MARIA AMÉLIA ANTUNES: “Termino este ciclo político com dever cumprido e de mãos limpas”

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Na última intervenção como presidente da Assembleia Municipal, a socialista fez balanço positivo ao mandato e não deixou de enviar algumas indirectas a Nuno Canta

“Afirmo com orgulho que foi um privilégio estar ao serviço do Montijo. Termino este ciclo político com a consciência do dever cumprido, de mãos limpas. A todas e a todos desejo as maiores felicidades pessoais, profissionais e políticas”. Foi assim que Maria Amélia Antunes finalizou a sua última intervenção como presidente da Assembleia Municipal do Montijo, na passada segunda-feira, cargo que ocupou ao longo destes quatro anos, depois de ter presidido aos destinos da Câmara Municipal durante quatro anteriores mandatos consecutivos, sempre com maioria absoluta.

A autarca fez questão de vincar que a sua derradeira intervenção não foi um adeus, mas apenas uma forma de expressar gratidão. “Esta minha declaração não é uma despedida. É apenas a forma que encontrei hoje, nestas circunstâncias, na última reunião deste mandato, para expressar com respeito e a vossa permissão, em primeiro lugar o meu agradecimento a todas e a todos, pela disponibilidade, empenho e cooperação para o trabalho realizado com sucesso, neste órgão, no mandato autárquico 2013-2017”, disse, antes de fazer um balanço positivo ao trabalho desenvolvido.

“Considero que foi um trabalho, um desempenho bem sucedido ao longo destes quatro anos. Um trabalho que foi para além da realização das sessões. Um trabalho de afirmação e visibilidade política deste órgão. De liberdade individual e colectiva, de participação e democracia”, sintetizou, sem deixar de efectuar um reparo. “Apesar das múltiplas dificuldades, da diversidade e complexidade das matérias, das diversas posições e propostas, do seu contraditório e fundamentação, e mesmo as tentativas de obstrução, silenciamento e isolamento foram superadas pela afirmação de autonomia, amplitude dos poderes e competências legais deste órgão do município”, atirou.

Os valores e o recado

“Estamos hoje mais fortes, mais ricos em conhecimento, em experiência, nas relações interpessoais. Percebemos todos que com os meios indispensáveis a Assembleia Municipal e os seus autarcas muito podem e devem contribuir, enquanto órgão deliberativo e fiscalizador da Câmara Municipal, para a defesa do interesse público, no respeito pela Lei, na defesa dos valores éticos, no combate à corrupção manifeste-se ela na forma em que se manifestar”, adiantou, citando de seguida Mahatma Gandhi: “A força não provém da capacidade física, mas da vontade indomável”.

A socialista saudou “com reconhecimento” o trabalho dos deputados municipais “traduzido em saber, experiência, generosidade, serviço público” e lembrou que “a política deve ser feita com memória, com rectidão, com verdade e responsabilidade, sem ceder ou capitular perante interesses mesquinhos, ilegítimos e imorais”.

“É preciso recuperar e valorizar o sentido nobre da política, principalmente nos momentos de dificuldades e adversidades. Montijo continua e continuará a ser uma terra promissora e de futuro. Uma terra interclassista, onde convivem em harmonia e pacificamente pessoas oriundas de diversas classes sociais e de origens diferentes. Montijo não é nem nunca foi uma terra madrasta, mas é e continuará a ser uma terra mãe, acolhedora, amiga, fraterna, solidária, inclusiva. Uma cidade de portas abertas”, frisou, numa afirmação que pode ser interpretada como uma “espécie de recado” dirigido ao presidente da Câmara, o também socialista Nuno Canta, que faltou à reunião.

A terminar, Maria Amélia Antunes citou Fernando Pessoa. “Valeu a pena? ‘Tudo vale a pena se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas nele é que espelhou o céu’”, rematou.

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