SEIXAL | André Nunes quer ‘apostar forte na saúde em termos de prevenção ao invés de esbanjar em reacção’

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O cabeça-de-lista do PAN reconhece trabalho à gestão CDU, mas considera que poderia ter sido feito muito mais, sobretudo na “preservação do ambiente e da valorização da vida animal”. Lembra que o programa do PAN não se circunscreve ao ambiente e aos animais e aponta a saúde, a educação e cultura, a habitação e mobilidade, o património e a segurança como eixos fundamentais

 

Por que decidiu candidatar-se?

A decisão de candidatar-me à presidência da Câmara Municipal do Seixal surge na sequência de um convite feito pelo porta-voz da comissão política nacional, o deputado André Silva, e radica de um sentimento pessoal forte de não resignação e de exercício de cidadania. Decidi candidatar-me no pressuposto de poder dar o meu contributo, por mais ínfimo que seja, e de lutar pelas causas que me movem, ao invés de esperar que alguém o faça por mim.

Como vê o trabalho desenvolvido pela CDU?

O meu olhar para a actuação da CDU no concelho do Seixal é simultaneamente de reconhecimento pelo que de bom foi feito e de exigência de quem acha que era possível fazer mais e melhor.

Não me revejo na politiquice dominante de quem só vê defeitos e não vê virtudes e vice-versa. A minha convicção é a de que não existe uma única forma de fazer, leia-se, não existe uma fórmula de governação. Haverá sim formas diferentes de fazer e essa diferença, sim, é legítima, em função das prioridades e do olhar de cada um. No caso do PAN, por exemplo, teríamos feito uma aposta mais assertiva na preservação do ambiente e da valorização da vida animal.

Quais são as suas principais propostas?

O programa eleitoral do PAN para o concelho do Seixal é um programa eleitoral que não se circunscreve aos animais e ao ambiente, mas que assume, sem reservas, a sua defesa intransigente. É um programa que aposta em áreas transversais à vida em sociedade e que prioriza o que julgamos ser essencial: a saúde, com uma aposta forte, coerente e acessível na prevenção em detrimento da aposta fácil e esbanjadora na reacção; a Educação e Cultura, com uma política pensada para não queimar etapas e para potenciar o valor individual de cada um; a Habitação e a Mobilidade, que se querem inclusivas em toda a sua dimensão, não deixando ninguém para trás; o Património, expoente máximo do nosso legado cultural e que compõe a nossa identidade colectiva; a Segurança, pilar fundamental de uma comunidade que valoriza a paz e a justiça; a Transparência e Cidadania, vital para a qualidade da democracia no combate ao absentismo; e por fim, a Economia e Inovação, com uma aposta não no crescimento pelo crescimento mas no crescimento sustentado, assente na necessidade.

Nutricionista e passe desportivo municipais são apostas

André Nunes não tem dúvidas em enumerar como prioritárias cinco medidas do seu programa eleitoral. O candidatado do PAN é peremptório: “Elegeria a criação da figura do Nutricionista Municipal, um gabinete especializado, próximo da população, capaz de contribuir para melhores hábitos alimentares; a criação do Passe Desportivo Municipal, com comparticipação do município, tendo em vista a prática do exercício físico em condições de conforto e segurança, com uma oferta variada de modalidades e prestadores; a conclusão da rede de saneamento básico em todo o concelho; a renovação do Canil/Gatil Municipal, humanizando-o através de medidas como a formação dos profissionais que lidam directamente os animais em áreas como a legislação e o bem-estar; e a criação de uma equipa multidisciplinar de prevenção de crimes contra animais.”

O concelho do Seixal verifica uma das maiores abstenções do País em eleições autárquicas. Como explica este alheamento?

O alheamento que se regista no concelho do Seixal não é diferente, em qualidade, do que se verifica em Portugal e, se formos mais longe, na Europa. À parte de considerar redutor olhar para a questão do alheamento tendo por base única e exclusivamente os índices de abstenção em actos eleitorais, não deixo de reconhecer que se trata de um indicador relevante na hora de contrariar aquele fenómeno, razão pela qual considero urgente perceber por que razão as pessoas se furtam ao exercício do seu direito de voto. Pessoalmente, não acredito que seja só uma questão de comodismo, entendo igualmente que há responsabilidades profundas da classe política que nos tem governado, quer por estar descredibilizada junto da opinião pública quer por não ser capaz de estimular a participação dos cidadãos, isto é, de os trazer para o centro de decisão. Temos no nosso programa medidas que, acreditamos nós, serão potenciadoras da participação democrática e contribuirão positivamente para contrariar o absentismo, como sejam, por exemplo, dar antecipadamente publicidade das datas das sessões de câmara e assembleia municipal na página principal do sítio da Câmara; promover sessões de câmara e de assembleia municipal em horário aceitável, com possibilidade de inscrição online da população para participação e intervenção nas reuniões públicas; criar uma plataforma de apresentação electrónica de propostas/recomendações à Assembleia Municipal; instituir o Orçamento Participativo e o Orçamento Participativo Jovem.

Como pensa utilizar a sua experiência pessoal e profissional ao serviço da autarquia?

Com 32 anos, a caminho dos 33, não poderei dizer que a experiência pessoal e profissional sejam factores determinantes na hora dos seixalenses me confiarem o seu voto. Porém, o que me falta em idade/experiência, sobra-me – e muito, passe a imodéstia – em determinação e disponibilidade para trabalhar em prol do bem-comum e das causas que defendo. De resto, quem me conhece sabe que sou uma pessoa compenetrada com o trabalho, exigente comigo e com os que comigo trabalham e dedicada aos compromissos que assumo.

O que diria ao eleitorado para votar em si?

Sou uma pessoa de compromisso, de trabalho, que acredita nas causas que defende e que luta por elas como se fossem suas. Diria que é importante dar voz a quem não a tem e que me comprometo a ser essa voz, caso decidam confiar-me o seu voto. Sei que o eleitorado do PAN é um eleitorado muito próprio, apaixonado pelas causas que o partido abraçou e, honestamente, sei que poderei contar com o seu apoio, razão pela qual me dirijo especialmente aos abstencionistas; àquelas pessoas que, seja por estarem fartos dos mesmos de sempre seja por acharem que não vale a pena: no próximo dia 1 de Outubro, tirem um pouco do vosso dia e ajudem a dor voz a quem não a tem tido. Uma hora na vossa vida pode ser determinante na vida de muitos durante os próximos quatro anos.

 

PERFIL Jurista e voluntário

André Nunes é casado, tem uma filha e reside no concelho do Seixal há 26 anos. Licenciado em Direito pela Universidade Católica Portuguesa, é jurista de profissão e autor de dois livros, ambos subordinados ao tema dos direitos dos animais. É voluntário no Grupo de Voluntários no Canil/Gatil do Seixal e ministra palestras e sessões de sensibilização em escolas e universidades relativas ao tema dos direitos dos animais

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