SEIXAL | Manuel Pires: ‘Como podem dormir descansados o presidente e o restante executivo, sabendo que há famílias a viver em barracas?’

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Em entrevista ao DIÁRIO DA REGIÃO, o candidato pelo PSD à Câmara defende “uma política diferente para dar uma maior dignidade a todas as pessoas e colocar o Seixal entre os municípios com melhores indicadores a todos os níveis” e tece fortes críticas ao executivo CDU, que acusa de não ter respostas para os problemas do concelho

 

Por que decidiu candidatar-se?

O que me motivou a voltar a ser candidato, e a responder afirmativamente ao convite que me fizeram, foi a convocatória que tenho como cidadão, participar na vida da comunidade, exercer a cidadania. Participar activamente na vida da comunidade para procurar e encontrar as soluções e os caminhos que tragam a realização das pessoas, de todas as pessoas da comunidade.

É este o dever de todo o cidadão. A política serve exactamente para a resolução dos problemas do Homem, para encontrar as melhores soluções para os territórios e sobretudo para as pessoas. Estou também convicto que o Seixal, as pessoas do Seixal, precisam de um rumo diferente. Neste sentido encontrámos uma equipa com jovens e pessoas mais experientes, abrangendo várias profissões e especializações, em suma, uma equipa motivada, conhecedora do Seixal e das suas potencialidades e disponível para com todos encontrar as melhores soluções e concretizá-las aumentando os níveis de satisfação de todos.

Participar activamente na vida da comunidade, encontrar soluções, procurar juntamente com os outros os caminhos da realização global da pessoa. De todas as pessoas. É o dever de todo o cidadão e é isso que nos faz estar no terreno a resolver os problemas da comunidade. Queremos dar voz a todos, os que pensam o futuro e os que querem resolver os problemas do momento. Antes e depois das eleições. Os problemas e as propostas não têm de ser discutidos só de quatro em quatro anos, mas todos os dias, em todas as horas. O autarca tem de estar permanentemente disponível para ouvir os cidadãos do seu território. Tem de servir e estar atento sobretudo às pessoas e aos seus problemas.

Como vê o trabalho desenvolvido pela CDU?

O Seixal está presentemente muito mal organizado, desmazelado, com património abandonado, no fundo… é um concelho adiado e onde as promessas eleitorais de quatro em quatro anos têm ficado por cumprir. O que a actual gestão fez foi hipotecar o futuro com resultados muito limitados, deixando-nos uma enorme divida que levará muito tempo a pagar.

Nesta terra muitas pessoas vivem no desemprego, esquecidas dos governantes, sem as condições mínimas para viver e poder cuidar da educação dos seus filhos. Muitos estão permanentemente dependentes das instituições de solidariedade social.

E para todos falta um território aprazível, bem tratado, sem lixo e com jardins e parques onde as crianças possam correr e brincar em segurança. Faltam equipamentos de educação, de saúde, culturais e desportivos. Falta ainda uma rentabilização da Baía, com equipamentos turísticos e outros que tragam o desenvolvimento e a atracção que o Seixal tanto precisa.

Quais são as suas principais propostas?

Há tanto por fazer… A acção política que todos devemos ter é antes de mais colocar as pessoas em primeiro lugar e agir em benefício das pessoas, das famílias, e fazer com que todos sejam mais participativos e se sintam integrados nesta grande comunidade que é o concelho do Seixal. A construção de um programa para o Seixal não pode ser só a visão de alguns. Nós queremos um projecto inovador, de qualidade que traga bem-estar, e que aproveite todos os programas e recursos, sobretudo os humanos, que tem ao seu dispor.

Temos de combater o desemprego. Poderão dizer também que não é competência do autarca mas o autarca tem de manter um diálogo permanente com os empresários e ir à procura dos investidores para trazer para o seu território os sectores inovadores e competitivos, que tragam riqueza, dando-lhes as condições necessárias ao seu desenvolvimento. O Seixal está em condições privilegiadas para atrair projectos novos e inovadores. Outros têm-no conseguido e em terras mais desfavorecidas e mais longe dos circuitos comerciais e internacionais.

Esta terra ainda não está servida na sua totalidade de saneamento… Neste concelho ainda nem todos são abastecidos devidamente de água canalizada nos 365 dias do ano… Neste território, algo que considero um dos maiores escândalos da nossa terra, ainda existem centenas de famílias sem condições mínimas de habitação, isto é, vivem em barracas e em habitações completamente degradadas.

