Martins vai receber €14.500 e a Associação Batucando €1.250 . Aprovados foram ainda vários apoios não financeiros (cedência/despesas com instalações e espaços municipais, transporte, apoios logísticos e de divulgação, seguros, cedência de materiais e bens, entre outros) num valor total de 107 mil e 325 euros.

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