Cerca de 400 pessoas em Corroios, mais propriamente, em Santa Marta, perto de um milhar em Vale do Chícharos (Jamaica) e outras noutros locais do concelho. Só do Programa PER (Programa Especial de Realojamento), lançado em 1993, ainda estão à espera 144 famílias, quando a maioria dos municípios já encerraram o programa. Como podem dormir descansados o presidente e o restante executivo, sabendo que há famílias sem condições mínimas de habitabilidade?

Não é admissível que a autarquia se refugie constantemente no facto de que estes temas não são responsabilidade sua. Os autarcas são eleitos para melhorarem a qualidade de vida das suas populações e como se pode ver isto não tem acontecido no Seixal.

O concelho do Seixal regista uma das maiores abstenções do País em eleições autárquicas. Como explica este alheamento?

Um dos nossos grandes objectivos é fazer tudo para que mais pessoas participem activamente na sua comunidade. E a participação no ato eleitoral é o princípio. É preciso criatividade, é preciso inovação, é preciso participação. Uma das propostas do nosso programa é instituir os orçamentos participativos na Câmara, nas juntas de freguesia, nas associações, nas escolas, isto é chamar as pessoas à participação e co-responsabilização para fazer propostas e a sua concretização e não serem sempre e apenas os mesmos a decidir.

Fazer diferente, ouvindo, dialogando e participando. Estando nós no século XXI, perto da capital do País, e com 43 anos após a revolução de Abril e, mais, no chamado concelho de Abril, com tudo o que esta denominação representa (liberdade, desenvolvimento, democracia, participação, progresso, luta por uma vida melhor…); pois esta terra tem das maiores abstenções do País, 62% nas últimas autárquicas (onde está a participação, a liberdade…?). É preciso urgentemente inverter esta realidade. Choca-me constatar o alheamento dos responsáveis políticos do concelho em relação a este tema gravíssimo que não é exclusivo do Seixal mas que aqui ganhou proporções que devem envergonhar todos os responsáveis políticos”.

Toda a sua vida profissional esteve ligada à Educação. Como pensa utilizar essa experiência ao serviço da autarquia?

Para o desenvolvimento, seja ele qual for, é necessário apostar na educação, na formação, na cultura e na inovação. É também a educação e cultura que proporcionam uma democracia mais activa e pluralista, mais participativa e mais esclarecida.

A grande aposta do autarca, da autarquia, devem ser as pessoas. Investir nas pessoas, proporcionar-lhes a aprendizagem, o conhecimento, a formação, a realização. Precisamos de investir nas crianças, nos jovens, nos mais desfavorecidos, investindo na escola pública desde o pré -escolar.

Queremos valorizar a escola pública, mas queremos dar a todos os alunos, a todos os jovens as melhores condições. Quero para o Seixal novas políticas de educação que, em colaboração com os poderes centrais e regionais, se consigam os melhores equipamentos, os melhores projectos e também em conjunto com toda a comunidade educativa se valorize a escola e se consiga o sucesso para todos. Quero para o Seixal novas políticas culturais com equipamentos de qualidade e com programas culturais diversificados, que proporcionem momentos culturais que todos possam usufruir.

O que diria ao eleitorado para votar em si?

Há 43 anos que somos governados pela mesma força política e ainda não tiveram tempo, porque não quiseram ou não souberam, de resolver os problemas básicos para uma vida de qualidade e digna de qualquer ser humano. Felizmente temos paz mas falta… o pão, a habitação, a saúde, a educação. Esta é a realidade. Temos de encontrar prioridades e a prioridade das prioridades são as pessoas. A maior riqueza desta terra. Temos de fazer diferente, temos de saber ouvir e dialogar com todos.

 

O professor que aposta nas futuras gerações

Manuel Pires nasceu na Beira Alta e desde o início dos anos 70 que reside no Seixal onde dedicou grande parte da sua vida cívica e profissional. Na paróquia de Arrentela empenhou-se no apoio ao crescimento de crianças e jovens, a mesma motivação que o levou à carreira de professor, demonstrando um traço estrutural na forma como encara a vida, o apoio e capacitação das futuras gerações.

Profissionalizou-se na Escola Secundária de Amora e anos depois foi presidente da comissão instaladora e director da Escola Secundária Manuel Cargaleiro. Foi também presidente da comissão instaladora da Escola Básica 2,3 de Pinhal de Frades e presidente da direcção durante vários mandatos. Colabora, presentemente, como vice-presidente do Centro de Assistência Paroquial de Amora (CAPA–Patronato).

Durante todos estes anos passou ainda pela Escola Paulo da Gama, pela Escola Secundária de Amora, pela Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo, pelo Centro Distrital da Segurança Social de Setúbal, pela Câmara Municipal e pela Cruz Vermelha Portuguesa.

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